O Álbum do Mês – Agosto 2020

Álbum do Mês - Agosto 2020

Agosto, mês de Férias, de sol, de descanso. Bem, já sabemos que para muitos este mês não é exactamente aquilo que se antecipava – e quem diz este mês, diz este ano de 2020. Felizmente que apesar de todos os problemas que a nossa cena tem atravessado, a boa música continua a fluir. Deixamos aqui o nosso Top 20 como forma de mostrar que apesar de tudo, apesar de não nos deixarem, a nossa música continua a fluir. Esperemos que tudo o resto volte também.

20 - U.D.O + Das Musikkorps Der Bundeswehr - "We Are One"

AFM Records

Com este álbum, podemos sentir que Dirkschneider é realmente um músico com uma dinâmica musical incrível e fico a pensar como seriam os Accept com ele? Claro, não quero ser mal interpretado, pois adoro o trabalho da banda alemã, mas a realidade é que Udo é um mestre no que faz e aqui nesta experiência musical acompanhada da banda militar alemã, demonstra mais uma vez uma versatilidade incrível para uma voz que nem sempre é fácil de encaixar em qualquer composição.

O que sinto, globalmente é que tudo é potencializado na melhor direção e que acima de tudo Udo continua inspirado, cheio de garra e com tudo para criar hinos daqueles que nos deixam logo a cantar à primeira passagem.

10/10 
Miguel Correia

19 - Stonebirds – “Collapse And Fail”

Ripple Music

“Collapse And Fail” é um daqueles discos que nos coloca a olhar para o nosso próprio abismo. De uma forma violenta mas que é necessário para nos despertar do estado avançado de catatonia em que nos confinámos. Pesadão como é o esperado de todo o disco de sludge mas com muito mais do que apenas abrasividade do que se antecipava. Dinâmico ao ponto de nos querer fazer headbang mas também com aquele groove apocaliptico que o pós-metal (ou senhores como os Neurosis, sem querer fazer uma comparação directa) já nos habituaram. Começando em “Only God” com poder, a visceralidade poderá até ter flutuações – daí o uso da palavra dinâmica – onde faixas como “Down” têm maior impacto pelo contrasto, esta viagem não se prevê fácil, mas ainda assim absolutamente necessária.

9/10 
Fernando Ferreira

18 - Bulletbelt – “Warlords”

Impaler Records

Dos neozelandeses Bulletbelt já sabemos que podemos esperar boa coisa. Sendo a boa coisa a mistura viciante entre o black e thrash metal, com bastantes surpresas para quem espera que se trata de uma mistura literal entre os dois géneros. Há inclusive aqui temas que vão bem mais além deste espectro – “Blade On The Fire” tem um adorável tom pós-punk. Excelente bom gosto nas melodias, um trabalho de guitarra fantástico e uma secção rítmica que é a base para tudo o resto. Confesso que não os conhecia e a apresentação não poderia ter sido melhor, com um grande álbum.

9/10 
Fernando Ferreira

17 - DDENT – “Couvre Sang”

Chien Noir

O terceiro, aquele passo arrojado, em muitas carreiras de tudo ou nada ou de simplesmente afirmação criativa. Neste último sentido faz todo o sentido que “Couvre Sang” seja ao mesmo tempo tão arrojado como definitivo em relação à expressão do duo musical DDENT. Aquela base mais sintética e moderna/digital da sua música presente mas a emotividade ganha novo patamares, com melodias e ambientes cinematográficos que mesmo que não queiramos, entra logo à primeira.

9/10 
Fernando Ferreira

16 - Wanderer – “Awakening Force”

Rafchild Records

Os Wanderer são uma daquelas bandas que me trazem lembranças nostálgicas. Heavy metal clássico e atleta (cheio de speed) e com uma voz que remete para o imaginário do género no final da década de noventa. Isto é o que a banda me trouxe, tanto na demo de 2014 como no EP de 2017 “Way Of The Blade”. Não mudou com “Awakening Force”, o álbum de estreia que finalmente chega. Não vamos estar a referir nomes nem influências porque é derivativo a partir do momento em que já sabemos que tocam heavy metal. Produção orgânica e até vintage trazem-nos grandes momentos, sendo que os nosso favoritos são os mais épicos como “Freedom’s Call” e “Dark Age”. No geral é um álbum bastante sólido e esperemos que seja o primeiro de muitos. Obrigatório para qualquer fã do som sagrado.

