WOM Entrevista – Apotheus

Para quem não os conhecia, “The Far Star”, o segundo álbum dos Apotheus é uma bomba que vai deixar qualquer um que goste da explosiva mistura de death metal melódico e rock/metal progressivo um fã. No entanto, sem qualquer tipo de lugares comuns. Escusado dizer que foi logo amor à primeira audição – e não é por acaso que é um dos nossos álbuns do mês – e como já é costume, quando o impacto é grande, temos que ter uma conversa. E assim foi. – por Fernando Ferreira / Foto por João Fitas

Olá pessoal e bem vindos ao nosso World Of Metal! Fantástico estar a falar com vocês, principalmente após o vosso excelente álbum, “The Far Star”. E há muitas questões que me surgem logo, quase que se atropelam. Se calhar começo pelo início. Este álbum surge seis anos após a estreia, que é um trabalho bem cru. Expliquem-nos um pouco as razões por este intervalo grande de tempo.

Obrigado desde já pela oportunidade. Nestes seis anos que separam os álbuns aconteceu muita coisa. Parte do tempo foi gasto em imprevistos, o que chegou a ser desmoralizador. Outra grande parte desse tempo foi gasto em concertos pelo país fora divulgando o “When Hope and Despair Collide”, incluindo uma pequena tour por Espanha. Outra grande fatia desse tempo foi necessária para a criação do “The Far Star”.

Quando é que começaram a trabalhar no “The Far Star”?

Desde há três anos para cá começou a nossa verdadeira jornada em direção ao “The Far Star”. Foi um processo bastante intenso e com várias fases. Mas para dar uma ideia geral, o processo incluiu um retiro para composição, pré-produções, gravação, negociações com editoras, criação do artwork, videoclips, etc.

Também tiveram mudanças de formação. Até que ponto elas tiveram influência naquilo que podemos ouvir?

Os membros que iniciaram a composição do “The Far Star” foram os mesmos que a acabaram. Por isso, será impossível notar-se alguma influência. O Luís entrou mais recentemente, depois do álbum estar produzido. Para ser mais preciso, o Luís reentrou na banda, uma vez que já tinha sido membro no passado.

Como foi o processo de chegarem à Black Lion Records? O contrato é para quantos trabalhos?

O contrato é apenas para o “The Far Star”. A certa altura decidimos procurar uma editora para nos ajudar na produção e promoção do disco. Contactamos várias editoras e surgiram algumas interessadas, entre elas a Black Lion Records. Reagiu de forma bastante positiva ao nosso álbum e a todo o conceito que o rodeia. A editora é sueca e revemo-nos na música mais alternativa que por lá se faz. Vimos que com eles teríamos a equipa necessária para arrancar esta viagem.

O som deste álbum está simplesmente fantástico e um distância enorme do primeiro em termos de qualidade. Como foi o processo? Tinham uma ideia bastante definida daquilo que queriam?

Foi um processo bastante faseado, como disse. Quase como que numa escultura em que gradualmente, camada a camada, ficamos cada vez mais próximos do resultado final. Tudo começou num retiro que decidimos fazer dedicado exclusivamente à composição. Foi um período em que a criatividade reinou. Tivemos tempo para conversar muito sobre o rumo que queríamos dar ao álbum. Foi numa destas sessões que, muito devido ao meu fascínio por Asimov, esboçamos a generalidade do conceito do “The Far Star”. Foi aqui que surgiu a história e os seus eventos mais importantes. Voltamos do retiro já com músicas compostas e com um conceito. Começamos a ligar ambos, a “esculpir” tanto o conceito como as músicas, trabalhar as letras e o instrumental. Daí surgiu uma pré-produção para “pôr os pontos nos is” no que toca à execução e daí arrancamos para a gravação. A partir daí viramo-nos para a outra parte do “The Far Star”, a história. Achamos que tínhamos algo especial. A verdade é que tudo surgiu desta história e não víamos o “The Far Star” sem ela. Todo o processo, desde o início, ocorreu com a história em mente. Decidimos então escrever uma “short story” em que detalhamos todos os acontecimentos. Criamos este “pequeno” universo para nós. O “The Far Star” significa as músicas e a história. Separar as duas coisas é um erro.

Planos para a promoção do álbum em cima dos palcos… vão ter uma série de concertos com os Moonshade, que além do concerto de apresentação do álbum também se estende a uma mini-digressão para além das fronteiras. Qual a expectativa para ests concertos? Têm algo mais planeado para depois?

Estamos ainda a receber os primeiros feedbacks do álbum e têm sido muito positivos. Esperamos que essa tendência continue nos concertos. Os Moonshade dispensam apresentações. São fantásticos e penso que ambas as bandas funcionarão muito bem nesta tour. Temos muitos planos, mas posso desde já adiantar que existirá uma tour Europeia no início de 2020.

Este álbum, como já disse, é uma evolução fantástica em relação à estreia, não só em termos de som como também a nível de composição. Quase que nos deixa intrigados como será o próximo passo. É definitivamente muito cedo para falar sobre isso mas têm essa noção, de imprevisibilidade daquilo que poderão fazer de seguida?

É uma pergunta interessante. Falamos muitas vezes de como será o sucessor do “The Far Star”. As opiniões são unânimes. Criamos este conceito, esta missão e este universo. É neste universo que queremos continuar por muito tempo. As possibilidades de sequelas são imensas. No que toca à execução e composição, faz parte de nós fazer cada vez mais e melhor. Muito naturalmente lutaremos para haverem melhorias nestas áreas.

Como curiosidade, e para terminar, o termo prog metal surge muitas vezes associado ao vosso som, quase ocultando a costela de death metal mais melódico que ainda faz parte do que são actualmente. A minha questão é, sendo que as questões de rótulos e afins é algo que até parte mais por parte das editoras e imprensa (mea culpa), qual o rótulo que acham que vos é mais justo?

Este tema sempre foi polémico para nós especificamente. Compreendo perfeitamente a necessidade de rótulos. Temos que conseguir conversar sobre música de uma forma prática. No entanto no nosso caso sempre tivemos muita dificuldade em encontrar esse rótulo. No final de contas, death metal melódico pareceu-nos ser um género generoso o suficiente para conter as nossas melodias e agressividade. No entanto já recebemos críticas que insinuaram o contrário. O progressivo é um género que muitas vezes engloba muita coisa diferente. Temos uma costela progressiva, mas como dizes as nossas raízes no death melódico são talvez demasiado óbvias. Estamos basicamente à espera de alguma casa caridosa o suficiente para nos acolher. Quando nos dão a amável oportunidade de nos explicarmos como nesta entrevista, fazemo-lo de bom grado. Em todas as outras ocasiões, rotulamo-nos como apenas “metal” e esperamos que o próprio ouvinte decida em que casa nos quer colocar. Este álbum, tendo sido criado à volta de um conceito, forçou-nos a explorar áreas desconhecidas até então. Cada evento da história necessitou de uma sensibilidade diferente e, quem sabe, de um estilo diferente. Penso que este facto dificultou este processo de “rotulagem”.

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