Road To Vagos – Six Feet Under

Chris Barnes é um daqueles nomes que associamos sempre ao Death Metal. A presença do vocalista nos primeiros álbuns dos Cannibal Corpse reservaram um espaço especial para este growler que nunca se conformou em termos criativos. Decisão que seria importante para a sua saída da banda seminal de death metal, quando criou os Six Feet Under como projecto paralelo com Allen West dos Obituary. A sonoridade mais pesada e lenta seria uma das características que Barnes queria explorar e foi essa mesma sonoridade que dominou a estreia “Haunted”.

Além de Barnes (voz) e West (guitarra), ainda pontuavam na formação Terry Butler (baixista dos Massacre) e Greg Gall (bateria), seu cunhado e a banda aproveitou a ligação de Barnes com a Metal Blade (devido ao contrato que tinha assinado pelos Cannibal Corpse) para conseguir o seu contrato e lançar o álbum. Produzido pelo próprio Brian Slagel  e por Scott Burns. Apesar de ser um trabalho clássico, na altura não foi unânime, principalmente para os fãs de Cannibal Corpse que o encararam como tecnicamente pobre e até monótono. Para Barnes não havia volta a dar, o futuro passava por aqui. ~

“Alive And Dead” foi o EP que veio na ressaca da estreia e que traz três temas de estúdio (as originais “Insect”, “Drowning” e a cover “Grinder” dos Judas Priest) e quatro temas ao vivo. Isto para aquecer as hostes para o segundo álbum que viria menos de um ano depois, “Warpath”. O groove mantinha-se e a banda continuava a apostar na fórmula que os distinguia de toda a concorrência. Isto numa altura que o género estava a voltar ao underground.

Em 1998 daria-se uma mudança fundamental na banda, com Allen West a sair para voltar a juntar-se aos Obituary. Para o seu lugar entrou Steve Swanson e a sua influência seria sentida sobretudo no próximo álbum “Maximum Violence”, que é o álbum mais violento da banda até então. Se por um lado, o incremento de poder é notório, por outro, aquele elemento que os distinguia de toda a concorrência desaparece em parte. Ainda assim foi um sucesso de vendas, numa altura em que o género estava em declínio e os números de vendas de disco também.

O que se seguiu foi para muitos um exercício vão de energia e tempo. Para nós, que somos fãs de covers, foi um daqueles vícios absolutos. Com a produção típica da banda mas com a voz gutural de Barnes, “Graveyard Classics” traz uma nova abordagem para temas definitivos como “Smoke On The Water” dos Deep Purple ou “Piranha” dos Exodus. A par do álbum de covers, foi lançado o home video “Maximum Video” primeiro em VHS e depois em DVD que retrata a digressão do álbum “Maximum Violence”.

O passo seguinte seria “True Carnage”, o primeiro disco que conta com convidados, sendo eles Ice T e Karyn Crisis. Por esta altura o nu metal estava no auge mas os Six Feet Under conseguiam manter o interesse do público, conseguindo até obter uma boa posição nas tabelas de vendas. A crítica no entanto aprendeu a descartar os álbuns lançados pela banda mas isso não impediu que a sua base de fãs continuasse a crescer.

E como tal, quando o sucesso é palpável, o passo seguinte é lançar o álbum ao vivo. “Double Dead Redux” foi lançado na segunda metade de 2002 e é um bom testemunho para o poder da banda ao vivo no início do milénio. Também foi editado o DVD/CD, “Double Dead” que na sua edição especial trazia mais um CD. Bons compassos de espera para o próximo álbum de originais, “Bringer Of Blood”.

“Bringer Of Blood” foi um álbum que dividiu (ainda mais) as águas. Se por um lado recuperava algum do groove perdido, misturando com a mais recente fase, por outro também é bastante político nas suas letras e variado na abordagem vocal, com Barnes a usar gritos mais agudos, trazendo assim mais dinâmica para cima da mesa. No ano seguinte e a provar que a banda não pára de andar em digressão, mais um álbum ao vivo, mais um DVD/CD, desta feita “Live With Full Force”

“Graveyard Classics II” marcou o regresso dos Six Feet Under às covers de uma forma surpreendente. Desta vez resolvem interpretar na íntegra o álbum dos AC/DC, “Back In Black”. Uma opção estranha mas que sem dúvida nos dá extremo gozo ouvir temas como “Hells Bells” e “Shook Me All Night Long”. No entanto este entusiasmo não é partilhado pela maioria dos fãs da banda. Não demoraria no entanto muito tempo para lançar o próximo álbum, “13”.

Consta que para escrever as letras, Barnes usou a influência causada por doses cavalares de marijuana e meditação. O resultado é um álbum fresco e potente, mostrando que em dez anos de carreira, a banda ainda tinha muito mais a dar. Como que a fazer o balanço dessa década de existência, foi lançada a caixa especial “A Decade In The Grave”, composta por cinco discos, onde dois são uma compilação “best of”, o terceiro é uma compilação de raridades, o quarto é um dos primeiros concertos da banda em 1995 e o quinto um DVD ao vivo de 2005.

