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WOM Reviews – Rise To The Sky / Dark Buddha Rising / Witchrider / Soul Dissolution / My Dying Bride / Hidden In Eternity / Bloodsoaked Necrovoid / Until The Sky Dies

WOM Reviews – Rise To The Sky / Dark Buddha Rising / Witchrider / Soul Dissolution / My Dying Bride / Hidden In Eternity / Bloodsoaked Necrovoid / Until The Sky Dies

Rise To The Sky – “Death Will Not Keep Us Apart”

2020 – GS Productions

No caso de dúvida, é assim que o doom metal deve soar. Claro que há muitas ideias e esta até nem é a forma tradicional mas foi com este tipo de doom metal que eu aprendi a gostar em meados da década de noventa. Pesado mas também e emocional. E se for como aquele que os Rise To The Sky apresentam, bem atmosférico. Poderei ser tendencioso por tocar no botão da nostalgia mas tenho que ser sincero e dizer que apesar de tocar nesses botões, este é um trabalho que soa, a cada audição, como se fosse a primeira vez. É a conjugação perfeita que o género poderá atingir.

9.5/10
Fernando Ferreira

Dark Buddha Rising – “Mathreyata”

2020 – Svart Records

Uma das grandes entidades de doom psicadélico e esotérico (não sei se é algo que lhes faz sentido mas a mim faz todo o sentido cada vez que os ouço e este álbum não é excepção) está de volta com o seu quarto álbum. A banda finlandesa é especialista em enterrar-nos em montanhas de som. Toneladas de som que parece equivaler a monhtanhas de terra. Mas não é só esse peso, é todo o ambiente em que o fazem, um ambiente ritualista que parece que nos envolve e agarra contra a nossa vontade – uma luta que dura pouco tempo já que somos seduzidos, tal como se é seduzido para o abismo para a escuridão. Uma atracção que perdura para além dos quarenta e três minutos e quarenta e quatro segundos que dura o álbum.

9/10
Fernando Ferreira

Witchrider – “Electrical Storm”

2020 – Fuzzorama Records

Ouvir o som dos Witchrider é como se estivessemos perante a ideia (abstracta) dos Queens Of The Stone Age no início da carreira, isto é, quando era apenas a banda de Josh Homme, o gajo daquela banda desconhecida, dos Kyuss. Isto é a aplicação prática dessa ideia teórica, ao que soaria. Claro que soa bastante diferente daquilo que foram ou são (e arrisco a dizer serão) os Queens Of The Stone Age. Mas é essa mistura entre o alternativo, o stoner e um sentido melódico que faz com que faça esta analogia. “Electrical Storm” é um daqueles álbuns que aquilo que ouves é apenas a ponta do iceberg, há muito mais por trás. Sem dúvida um álbum e banda que vos irá surpreender, garantidamente.

8.5/10
Fernando Ferreira

Soul Dissolution – “Winter Contemplations”

2020 – Viridian Flame Records

Tudo faz sentido neste EP. A desolução bela da capa, o título, o ambiente que ambos mostram são o reflexo para a música que que mistura o doom melódico com o black metal atmosférico e ligeiramente depressivo (vá, melancólico). São dois temas apenas, num total de quase vinte e cinco minutos mas a beleza e impacto que têm é ainda mais profundo que a simplicidade da capa. Sei que este tipo de coisas não é para todos e nem é para ouvir todos os dias, mas a cada vez que se ouve, é impossível ficar indiferente!

9/10
Fernando Ferreira

My Dying Bride – “Macabre Cabaret”

2020 – Nuclear Blast

Ainda estamos a absorver “The Ghost Of Orion” e os My Dying Bride lançam este EP de três temas – quatro se optarem pela versão em vinil, com o tema “Orchestral Shores (Buiksloterkerk Cathedral Mix)”. O épico tema-título é aquele que se destaca por nos levar numa viagem ao lado negro, com a melancolia a ser muito bem explorada, quase de uma forma progressiva, isto sem esquecer o peso – esta produção eleva mesmo a qualidade da música a um nível completamente novo. Depois “A Secret Kiss” que depende muito dos riffs de guitarra e das vocalizações quase fantasmagóricas de Aaron Stainthorpe. Acaba com a “A Purse Of Gold And Stars”, um tema apoiado sobretudo na voz de Aaron a declamar e nos teclados dramáticos, um belo tema. Claro que  é um lançamento imperdível para os fãs mas que os que não tenham a banda no coração, não seja por aqui que vão também cair de amores. Algo que deverão fazer, claro.

8/10
Fernando Ferreira

Hidden In Eternity – “À Tout Jamais”

2019 – Edição de Autor

O segundo álbum dos franceses Hidden In Eternity mostra uma banda consideravelmente diferente desde a estreia. Também não é para admirar, afinal estamos perante um período de quase quinze anos entre os dois trabalhos. A abordagem mais cuidada e mais melódica deu a algo mais negro e mais sinistro. Mais pesado e sobretudo mais death metal do que black – apesar da aura negra continuar a estar presente. Para quem gosta do doom melódico poderá ser visto como um retrocesso. É sempre discutível mas a verdade é que não há perda de qualidade apesar desta reorientação estilística. O foco principal é o doom, continuamos a ter melancolia, ainda que mais opressiva e continuamos a ter um álbum forte. Os fãs de death/doom metal não se vão queixar.

8/10 
Fernando Ferreira

Bloodsoaked Necrovoid – “Expelled into the Unknown Depths of the Unfathomable“

2020 – Iron Bonehead Productions

Este é o caminho para perdição. Mas é um caminho sinuoso, muito sinuoso, que não permite que se ande em grandes correrias, apesar de termos aqui algumas explosões de raiva que fazem aumentar o ritmo que na sua maioria é lento e triturante. Não é um caminho fácil de suportar. Da Costa Rica chega-nos esta estreia dos Bloodsoaked Necrovoid, uma estreia que nos parece não ser deste tempo. Parece que nos chega dos finalmentes da década de oitenta, onde começavam a surgir os primeiros sinais do death/doom. A produção também ajuda a fazer essa identificação, já que tem um travo bem nostálgico, algo que poderá jogar contra em termos de eficácia – estes quarenta minutos são do mais unidimensional que há – mas que por outro lado vai de encontro ao âmago daquilo que os fãs procuram. Quem diria que o iriam encontrar na Costa Rica?

7.5/10
Fernando Ferreira

Until The Sky Dies – “Forgotten Pact”

2020 – Art Of Propaganda Records

Não conheçia esta banda, algo que é sempre bom na minha perspectiva. Não tão bom quando logo imediatamente encontro várias barreiras para uma apreciação positiva. A produção é o maior mas a questão da produção é sempre relativa, já que uma produção mais humilde consegue ter por vezes um valor acrescentado. Não, aqui o problema são mesmo as composições que nunca chegam a conseguir deslumbrar. A simplicidade da produção encaixa-se na simplicidade da composição e o resultado é aborrecido. A descrição que nos é dada é de post doom avant death metal, que junto com a do Metal Archives, dá-nos avant-garde doom/death metal. Algures entre isto está a realidade, mas avant-garde? Não vejo como. De todo. Demasiado simples para ser avant-qualquer coisa. Segundo álbum que não faz querer ouvir o primeiro, infelizmente.

4/10
Fernando Ferreira

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