Raios E Trovões – “O que não é bom para a colmeia, não é bom para a abelha”

Por Lex Thunder (Toxikull)

Quando esta pandemia acabar, as grandes superfícies, as grandes marcas e os grandes nomes continuaram o seu domínio, mais fortes que nunca.

A Altice arena continuará a realizar espetáculos.

Os técnicos de espetáculos dos Metallica continuaram com trabalho.

O Starbucks continuará a servir cafés.

O Pingo doce continuará a facturar.

O Spotify continuará a facturar, enquanto que as bandas que  constituem a sua livraria provavelmente já foram extintas ou forçadas a procurar outra área.

 

O mesmo não acontece com o café da aldeia, com a mercearia aqui ao lado, com as salas de concertos mais pequenas ou com os artistas que ficaram proibidos de trabalhar. Sem duvida, que podemos (e devemos) apontar o dedo aos que nos governam, pela falta de apoios e pela falta de coerência nas medidas de controlo da pandemia, mas na minha opinião estamos perante um problema em que a ação comunitária pesa muito mais que isso, pois toda a ação social parte de um individuo e consequentemente se transforma assim em comunidade, o que não está a acontecer.

Tudo começa pela noção de responsabilidade social ou neste caso, por falta desta.

A sociedade de hoje em dia pensa de forma individual-imperialista, todos somos uns pequenos imperadores, temos a liberdade para fazer um mundo melhor, mas não o fazemos, desde que o eu individual seja satisfeito. Não o considero egoísmo pois não creio que seja um problema intencional, mas sim educacional e de falta de exemplo.  Desde pequenos que o conceito de comunidade é desencorajado ou oculto em substituição do conceito de individuo e a competitividade cega.

Nas escolas ensinam-nos a técnica, mas não nos ensinam a filosofia por detrás dela.

Ensinam-nos a estudar, mas não nos ensinam em como aplicar os estudos.

Ordenam-nos por grupos, mas não como cooperar.

Vemos os números, mas pouco o conteúdo.

Vemos caras e não a arte.


Fazemos o que nos deixa mais confortáveis, independentemente de afectar ou não o outro. E esquecemo-nos que necessitamos uns dos outros.

Tudo está interligado, Seria muito arrogante pensar que não o está. Basta olhar á nossa volta. Nesta dimensão tudo exige equilíbrio, e isto só se consegue com diversos pontos de força em entreajuda.  Devemos repensar o modo como a sociedade é regida e organizada, no que continuará a valer a pena (ou não) e sobretudo em como as nossas acções podem interferir na vida dos outros.

Pergunto então:

Será que se fez o suficiente para apoiar os negócios locais, os músicos, as marcas pequenas, os bares,etc…?

 

Um pequeno gesto como uma partilha de um tema de uma banda nova nas redes sociais, uma ida a um bar com as devidas medidas de segurança, o beber um café no tasco da aldeia, a mercearia local,  ir ver um concerto ou um teatro com lotação limitada,  etc…

Se podes satisfazer as tuas necessidades através de serviços e meios mais locais e pequenos que dependem da tua participação, porque não o fazes? Porque não dás oportunidade?

Poucos o fizeram, e poucos tem interesse em o fazer.  E não é por medo, mas sim por comodismo.

Estamos todos no direito de dizer que cada um age como quer e que não deve satisfações a ninguém, mas como Marco Aurélio já dizia, “O que não é bom para a colmeia, não é bom para a abelha”.

Esta parte do nosso ecossistema que morreu, trará consequências a todas as abelhas que não cuidaram da sua colmeia.

Façamos a nossa parte.


 

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