Os Filhos do Metal – Os Profissionais do Heavy Metal

Por Duarte Dionísio
(Filhos do Metal – À descoberta do Heavy Metal em Portugal)
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Afinal quem são os profissionais do Heavy Metal em Portugal? Entendendo como profissionais aqueles que conseguem o seu rendimento, e consequente sobrevivência, exclusivamente (ou quase) desempenhando uma profissão ligada ao Heavy Metal. Por estranho que possa parecer é verdade que há quem consiga este extraordinário feito. A quantidade é residual, ainda assim, existem alguns. À entrada de uma nova década é interessante verificar que há uma evolução, embora lenta, que auspicia um aumento de pessoas ligadas ao género. O facto de existirem hoje muito mais bandas do que há 30 anos atrás, faz com que apareçam mais estruturas profissionais que sustentem a existência de um mercado, embora diminuto, para o Heavy Metal. Não só há mais músicos, bandas e edições discográficas, como há mais editoras, designers, produtores, estúdios, promotores, festivais, salas de concertos, técnicos, entre outros.

Mas afinal quem são? Não estando na posse de um estudo estatístico que possa comprovar inequivocamente os números. Através de uma observação sintética, facilmente se conclui que há algumas pessoas, individual ou coletivamente, que retiram os seus rendimentos trabalhando com o Heavy Metal. Logo à partida seria de esperar que os músicos e bandas fossem os mais óbvios candidatos. Infelizmente não é assim! No entanto, há alguns casos de sucesso profissional. Os Moonspell, que lançam agora o seu 13º álbum são uma exceção. Eles são músicos profissionais compondo e tocando no espetro do Heavy Metal. Talvez sejam mesmo a única banda a conseguir o profissionalismo. Outras há que estiveram perto de serem o sustento dos músicos que as integram. Individualmente há músicos de Heavy Metal que se profissionalizaram, acrescentando outras vertentes às suas carreiras. Paralelamente à atividade das bandas, dão aulas em escolas privadas, ensinando iniciantes a tocar um instrumento. Fazem trabalhos de produção em estúdio, alguns até instalando estúdios. Tocam em bandas de covers, atuando em bares pelo país. Têm editoras independentes, mais ou menos underground, onde dão oportunidade a novas bandas de lançarem trabalhos discográficos. Alguns casos são sobejamente conhecidos. Luis Barros, sendo baterista dos Tarantula, é produtor no estúdio Rec’n’Roll, por onde passaram e passam inúmeras bandas. Lá foram gravados alguns dos mais icónicos álbuns do Heavy Metal Nacional. Daniel Cardoso, também músico profissional, integrou a última formação dos Ingleses Anathema, mantendo a sua atividade como produtor. Zé Pedro, dos Holocausto Canibal, tem vindo a aumentar a quantidade de edições na editora Larvae Records. Guilherme Henriques é um dos exemplos mais interessantes e de sucesso, de uma vaga mais recente de profissionais do Heavy Metal. Para além de músico, é um realizador que tem dirigido imensos vídeo-clips de bandas pesadas.

Para além dos músicos, há técnicos profissionais que trabalham maioritariamente com bandas de Heavy Metal. Talvez poucos saibam, mas atualmente o técnico de iluminação dos Testament é uma portuguesa. O desempenho da Margarida Moreira foi recentemente distinguido com um prémio Europeu (WILMAwards). Também Bruno Fernandes, músico dos The Firstborn, é o coordenador de produção das tours dos Rammstein. Muitos outros técnicos portugueses têm vindo a trabalhar com bandas de Heavy Metal internacionalmente conhecidas. Na área da divulgação, o António Freitas tem sido um animador de rádio e Dj profissional há já muito tempo. A música ao vivo também originou a profissionalização de promotoras como a Prime Artists (VOA) ou a Amazing Events (Vagos Metal Fest). Mas há outras áreas profissionais. Lojas de discos e merchandising, distribuidoras de discos, assessoria de comunicação, fotógrafos, designers, em que tem sido possível obter rendimentos trabalhando com o Heavy Metal.

É sabido que a grande maioria das pessoas e estruturas que vão mantendo o Heavy Metal vivo são amadoras. Fazem o seu trabalho por prazer e paixão. Principalmente os músicos, bandas, editoras underground, revistas online, programas de rádio locais continuam a erguer as sonoridades do Heavy Metal como bandeira do orgulho, mas os seus rendimentos vêm de outras profissões. A dedicação e empenho é fruto de uma enorme paixão pelo género que ainda cativa muitos e devotos fãs.


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