Inesperadamente, no mesmo ano, Barnes junta-se aos Torture Killer como vocalista. A jovem banda finlandesa ficou nas sete quintas já que viam em Barnes uma das suas maiores inspirações. Este, no entanto, foi apenas um projecto paralelo que não impediu em nada que os Six Feet Under continuassem a todo o gás no ano seguinte para começar a trabalhar no seu novo álbum “Commandment”, que só seria lançado em 2007.

“Commandment” vê a banda no seu melhor, juntando a violência do death metal como também o seu lado mais groove. Graças também a uma produção forte, “Commandment” permitiu à banda ter a sua digressão mais badalada até então assim como lançar dois vídeos, sendo que “Doomsday” teve honras de passar no Headbanger’s Ball da MTV 2.

No final do mesmo ano, anunciaram que voltariam ao estúdio no início do ano seguinte para gravar o novo álbum que se chamaria “Death Rituals”. Este trabalho iria elevar a fasquia mais uma vez embora por esta altura, o estatuto da banda já fosse praticamente intocável. Contudo continuaria a haver uma horda de críticos que continuaria insatisfeita, o quer que a banda fizesse.

Também seria em 2008 que Barnes anunciaria que iria sair dos Torture Killer. Este seria o período mais longo sem haver qualquer lançamento por parte da banda, o que também coincidiu com a integração do baterista Greg Gall num novo projecto chamado Exitsect, onde se juntam membros de bandas como Obituary, Denial Fiend, Gorgoroth, Slap Of Reality e Assück. O próximo lançamento seria mais um álbum de covers, “Graveyard Classics 3”

Desta vez o foco volta a estar mais disperso depois de terem feito versões de um álbum inteiro de AC/DC e regressam ao formato inicial, beneficiando o heavy metal tradicional mas ainda focando thrash (Slayer e Metallica), hard rock (Van Halen) e até punk (Ramones). Contudo este álbum ficaria marcado por ser o último com Greg Gall e Terry Butler, membros originais dos Six Feet Under, além do álbum ao vivo “Wake the Night! Live in Germany”.

E por esta altura começa uma estranha dança de cadeiras nos membros da banda de Barnes. Começou com o anúncio da dupla Rob Arnold e Matt Devries que saíam dos Chimaira para se dedicarem aos Six Feet Under, mas pouco tempo depois Devries sai para se juntar aos Fear Factory, entrando para o seu lugar o baixista Jeff Hughell.

No dia em que “Undead” é lançado, foi anunciado que Rob Arnold seria substituído por Ola England enquanto Rob iria manter-se apenas como parceiro de composição para os futuros álbuns da banda. “Undead” é considerado por Barnes como um rejuvenescimento da banda e esse sentimento é partilhado por críticos um pouco por toda a parte.

Menos de um ano depois, “Unborn” é lançado e é o primeiro que conta com o talento de Ola Englund nas guitarras e Jeff Hughell no baixo. Um disco irmão de “Undead”, este disco consegue ainda resultados superiores, com um dos trabalhos mais sólidos de toda a sua carreira. Infelizmente esta formação não iria perdurar, já que Ola Englund e o baterista Kevin Talley anunciariam no ano seguinte a saída da banda. Apenas Marco Pitruzzella, baterista, foi anunciado como substituto.

Quando parecia que as coisas estavam a acalmar na formação dos Six Feet Under, eis que  Chris Barnes faz uma limpeza de balneário e conta, de forma surpreendente com Brandon Ellis, Phil e Josh Hall, nas gravações, sendo que Phil foi um dos principais compositores. Ao vivo a banda teria toda um alinhamento diferente, onde ainda podia contar com Steve Swanson. O álbum que resultou desta formação foi “Crypt Of The Devil”.

Apesar do cepticismo que todas estas movimentações pudessem provocar, o resultado foi bem positivo com mais um álbum fortíssimo. Seria de pensar que em equipa ou fórmula vencedora não se mexe, certo? Mais ou menos. mas antes ainda houve tempo para uma quarta parte do “Graveyard Classics”, dividindo a escolha de covers em duas bandas. De um lado Iron Maiden e de outro Judas Priest. Barnes garantiu que seria o último álbum do género.

2016 viu mais mudanças na formação com Steve Swanson a cortar a ligação definitivamente com Six Feet Under. Para o seu lugar foi chamado Ray Suhy que já esteve bastante presente na vida da banda nos últimos trabalhos de originais mas o mesmo acabaria por não ficar muito tempo. Em 2017 sai “Torment” e os Six Feet Under, em estúdio limitam-se a Barnes, Hughell (encarregado de baixo, guitarras e composição) e Pitruzzella (na bateria). Esta mudança sente-se no resultado final que acaba por distanciar a banda da sequência de excelentes trabalhos, ainda que seja um trabalho sólido de death metal.

“Unburied” foi o passo seguinte mesmo que não seja propriamente um álbum de originais. Funciona mais como uma compilação de faixas que não foram lançadas na altura do “Undead e do “Unborn” e que são apetecíveis para qualquer fã de death metal.

Definitivamente este é uma banda com um catálogo enorme e que garantirá de certeza um dos espectáculos mais memoráveis do Vagos Metal Fest.

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