9/10 
Fernando Ferreira

15 - Dkharmakhaoz – “Proclamation Ov The Black Suns”

Iron Bonehead Productions

Hoje em dia já não é nada novidade termos entidades misteriosas (ou mascaradas) a trazerem-nos contos de destruição, ódio a Deus e à himanidade, mas há ainda sempre espaço para sermos surpreendidos. Neste caso, este duo bielorrusso surpreendente-nos por juntar ao ambiente black metal, afinações bem graves (em nada comuns) e uma ambiência mais quente, talvez maquinal, à sua sua sonoridade. O comunicado de imprensa faz questão de salientar que não há o intuito de ser algo industrial. Compreende-se o porquê de fazerem essa ressalva. Invulgar, catártico enquanto simultaneamente familiar, sem chegar a ser déjà vú. Uma forma diferente (e eficaz) de fazer black metal.

9/10 
Fernando Ferreira

14 - Drouth – “Excerpts From A Dread Liturgy”

Translation Loss Records

Temos a percepção que no metal também a sensação de imedietez da música tem o seu peso. Temos a noção de que um álbum como este “Excerpts From A Dread Liturgy” será complicado de agradar aos que procuram por emoções fortes e imediatas – emoções fortes temos, imediatas é que poderá ser algo que não seja geral para todos os que se aventurem. Temas longos, black e death metal misturados (com a tabela a pender na estética e no ambiente mais para o lado do black metal) num ser que acaba por ser único, denso, belo e também mortífero. Um álbum de qualidade fantástica, mais que recomendado.

9/10 
Fernando Ferreira

13 - Temple Of Dread – “World Sacrifice”

Testimony Records

Os Temple Of Dread em menos de um ano lançaram um bom álbum de estreia e agora já estão de volta para o segundo round, com uma dose considerável de death metal old school. Temos aqui um bocado da abordagem sueca misturada com a holandesa – a voz tanto nos lembra um campo como o outro – mas por outro lado, não temos uma colagem a nada definido. É aquele sentimento de déjà vú agradável porque apenas nos dá o sentimento de familiaridade mas não nos retira o prazer de temas como “Enforcers Of The Vile”. O death metal está melhor que nunca, graças a bandas assim, que surgem do nada a rasgar fininho.

9/10 
Fernando Ferreira

12 - Sharptooth – “Transitional Forms”

Pure Noise Records 

Descargas violentas é o que precisamos. Contra a estupidez e intolerância que anda por aí aos magotes. Então com requintes de hardcore metalizado, não há mesmo nada melhor para satisfazer os nossos desejos e necessidades. A opinião da banda é que este álbum está a anos-luz em relação ao anterior e somos forçados a concordar. Formas de transição, algo que sempre tivemos, como raça, dificuldade em aceitar. A não ser que seja à violência. Se for desta, pode ser que resulte. Meia-hora mágica que nos dá energia para muito mais.

9/10
Fernando Ferreira

11 - Snøgg – “Ritual Of The Sun”

Edição de Autor

Este álbum é o equivalente à meditação para o fã de black metal. Não, isto é demasiado básico. É como a lavagem de alma. Ambient/drone/noise é uma forma de tentar descrever a coisa mas aquilo que é realmente, vai muito além de apenas juntar rótulos separados por traços. É uma viagem de uma única faixa em quase quarenta minutos onde literalmente nos perdemos no meio de alguma abrasividade suave (se o paradoxo subistir) que deixa tranparecer alguma melodia fantasmagórica até desaguar num ritualismo arrepiante. Sem dúvida que uma verdadeira obra-de-arte.

9/10
Fernando Ferreira

10 - Thyrant – “Katabasis”

Indie Recordings

Os nuestros hermanos Thyrant estão de volta, quando a sua passage pelo Musicbox a abrirem para os nossos Process Of Guilt ainda nos está na memória apesar de já ter sido em 2017, ano em que tinham editado o álbum de estreia “What We Left Behind…”. A banda que se apresenta agora é algo diferente, sendo que essa maior diferença é a mudança de vocalista, com Ocram a ser um dos principais motores para este Katabasis, partindo de si a ideia de fazer um álbum conceptual. Esta ambição lírica fez também com que a música tivesse subido uns degraus bastante visíveis qualitativamente. Mais adultos, mais maduros, mais profundos, “Katabasis” consegue ser mais tradicional mas ao mesmo tempo demonstrar hipóteses mais refrescantes e menos previsíveis. Estão definitivamente no bom caminho.

