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Uma Tarde com Wardruna

A World Of Metal esteve presente na apresentação na apresentação à imprensa do próximo álbum de originais de Wardruna, no passado dia 10 de Dezembro. “Kvitravn” é o título do novo trabalho e o primeiro após finalizada a trilogia dedicada às runas, cujo último capítulo remonta a 2016, com “Runaljod – Ragnarok”. Jornalistas de todo o mundo compareceram perante Einar Selvik, eterno mastermind deste projecto que tem conseguido conquistar cada vez mais fãs nos últimos anos. A apresentação deu-se da melhor forma, com Selvik a tocar o tema “Munin”, um tema que se inspira nos corvos de Odin (Hugin e Munin que representam pensamento e memória, respectivamente), ou pelo menos, num deles, como o título indica. Apesar do ambiente de estúdio e de ser quase à capella, sem dúvida um momento arrepiante e mágico. As circunstâncias são pouco comuns e até estranhas para o músico, tocar para os “sem rosto”, como colocou – um fruto destes tempos que vivemos.

Selvik explicou sobre o título “Kvitravn”, que significa “o corvo branco”. Apesar dessa ser uma designação que o músico usou durante muito tempo, este não é um trabalho centrado nele e sim na fonte de inspiração usada por ele. No poder profético e simbólico que os corvos têm e na forma como representam mudança, sendo até um símbolo de esperança. Esta inspiração para o álbum surgiu do vazio que houve após finalizada a trilogia das ruínas, um misto de alívio e depressão. Esta nova direcção não é assim tão nova já que as temáticas são mais ou menos as mesmas, no entanto este é um trabalho que lida mais com o lado humano, sendo mais pessoal e mais fácil com que se identifique com ele.

Obviamente que a ligação à natureza e aos ambientes que o rodeiam é também uma enorme inspiração para o músico, já que ele cria a maior parte da sua música quando anda a passear e depois tenta concretizá-la em estúdio – um processo que descreve como caçar pelas canções, mergulhar na escuridão e voltar com uma ideia, com uma melodia – onde também a ausência da natureza também inspira esse mesmo processo de composição. Um processo que é longo e exige paciência, já que é, por norma, a canção que o leva ao sítio que pretende ir, ao seu estado final e não o contrário. O facto de não saber ler ou escrever música em pauta e de se apoiar nos seus sentidos para escrever ajuda também a este modus operandi.

Acerca do processo de composição, o mesmo foi terminado antes da pandemia mas Selvik vê este evento como também uma resposta por parte da natureza, uma contra reacção à forma extrema como temos agido contra ela. A pandemia também confirmou as necessidades de nos vermos como uma parte integral da natureza, algo que terá mudado a perspectiva de muitos, ainda que temporariamente. Ainda sobre a produção do álbum, Einar Selvik pôde contar com Lindy-Fay Hella na voz, como tem sido hábito quase desde sempre e Eilif Gundersen nos instrumentos de sopro. Realçou o facto de poder contar com um pequeno coro de cantores tradicionais noruegueses que mantém viva uma forma característica de cantar ao longo de gerações e Selvik acredita ser extremamente importante dar a voz a esta tradição. Este seu lado de educador e arqueólogo musical está omnipreente em todo o seu trabalho embora Selvik não queira assumir o papel de pregrador. No entanto, na sua perspectiva, as raízes tanto musicais como todas as outras tradições não são importantes apenas por serem tradições. É importante reconhecer e pegar naquilo que ainda tem relevância nos dias de hoje, naquilo que faz sentido preservar.

Para “Kvitravn” foram usados novos instrumentos apesar de serem da mesma família daqueles que já foram usados anteriormente. Novas variações onde Selvik destacou a lira kravik (que se pode ver nas imagens que fazem parte deste artigo, a harpa sot entre muitos outros instrumentos, referindo que também faz parte do trabalho de composição explorar a voz de cada instrumento de forma a materializar as próprias ideias.

Antes de passar à parte de perguntas e respostas do evento, Selvik ainda tocou mais um tema da novidade “Kvitravn”, uma canção que retrata as Nornes, aquelas que têm a função de escrever o destino de todos, as tecedoras de destino. O tema que pudemos ouvir, segundo o seu autor, foi apresentado de uma forma sucinta – consta que é um épico com aproximadamente dez minutos – mas contem todos os elementos que fazem com que este seja um dos mais entusiasmantes projectos de world music/folk da actualidade. A nossa curiosidade para o mesmo ficou ainda mais desperta, sentimento que esperamos ter transportado para todos voz.

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