Filhos do Metal – Espelho Meu

Por Duarte Dionísio
(Filhos do Metal – À descoberta do Heavy Metal em Portugal)
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A imagem e a estética de um artista, músico ou banda são aspetos que devem ser sempre considerados numa perspetiva de apresentação pública? Sim. No entanto, tudo depende da vontade e essencialmente do conceito que se pretende para o projeto musical. Se por um lado há aqueles que apostam bastante na vertente estética, outros limitam-se a ser eles próprios, tal qual como são no dia-a-dia. A verdade é que ao exporem publicamente as músicas, quer seja através de gravação ou ao vivo, os músicos estão a assumir algo perante o público. Há uma mensagem, agregada a uma imagem, que passa para quem ouve e vê. Mesmo que de forma inadvertida, há um conceito adotado que transmite as ideias e intenções por detrás das músicas. Há músicos que podem afirmar estar apenas interessados em compor e tocar as músicas da forma mais descomprometida, sem adornos, a música pela música. Mas ainda assim, há sempre uma perspetiva que não pode ser ignorada. Mesmo nos casos mais sóbrios, a estética está presente na forma como se apresentam ao vivo, como se vestem, as imagens das capas dos discos, os vídeos, o merchandising, entre outros.

Nos Estados Unidos, no decorrer da segunda metade dos anos 70 e princípio dos anos 80, o Glam Metal impôs uma forte componente estética com as bandas a ostentarem uma imagem glamorosa, dando especial importância à maquilhagem, cabelos frondosos e roupas extravagantes. Bandas como os Kiss, Ratt, Mötley Crüe, Twisted Sister apostaram nessa vertente. Quando do outro lado do Atlântico o espetro da música pesada era dominada por esse conceito, começaram a surgir uns putos mais interessados em acelerar os ritmos do que em pintar o cabelo. Influenciados pelo Punk e pela NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal), os Metallica e os Exodus, por exemplo, apareceram em palco tal como eram no dia-a-dia. Assim nasceu o Thrash Metal com todo um novo conceito. Talvez não houvesse uma intenção consciente em criar um conceito, mas naturalmente o meio assimilou a nova onda musical e toda a imagem mais simples a ela associada. De uma forma propositada ou não a estética está sempre presente, quer seja de forma exacerbada ou natural. Há exemplos de teatralidade assumida como os Gwar, Spliknot ou Lordi, que levam a imagem a extremos. Outro exemplo é a estética de uma grande maioria das bandas de Black Metal, com o corpse painting a ser preponderante na imagem.

Portugal não é exceção. Há bandas que assumiram desde logo uma forma mais exuberante de se apresentarem, como são exemplos alguns projetos de Black Metal. Outros casos de estética própria e marcante são: Bizarra Locomotiva, Grunt ou Gaerea. As bandas assumem características próprias para passarem a sua mensagem, seja ela focada na música ou no contexto lírico. Fazem-no de forma pensada ou de forma irrefletida, mas o público e os fãs tendem sempre a fazer uma interpretação, no mínimo catalogando o género. Há vários caminhos que podem ser seguidos. Por exemplo, os Holocausto Canibal incorporam uma estética Gore nas líricas e no design das edições discográficas. Uma componente muito visceral e sanguinária. Os Serrabulho criaram um conceito muito original, algo entre o humor, a pornografia e o folclore, com a sonoridade extrema do Grindcore. A imagem, a estética, o conceito são indissociáveis da música que se produz. Mesmo que não se queira assumir um género ou passar uma imagem definida, alguém se encarregará de o fazer, nem que seja para catalogar a banda. A verdade é que hoje em dia torna-se cada vez mais difícil ser original ou ter um conceito que se distinga dos restantes.


 

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