9/10
Fernando Ferreira

9 - Defeated Sanity – “The Sanguinary Impetus”

Willowtip Records

Daqui já sabemos bem o que podemos encontrar, brutalidade a rodos. Os Defeated Sanity apresentam-se ao serviço para o seu sexto álbuns de originais, após um excelente “Disposal Of The Dead / Dharmata”. Uma abordagem bem cativante do brutal death mais técnico, com imensos pormenores técnicos que não deixam de impressionar. O melhor tudo é mesmo reparar como uma não sufoca a outra. Claro que para isso é preciso uma licenciatura em death metal e especialização em brutal death. Depois dessa escolaridade mínima e obrigatória, estão mais que aptos para entrar por aqui dentro com confiança.

9/10
Fernando Ferreira

8 - Ten Foot Wizard – “Get Out Of Your Mind”

Beard Of Zeus

Este foi um trabalho esperado com alguma expectativa e não é preciso dedicar-lhe muito tempo e atenção para percebermos o porquê. Apesar da capa alucinada, temos aqui temas com os pés bem assentes no chão. Simultaneamente, enquanto estamos presos à terra, temos outros que nos impelem a ir bem longe. Isto graças a uma fórmula deconcertante que vai buscar desde o stoner ao psicdélico sem fazer uso propriamente de qualquer tipo de lugar comum. É sempre um risco, mas a verdade é que resulta, resulta muito bem. “Get Out Of Your Mind” é uma ordem que devemos levar à letra. Não só pela capa, não só pela música mas principalmente como retrato da conformidade onde estamos mergulhados. Por opção própria. Ou pelo menos negligência. Ficámos sem outra opção se não obedecer.

9/10
Fernando Ferreira

7 - Ice War – “Defender, Destroyer”

Fighter Records

Adorável. Não é? Adorável em todos os sentidos. Termos a metalda primitiva mas também tão tradicional, aquele heavy metal desconcertante, que tem o seu quê de punk (tal como o primeiro álbum de Iron Maiden e Metallica). Até parece uma reedição de um álbum lançado nos primórdios da década de oitenta. E deonde vêm os Ice War senão do Canadá, essa terra que tanta coisa boa nos tem dado ultimamente. Não sendo propriamente novatos, e este é já o seu quarto álbum em cinco anos de carreira (e sem referir os muitos splits, Eps e singles lançados), este é um trabalho que devolve aquele entusiasmo quase juvenil que se tem quando se começa a ouvir metal. Um álbum fantástico cuja maior arma é a sua simplicidade.

9/10
Fernando Ferreira

6 - Let Us Prey – “Virtues Of The Vicious”

M-Theory Audio

Álbum de estreia, modernaço e aqui presente no Top 20 dos álbuns do mês? Será possível? Claro que sim até porque os Let Us Prey demonstram já ter uma maturidade fantástica com este trabalho. O Metal Archives afirma que esta é uma banda de metalcore mas o que podemos ouvir é um heavy/thrash metal musculado (com algumas vocalizações mais extremas) e com bastante groove. A categorização é realmente difícil de fazer, o que não é difícil é perceber que estamos perante um excelente álbum de metal, seja qual género for. Vozes poderosas e energéticas (ou não estivessemos a falar de Marc Lopes da banda do Ross The Boss) e bombas metálicas. Moderno ou não, não precisamos de mais.

9/10
Fernando Ferreira

5 - Primal Fear – “Metal Commando”

Nuclear Blast

Dificilmente teremos maus discos da parte de uma das melhores bandas da cena Heavy Metal mundial! Por alturas do lançamento anterior já tinha percebido, por exemplo, a excelente forma de Ralph nos vocais e aqui em “Metal Commando” a sensação é a de que os anos passam e o homem continua a cantar cada vez melhor! Este novo trabalho dos Primal Fear traz outra realidade. Composta por músicos veteranos a banda não dá qualquer sinal de querer abrandar a sua intensidade e debita aqui um conjunto de onze temas com tudo aquilo que temos direito e a que já nos habituaram. Há ainda o direito a respirar um pouco com “I Will Be Gone”, um tema de linhas acústicas cheio de encanto, preenchido com uma voz brilhante.


