WOM Entrevista – Grumpynators

Ouvir os primeiros acordes de “Still Alive”, do mais recente trabalho com o mesmo nome, despertou em mim a vontade de entrevistar a banda dinamarquesa Grumpynators. Agradeço em meu nome e da World Of Metal, ao Fernando Reis, à Mighty Music e claro aos simpáticos e afáveis Emil Øelund, guitarrista e vocalista e Christian Nørgaard, guitarrista dos Grumpynators, pela disponibilidade e acreditem que foi um momento de muito boa disposição! – Por Miguel Correia

 

Olá como estão? Bem-vindos à World Of Metal, começo por agradecer a vossa disponibilidade e acreditem que o meu interesse na banda despertou logo aos primeiros acordesdo tema de abertura”Still Alive”…mais ainda quando percebi que a vocês são quatro elementos com diferentes orientações musicais. Como é que tudo aconteceu?

Christian –  Miguel, muito obrigado por esta oportunidade, é sempre muito bom receber interesse em nós, é muito positivo e agradecemos-te imenso e à World Of Metal pela oportunidade. Respondendo à tua pergunta, bem formar os Grumpynators foi uma ideia minha e do Emil. Ele e o Jakob estavam numa outra banda e por entre alguns acontecimentos, aconteceu conversarmos, trocar algumas ideias e perceber o que era possível fazer. Como o Emil toca guitarra e canta melhor do que eu e eu toco guitarra melhor do que ele (risos), estava encontrado um ponto de união para aquilo que viriam a ser os Grumpynators…

EmilSim, foi por aí! Eu lembro-me de trocar correspondência com o Christian em 2010 e houve um dia em que ele me ligou e conversamos sobre as nossas ideias, as nossas motivações. Eu estava numa banda de sonoridade rockabilly o Christian andava em tour com os Volbeat como técnico de guitarra e fazia suporte em partes acústicas deles e eu e a minha banda na altura eramos suporte dos Volbeat…foi fácil conversar com ele e perceber por onde poderíamos ir num projeto nosso, apesar de termos backgrounds musicais diferentes. Mas, o mais engraçado é que eu lhe sugerir fazermos uma banda de death metal (risos) e olha no que deu…acima de tudo nem sabíamos como seguir esse caminho, essa opção musical…(risos), nem sabia como tocar death metal, só tinha muita vontade de fazer algo diferente do que estava a tocar até aquele momento.

Christian –  Eu até tinha umas ideias sobre como tocar death metal, mas isso exige conhecimentos técnicos que eu ainda não tinha, então o que disse ao Emil foi isto, se não queremos pessoas a ver os nossos concertos, vamos tocar death metal (risos). Estava fácil de perceber que esse não seria o caminho a seguir. O mais sensato seria unir os nossos conhecimentos daquilo que fazíamos e construir algo diferente, com o nosso cunho. Claro que quando o Jakob chegou à banda a coisa definiu-se ainda mais, uma vez que ele respira a sonoridade rockabilly, o punk e é um mestre a tocar naquele baixo de forma única.

Sem dúvida que isso foi conseguido, porque ao ouvir este vosso novo trabalho, sente-se essa fusão e a forma brilhante como ela resulta. Outra curiosidade e nome Grumpynators?

EmilTínhamos uma lista enorme de nomes ou possíveis nomes…aquilo era uma loucura, para aí uns 100! Quando chegamos ao nome 99 da lista, finalmente encontramos o nome certo para nós (risos), Grumpynators!

ChristianÉ verdade, andamos a tocar uns bons meses sem nome até que impusemos um death line para a escolha…não podíamos continuar a tocar sem um nome, certo? Era tudo muito louco (risos).

Sentiram ou sentem algum peso de estar num país com fortes tradições na cena rock mundial?

ChristianNão, não, nada disso, até porque o nosso som não tem muito da sonoridade que se faz por aqui, bem pelo contrário. Sentimos que somos mais uma banda, cheia de ambição e que queremos fazer algo que gostamos e nos identificamos, só isso!

