WOM Report – Resurreição do Metal @ Milagre Metaleiro, Pindelo dos Milagres – 20.04.19

Não concebo melhor forma de comemorar uma Páscoa do que um festival de Heavy Metal na aldeia mais metálica de Portugal. As bandas escolhidas, juntando algumas das mais importantes e das mais promissoras no panorama nacional, faziam prever uma grande festa. Como é apanágio em todas as organizações da Associação Milagre Metaleiro, os festivais são de Heavy Metal, sem misturas de outros géneros musicais. Esta situação não é muito comum em Portugal, o que é de louvar.

A maioria das bandas, partiu de Lisboa, em excursão organizada, onde também viajou algum público. Para além do vantajoso aspecto económico, as viagens não podiam ser mais divertidas e cheia de peripécias, com a irmandade metálica no seu melhor. Parando em Leiria para recolher os Dallian, a chegada ao Pindelo dos Milagres, Viseu, ocorreu com um ligeiro atraso, um pouco depois da abertura das portas prevista para as 18h00. O Pavilhão dos Bombeiros locais, onde decorreu o festival, está longe de garantir as melhores condições acústicas, e umas janelas não cobertas por trás do palco prejudicaram um pouco o impacto visual das duas primeiras bandas.

Coube aos Gate Note, banda de Viseu, o início do festival. Com ainda pouco público na sala e o Sol a entrar pelas janelas, esta banda participante no Concurso de Bandas 2018 do Milagre Metaleiro, começou por surpreender com a inclusão de um novo elemento feminino na flauta e segunda voz. Para uma banda recente, a prestação foi muito razoável e energética, onde destaco o vocalista Luís Almeida e os seus adereços e t-Shirts estilo cebola e o guitarrista Marco Conde (também nos Sutter Down).

Já com a sala mais composta, seguiram-se os My Enchantment, que substituíram os inicialmente previstos Earthquake. A banda do Barreiro, caracterizada pelas máscaras brancas dos seus membros e a temática do Inferno de Dante, debitou o muito recente “Saligia” de uma ponta à outra, conforme tinham feito na semana anterior, por ocasião do concerto de lançamento do álbum. Foi mais um excelente concerto, confirmando uma banda que cada vez terá mais solicitações e que muito dará que falar. Desta vez as máscaras permaneceram até ao fim, ao contrário do concerto no RCA.

Os Dogma já dispensam apresentações e o seu teatral doom/gótico corresponde sempre às expectativas. A alternância ente as vozes da Isabel e do Gonçalo, em português, bem como a experiência dos restantes membros marcaram mais uma excelente actuação e surpreenderam os que ainda os não conheciam. Começando com “Jabal Fariq” e terminando com “Anjo Caído”, foram sete temas fortes e sem pausas.

Uma das bandas mais aguardadas, dado o sucesso do álbum “Automata”, eram os Dallian. Um problema técnico com os samples atrasou o início. Mercê de um death sinfónico forte e variado, ao qual não faltam uns toques de fado e de outras influências, e de um visual steampunk, esta jovem banda de Leiria confirmou ser uma das referências da nova vaga do Metal nacional. Os nove temas, começando com “Genesis of Awakenig” e terminando com “A Closure in Crisis”, foram muito bem acolhidos por um público já mais participativo.

Após mais uns problemas técnicos, desta vez relacionados com teclas, foi a vez dos lisboetas Glasya, outro dos mais aguardados concertos. Começando com o forte “Heaven’s Demise”, primeiro vídeo, a banda debitou oito poderosos temas que certamente farão parte de um dos mais aguardados álbuns nacionais do ano. A qualidade do seu metal sinfónico, liderado pela excelente vocalista Eduarda Soeiro, faz lembrar os gloriosos Nightwish e certamente será mais uma banda nacional a dar cartas.

E chegou a altura do True Metal com os experientes Ravensire. Sem samples e com um som poderoso, Ricardo e companhia apresentaram uma setlist onde já foram incluídos alguns temas do aguardado novo álbum, a sair nos próximos meses, e onde não faltou uma música dedicada a Mark Shelton (Manilla Road) falecido em Julho. Sendo uma das bandas nacionais que mais toca no estrangeiro, não deixa de ser estranho não terem mais solicitações por cá. Foi certamente uma surpresa muito positiva para os metálicos mais novos.

Com um ambiente pouco iluminado, em particular com a falta de luzes frontais, e com nevoeiro, subiram ao palco os Invoke. E já em pleno domingo de Páscoa, com um ambiente a evocar os Mayhem, começou a atuação mais demolidora do festival. Percorrendo os temas do novo álbum a sair nos próximos dias, conseguiram gerar os primeiros moshes por parte do pacato púbico e até houve direito a um encore inesperado com a repetição de “Ruínas de Outrora”.

Em síntese, uma excelente noite para os amantes de Heavy Metal, com a conjugação de bandas consagradas e de bandas muito prometedoras. Acresce elogiar o acolhimento por parte de todos os membros do Milagre Metaleiro, o jantar e a cerveja local com muita saída, e o convívio entre as bandas e o público.

Texto e fotos por João Santos
Agradecimentos Milagre Metaleiro


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