10/10
Miguel Correia

4 - Ensiferum – “Thalassic”

Metal Blade Records

O maior poder dos Ensiferum é em cima dos palcos mas como não ficar entusiasmado quando nos surge mais um álbum da banda finlandesa? Ainda para mais quando eles ainda são garantia de qualidade. Essa garantia não desvanece com “Thalassic”, que nos traz boas músicas (hinos) para serem cantados com os amigos num festival, a imaginar que estamos num pós-batalha qualquer, a celebtrar a nossa vitória sobre os nossos inimigos. Ou algo mais próximo da realidade, estarmos na nossa sala de caneca ao alto, a imaginar que estamos num festival com os nossos amigos, a imaginar que estamos num pós-batalha qualquer, a celebtrar a nossa vitória sobre os nossos inimigos. Refrões cheio de poder e aquele toque muito próprio do folk metal mas também já bastante familiar e expectável. Essa expectativa é preenchida na perfeição e este álbum mostra-nos a banda lá em cima.

9/10
Fernando Ferreira

3 - Valkyrie – “Fear”

Relapse Records

A Relapse Records sempre foi uma referência para mim em relaçãoa coisas tão invulgares como fantásticas e embora esteja algo discreta ultimamente, não quer dizer que não continue com os ouvidos e o coração no sítio certo. “Fear” dos Valkyrie prova isso mesmo, um álbum de rock vintage mas sem soar a mofo. Sem ser retro – porque retro dá a sensação de que há uma tentativa forçada de soar “cool” – este é um daqueles álbuns que escorregam bem como se fossem uma bebida fresca em dia de Verão. Podem achar exagerado mas é graças a música destas que nos mantemos por aqui, é graças a este som único e especial que só podemos encontrar no nosso som sagrado (mesmo que numa vertente mais hard rock), que encontramos a nossa felicidade. Há muito por onde ser feliz aqui.

9/10 
Fernando Ferreira

2 - Haken – “Virus”

InsideOut Music

A capa é horrível. É provavelmente a pior capa de sempre dos Haken. Por outro lado este “Vírus” é provavelmente o seu melhor álbum. Sem problemas de começar pelo fim, já que nos tempos em que correm, o melhor é mesmo não perder tempo nenhum. Como já devem ter reparado, o título parece que é perfeito para ilustrar o momento presente que vivemos. Não só o título como cada um dos temas, musicalmente e liricamente, retratam o estado de confusão, a esperança e desesperança que temos a cada momento que passa em que não vemos uma saída para buraco onde nos enfiámos (ou nos enfiaram), com toda uma série de desastres pessoais, sociais e globais a acontecer e à espera de acontecer. Claro que a melhor forma para ilustrar isto seria com um álbum que não só é pesado como também com uma paisagem sonora rica mas ao mesmo tempo algo melancólica, como que a ilustrar a tragédia. Talvez seja fruto destes dias, talvez seja da própria emotividade à qual estamos todos submetidos mas este é mesmo um grande álbum.

9/10
Fernando Ferreira

1 - Gaerea – “Limbo”

Season Of Mist

Este é um dos discos mais aguardados deste ano, um ano marcado com muitas incertezas para as quais não se vislumbra um momento em que as mesmas não são desfeitas. O tempo não pára, a vida continua, tem de continuar. Os Gaerea são testemunho disso. Na sua estreia pela Season Of Mist trazem um segundo álbum que consegue tanto mostrar evolução em relação aos dois lançamentos da banda assim como demonstra (possíveis) caminhos para expansão evolutiva. Tenho alguma resistência em considerar o som da banda como black metal, na minha concepção não se prendem a rótulos e isso é uma das coisas que caracteriza a sua genialidade – apesar de alguns pontos em comuns com géneros estanques como o black metal – não que haja algo de errado com isso. A densidade que sempre caracterizou a banda continua mais presente que nunca e ao vivo prevê-se que a intensidade da sua música conheça novos máximos de expressão. Estamos a assistir ao erguer (ou à confirmação) de mais uma lenda do metal lusitano. A aclamação não é por acaso, é merecida.

9/10
Fernando Ferreira

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