WOM Entrevista – Blame Zeus

Não podíamos terminar o ano sem falar com os Blame Zeus, responsáveis por lançarem um dos grandes álbuns de 2019 que agora está a terminar – “Seethe”. Fruto de perseverança e paixão pela música e por um sonho que é mais real que nunca com o álbum mais forte da sua carreira e que os mostra como uma banda de relevo, algo reconhecido até lá fora, como comprova o contrato com a Rockshots Records. Poderíamos estar aqui a enumerar mais uma dúzia de razões fortes para justificar a entrevista mas a verdade é que aquilo que é conquistado por mérito, não precisa de justificação. Conversamos com Sandra Oliveira, a voz e rosto dos Blame Zeus e falamos do passado, presente e futuro e até temos uma novidade em primeira mão. – por Fernando Ferreira / Fotos por Sónia Ferreira

Olá Sandra e bem vinda ao nosso World Of Metal. Tenho que começar por dar os parabéns pelo enorme álbum que é “Seethe”, que está verdadeiramente fantástico. Qual é o sentimento entre a banda em relação a este álbum?

Olá Fernando, obrigada! Este álbum, para nós, tem sido uma prova de fogo. Achamos que evoluímos bastante em relação aos álbuns anteriores, não só enquanto músicos, mas também na qualidade de som, na produção, na própria maturidade da construção das músicas. Acreditamos que tem potencial para nos levar a outros patamares, e definivamente traduz aquilo que para nós é Blame Zeus.

Costuma-se dizer que o terceiro álbum é aquele do “ou-vai-ou-racha”, aquele que define a carreira de uma banda. E tem-se aqui esta sensação, sente-se que este é um álbum especial. Era algo que vocês sentiam entre vós quando o estavam a compôr?

Sim, desde o início da composição das novas músicas que sentimos que estas iam estar num plano diferente das dos álbuns anteriores. Para além disso, tentámos que tudo relacionado com o álbum, desde a composição, produção, artwork, etc., estivesse num nível profissional.

Vamos por partes agora, antes de ir para a música propriamente dita. Primeiro, a capa. Mais um trabalho fantástico de Gustavo Sazes. Tinham uma ideia concreta do que queriam como capa? Como funcionou o processo entre a banda e o Gustavo?

O Gustavo foi, desde o primeiro momento, uma pessoa muito acessível. Como procurámos excelência em todas as dimensões do álbum, claro que pensámos logo nele para autor da capa, embora um pouco cépticos na altura, pois pensámos que ele estaria muito ocupado ou fora do nosso orçamento. Mas não, ele foi impecável, muito profissional a todos os momentos. Abordei-o sem  ideias muito concretas, apenas o conceito geral do que falam as músicas e que queríamos algo moderno, poderoso e com classe. Também acho interessante dar liberdade ao designer, ter uma visão externa daquilo que fizemos musicalmente. Enviei-lhe as músicas e as letras, e a primeira capa que nos apresentou foi directa ao assunto, foi a que foi escolhida, sofrendo apenas uma pequena alteração de cor.

O que representa “Seethe” como título neste conjunto de temas? Há um conceito subjacente que liga o título e às músicas em si?

Sim, “Seethe” significa, de uma forma geral, emoções fortes – raiva, dor… – que não é exprimida, então fica a ferver lá dentro até que se revela. A maior parte das músicas apresenta-nos diferentes situações em que isso acontece ou pode acontecer e, acima de tudo, fala da possibilidade de transformar essa raiva em algo que nos faz andar para a frente, proporciona mudanças dolorosas mas positivas e se torna combustível para perseguirmos os nossos sonhos.

Em termos de som, “Seethe” encontra-vos mais poderosos que nunca. Como foram as gravações nos Dynamix com o Ricardo Fernandes?

Correu tudo bastante bem. Da nossa parte, íamos bastante preparados e bem ensaiados, com as partes praticamente todas compostas e as músicas terminadas. Da parte dele, ele é bastante profissional e organizado, e também já teria uma idéia de como nós devíamos soar. Depois a interacção entre as duas partes foi bastante fácil e fluida: ele fez um horário detalhado do plano de gravação e nós fomos à vez para lisboa para gravar. Acabámos todos por demorar menos tempo do que ele tinha destinado, o que já mostra como íamos preparados e como o processo foi fluído.

Este é um álbum que vos apresenta como mais adultos, mais maduros – não que tenham soado propriamente imaturos anteriormente mas é definitivamente um passo em frente. É também mais pesado e arrisco a dizer, mais metal. Houve uma consciente tomada de direcção nesse sentido?

De certa forma sim: nós fizemos bastantes concertos com o álbum anterior e, ao longo desses concertos, fomos reparando que precisávamos de mais músicas pesadas. Por outro lado, quando estávamos a compôr, as músicas foram, naturalmente, encaminhando-se nessa direcção, pelo que fomos apenas prosseguindo e deixando as coisas acontecerem.

Sei que é difícil mas se tivesses que escolher uma música, aquela que mais te fala ao coração, qual seria?

A que eu mais sinto talvez seja a “The Crown and the Gun”, não te sei explicar porquê. Foi a última a ser composta e para mim foi aquela que mais liberdade me deu em estúdio para harmonizações. Acho que é uma música completa, poderosa e ao mesmo tempo frágil, com riffs orelhudos mas ao mesmo tempo ritmos complexos, e a que traduz mais exactamente o que quero fazer no futuro em Blame Zeus.

Este álbum é lançado pela Rockshots Records, como é que chegaram até eles? Foi um processo muito longo o da procura de editora?

No final de 2018 gravamos uma demo caseira de 5 temas, que estão no disco. Entretanto pesquisei editoras que nos apelassem e que estivessem a apostar em bandas dentro do nosso género. Enviei a demo para algumas, 2 das quais portuguesas, obtive algumas respostas com interesse, e optámos pela Rockshots porque apresentava a melhor proposta. Foi relativamente rápido e simples mas, apesar disso, não poderíamos estar mais satisfeitos. Foram acompanhando de perto todo o processo de gravação, videos, e trabalharam incansavelmente na promoção do álbum.

Estando ligados a uma editora estrangeira, há uma possibilidade clara de exportação e de chegar a outros mercados para além do nosso. Expectativas e ambições de conseguirem fazer alguma digressão fora do nosso país?

Todos sentimos que é esse o próximo passo que esta banda tem que dar, daí também termos escolhido e procurado uma editora estrangeira. Achamos essencial expandir além fronteiras para a banda crescer, portanto isso é uma prioridade para os próximos anos. Da mesma forma que aqui fomos construindo a nossa rede de contactos e tocando o mais possível, estamos também agora a começar a fazê-los lá fora.

Como é que correram os três concertos de apresentaram que fizeram, no Porto, em Lisboa e em Faro?

Os concertos correram muito bem. Senti que o público vinha com expectativas altas e que, na maior parte, foram correspondidas. Foi muito bom finalmente voltar aos palcos e finalmente poder soltar estes novos temas, que estávamos ansiosos para vos mostrar e tocar ao vivo.

Mas não vão ficar por aqui certo? Que mais têm planeado para 2020?

Para já temos alguns festivais portugueses confirmados, e estamos a trabalhar para uma tour no estrangeiro. Também devemos marcar mais algumas datas cá. Uma coisa que queremos fazer em 2020, e fica aqui em primeira mão, é marcar um concerto muito especial, em honra do nosso 10º aniversário.

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