Road To Vagos – Dagoba

Os Dagoba são um dos grandes nomes do underground industrial francês e depois de, por infortúnio, lhes ter sido impedido participarem na edição do Vagos Metal Fest no ano passado, foram a primeira confirmação para este ano. E apesar de terem mais de duas décadas de carreira, não são, pensamos nós, um nome sobejamente conhecido no nosso cantinho deste mundo do metal. Algo que não deixa de ser injusto em relação a tudo o que fizeram e continuam a fazer.

A carreira da banda começou em 1997, em Marselha e o que esteve no início como principais influências foi o som nu metal de bandas como Korn, Deftones e Incubus assim como também coisas mais extremas dentro do death metal. A base da banda era composta por Shawter (vocalista e único membro original presente na banda hoje em dia), Izakar (guitarrista), S.T. (guitarrista), Werther (baixo) e Franky (bateria) e o seu primeiro lançamento foi com a demo “Time To Go”, de forma old school, em cassete mas foi com o EP de seis canções, “Release The Fury” lançado através da Enternote Records em 2001 que as águas começaram mesmo a mexer.

“Rush”, o tema de abertura acima, teve direito a videoclip e o seu nome começou a fazer burburinho no underground, muito graças também a uma maior abertura à sua sonoridade aberta. O que permitiu que lançassem o seu álbum de estreia pela mesma Enternot e que o impacto desse trabalho fosse bastante considerável, numa altura em que os media tradicional começavam a ter a concorrência forte da internet no espalhar da informação. A banda teria a sua primeira mudança na formação com a saída de S.T., o que fez com que os Dagoba passassem a quarteto e depois cederam os direitos de distribuição à gigante EMI, algo que também ajudou no crescimento do seu nome.

Os Dagoba conseguiram, graças à estreia andar em digressão durante dois anos, abrindo para grandes nomes como Machine Head, Fear Factory ou até Korn, uma das suas grandes influências e esse sucesso no underground a querer furar para o mainstream não foi de todo ignorado, conseguindo chamar a atenção de Season Of Mist e lançando assim o seu segundo álbum de originais que fez crescer o seu nome ainda mais, graças a uma produção forte por parte de Tue Madsen e um conjunto de temas que resultaram num trabalho que chegou aos tops de vendas do seu país natal. Este trabalho via a banda a tentar incorporar influências diferentes onde a participação de ICS Vortex se destaca.

Provado o sabor, a banda decidiu repetir a dose com “Face The Colossus” de 2008, voltando a trabalhar com Tue Madsen e conseguiu repetir os feitos em termos de sucesso, estabelecendo com sucesso o seu nome embora em termos críticos, começassem a surgir vozes em como a banda estava estagnada criativamente e que não passaria de um nome secundário do metal moderno, condenado a ser banda de abertura para bandas de topo.

Não demorou muito tempo a calar estas vozes quando a banda enceta a sua primeira digressão como cabeça de cartaz percorrendo toda a Europa durante 2008 e 2009 em promoção ao álbum, algo que fez com que o sucesso da banda e o seu nome se espalhasse ainda de forma mais profunda. O próximo trabalho de estúdio viu a banda a ir ainda mais longe, desta vez fora da Season of Mist. “Poseidon” foi lançado pela editora francesa XIII Bis Records.

O álbum via a banda a apostar numa direcção mais orgânica embora mantivesse a aura industrial. No entanto, cada vez mais a banda estava a criar o seu próprio caminho do que a seguir qualquer fórmula pré-concebida. Acima poderão ver um vídeo da banda a tocar ao vivo retirado do DVD bónus com o álbum enquanto abaixo temos a banda a tocar ao vivo na digressão de apoio a “Poseidon”.

“Post Mortem Nihil” foi o trabalho de estúdio que se seguiu, em 2013, também ele editado por uma nova editora, desta feita a Verycords. Foi o primeiro álbum sem Izakar, membro fundador e guitarrista que saiu por diferenças irreconciliáveis com um dos membros da banda, não tendo esclarecido exactamente quem. Foi substituído por Z. Para este álbum houve uma maior aposta na banda por parte da editora e essa aposta foi recompensada com um grande álbum, que finalmente viu a banda a obter a repercussão e reacções que já merecia há algum tempo. Abaixo o vídeo de um dos grandes momentos do álbum, “The Great Wonder”.

Esse bom momento não deixou de ser aproveitado com a editora e banda a juntarem-se para lançarem uma actuação da banda ao vivo no Hellfest em CD e DVD, imortalizando o enorme wall of death registado lá, como se pode verificar abaixo.

A união com a Verycords ainda viria a render mais um excelente álbum, “Tales Of The Black Dawn”, em 2015 que elevou a fasquia ainda mais com um trabalho que, tal como o anterior, contou com a produção de Logan Mader, e que continuava a evidenciar o seu som cada vez mais abrangente em termos de géneros musicais. Este álbum contou ainda com o apoio da earMusic na distribuição.

Se criativamente a banda estava na mó de cima, infelizmente a dança das cadeiras dos seus membros continuava, tendo saído o Franky Constanza, baterista original, assim como Z, o guitarrista que tinha entrado recentemente. Para o seu lugar entrariam Nicolas Bastos e Jean-Lau Ducroiset para as posições respectivas, sendo que este último não permaneceria muito tempo na banda, sendo substituído por Richard de Mello da banda de black metal Deluge. E foi com esta formação que foi editado no ano passado, já pela conceituada Century Media, o álbum “Black Nova”

Com mistura e masterização de Jabob Hansen, este álbum mesmo não sendo tão forte como o anterior, vê a banda cada vez mais sólida e considerando as mudanças de alinhamento, sem dúvida que é um triunfo. Assim como será triunfal a sua passagem por mais um Vagos Metal Fest.


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