Filhos do Metal – Reedições

Por Duarte Dionísio
(Filhos do Metal – À descoberta do Heavy Metal em Portugal)
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Vitalidade ou apenas nostalgia. Qual o motivo para o crescente número de reedições de peso em Portugal? São vários os motivos para que tal aconteça. Mas só recuando no tempo se percebe melhor o enquadramento de tais reedições. Há álbuns que tiveram apenas uma única edição limitada e não voltaram a estar à venda. Principalmente porque foram lançados por pequenas editoras independentes de curta existência, que ao desaparecerem deixaram os seus reduzidos catálogos discográficos sem continuação editorial. Há também edições de autor que se limitaram a um único lançamento e de pequena monta. Com restrições de mercado e dificuldades de divulgação, muitas vezes por falta de verbas para investimentos significativos, os álbuns da maioria das bandas Portuguesas de Heavy Metal estavam destinados a vendas reduzidas. Isso porque, normalmente eram apenas distribuídos dentro do nosso país e nem sempre cobrindo todo o território. Acrescia uma promoção pouco relevante e com impacto apenas dentro de um nicho de fãs atentos. Claro que me refiro a um tempo em que o digital ainda não existia ou estava numa fase inicial, daí a cópia física ter sido dominante. As pequenas estruturas editoriais eram pouco ou nada profissionais e existiam porque a dedicação ao Metal era muito grande, mas só isso não era suficiente. No entanto, isso não impediu que tivessem sido lançadas verdadeiras pérolas, na sua maioria em formato CD durante os anos 90. O que se pode constatar atualmente é o facto de algumas edições atingirem valores elevados em plataformas online de vendas, mesmo no caso de cópias em segunda mão. Cópias originais e novas (seladas) são uma raridade, em alguns casos não haverá de todo. Claro que houve lançamentos com maior relevância, quer a nível nacional, com vendas a atingirem os milhares, quer a nível internacional. Mas essas foram as exceções que confirmaram a regra. Foram também essas bandas que lograram o sucesso que trouxe maior atenção e importância para a cena Metal nacional.

A nostalgia, mas também a vitalidade do Heavy Metal e ainda uma maior profissionalização de pessoas e estruturas têm como resultado a reedição de alguns registos discográficos do passado. Embora o Heavy Metal Português ainda tenha raízes profundas no underground. Outro fator que contribui para este “fenómeno” é sem dúvida o interesse pelo colecionismo de formatos como o álbum em vinil e cassete. As reedições são normalmente em quantidades limitadas e em formatos designados de “luxo”, pelo menos em alguns casos. O que torna o item apetecível por colecionadores e fãs fervorosos do género. Se os originais são peças raras, essas reedições também o serão daqui a uns anos. De notar que o espetro de bandas é abrangente, quer a nível de subgénero dentro do Metal, quer a nível de estatuto. Havendo reedições de álbuns cujas bandas já terminaram a carreira há muitos anos, mas também outras que ainda estão em atividade. O papel de algumas editoras tem sido relevante neste processo, como são os casos da Larvae Records, Chaosphere Recordings e pontualmente a Rastilho Records ou Alma Mater Records, entre outros casos. Alguns exemplos que têm sido recebidos com entusiamo: Bactherion/Filii Nigrantium Infernalium – “Inmunditia Odii Plena: Filhos Das Trevas Infernais” entre outos álbuns da banda; diversos álbuns de Decayed como por exemplo uma compilação baseada na edição original do 7” “The Seven Seals”; Disaffected – “Vast”; Sacred Sin – “The Shades Behind” e “Eye M God”; Grog – “Macabre Requiems”; Inhuman – “Strange Desire” e “Foreshadow”; Shrine – “1990-1996”; Thormenthor – “Dissolved In Absurd”; Genocide – “Genocide”; Afterdeath – “Unreal Life (Demos & Rare Tracks 1990-1997)”; Xeque- Mate – “Em Nome Do Pai, Do Filho E Do Rock ‘n’ Roll”; Tarantula – “Tarantula” e “Kingdom Of Lusitania”; Gangrena – “Infected Ideologies”; In Solitude – “Eternal”; RAMP – “Thoughts”; diversos de Moonspell; Desire – “Infinity… A Timeless Journey Through An Emotional Dream”; Black Cross – “Sexta-Feira 13”. A criar expetativa, com edição anunciada pela Larvae Records estão: Evisceration – “Hymn To The Monstrous”; Heavenwood – “Diva” e o há muito adiado “Abstract Divinity” de Thormenthor, este pela Chaosphere Recordings.

São alguns exemplos, porque há outras reedições, compilações e memórias de um passado recente do Heavy Metal nacional. No entanto, a maioria recai sobre edições dos anos 90 para a frente. Ainda são poucas as reedições de trabalhos dos anos 80. Compreende-se pelo facto de serem em menor quantidade. Mas há semelhança de Black Cross – “Sexta-Feira 13”, com direito a edição em CD e cassete com um livro sobre a curta existência da banda, seria interessante explorar os períodos em que as demo-tapes reinavam. Há bastantes trabalhos que mereciam ser reeditados, ou melhor dizendo, editados em CD ou vinil. Na maioria dos casos, a qualidade de produção não será porventura a melhor, o que comprometerá em certa parte a edição, mas como documento seria deveras interessante. A solução passaria por novas gravações, ou remisturas, mas isso seria pedir muito. Houve bandas que nunca chegaram a ter edições oficiais em vinil ou CD, lembro-me de Satan’s Saints, Devil Across, Blizzard, Hardness, Lakrau, The Coven, STS Paranoid, Navan, The Vowers, apenas para mencionar algumas. E já agora, talvez um dia a prometida e nunca concretizada edição do duplo álbum ao vivo no Rock Rendez Vous em 1987 com: Navan, Tarantula, STS Paranoid, Procyon, Blizzard, Satan’s Saints, Devil Across e Black Cross, possa ver a luz do dia! Se é que as gravações ainda existem! Aposto que sim…


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