Emil –  Sim, o que o Christian diz é o nosso sentimento até porque nós temos mais influência de bandas de outros pontos do globo do que dinamarquesas. Claro que há grandes nomes aqui e que são quem pode abrir portas para outras que estão a surgir, falo dos DAD, do Mike Tramp que até é nosso companheiro de editora…

Falando de “Still Alive”, vejo na vossa press relase que o objetivo é conquistar o mundo. Bem, temos de admitir que têm uma tarefa difícil pela frente, mas quais são os planos para isso ou é segredo? talvez seja melhor que ninguém conheça a estratégia…mas se quiserem partilhar…

Christian(risos) Bem, isso aconteceu sair assim…nem sei por onde ir, claro que é num sentido muito figurado da coisa (risos), mas, olha o nosso objetivo é crescer, tocar em muitos sítios, estar ao lado de grandes nomes da cena, sermos conhecidos, sabes Miguel é algo de auto motivação, sentir que fizemos o melhor disco, sermos requisitados para tocar em vários países até gostávamos de ir a Portugal, mas agora está tudo parado e lá se vai a conquista (risos), mas não baixamos os braços e não e continuamos cheios de ambição!

Já que falam em sentir que fizeram o vosso melhor disco, quais são as principais diferenças entre este e os seus antecessores?

EmilBem, nós somos os mesmos músicos, logo não é por aí (risos), mas acima de tudo crescemos, ganhamos maturidade profissional e isso traz para o nosso trabalho outra, digamos, consistência. Nas composições, na forma como lidamos com todo o processo, perceber que ganhamos muito em trabalhar num determinado processo. Para este disco trabalhamos em 20 temas e metade ficaram de fora, dá quase para outro álbum, mas isso também é revelador do que podemos fazer em termos de qualidade. Com tudo o que aprendemos, focamo-nos nas nossas qualidades e as coisas saíram melhor, houve um melhor proveito do trabalho de todos.

Foi um passo em frente para banda?

ChristianSim, foi sem dúvida. O Emil descreveu bem o que sentimos ao trabalhar neste disco. Toda esta ideia de misturar sonoridades não é fácil, por vezes é arriscada e sinto que nós estamos cada vez mais no caminho certo. Temos de perceber o que funciona ou não e por vezes só consegues sentir isso quando atinges uma determinada maturidade musical. Aprendemos muito em como tirar partido das nossas qualidades.

E como trabalham então nas composições? É um processo coletivo?

ChristianNão há um padrão, as coisas são diferentes de música para música. Às vezes eu trago umas ideias e trabalhamos nelas ou o Emil faz o mesmo, mas o que acontece é que neste momento todas as ideias são trabalhadas, todos contribuem. Ao longo destes anos a evolução do nosso som deve-se ao contributo dos 4 elementos da banda.

A faixa “Sitll Alive” que dá também o nome do álbum, é um algo de uma energia única, mas é algo que nos transmite uma mensagem muito positiva.

EmilA inspiração para esta faixa vem de um momento pessoal que vivi. Não vem de uma grande história, simplesmente relata um momento que atravessei menos bom em termos de saúde… Todos temos altos e baixos na vida e por vezes temos de acordar para ela e sentir que estamos vivos em todos os momentos e aproveitá-los de forma única, com alegria. Podes facilmente agarrar nesta música e encaixar momentos por ti vividos…“Still Alive” é uma mensagem forte de esperança, de luta, de acreditar e viver e foi também a escolha para o nome do disco até porque nesse ponto o disco é muito dinâmico.

Li também um comentário algures de Michael Poulsen (dos Volbeat): “Já ouvi o álbum algumas vezes e penso que” Still Alive ” é o álbum mais forte dos Grumpynator até agora. Uma produção muito boa. A minha música favorita entre as 10 faixas do álbum é “Dream Girl”. Devo confessar que, se tivesse de escolher uma faixa, teria muitas dificuldades, gosto de todas… mas aqui estou com um desafio. Qual seria a vossa escolha para a melhor música?

ChristianIsso é muita pressão Miguel, (risos). Vamos lá há regras para a escolha?

Não, nada disso, pensar e dizer…

EmilPosso dizer já…”Still Alive”! Pelos motivos que já disse anteriormente (risos), até porque “Still Alive” é muito da filosofia da banda, aquilo que nos descreve.

ChristianHuuummm eu não sei, tenho muita dificuldade em escolher uma música neste disco, porque me identifico com todas elas, mas talvez escolha, ok vou para “Sweet Psycho Sister”, porque acredito eu será uma musica que possa vir a ser algo injustiçada, mas é uma musica muito especial, ideia base do nosso baterista o Per e aquela parte do refrão torna forte. Sim, é isso!

Bem, para finalizar esta nossa conversa que já vai longa. Não posso fugir a esta questão em grande parte das entrevistas que faço e nesta muito menos, tratasse de um álbum novo de uma banda que necessita de promoção, com tudo o que vivemos como pensam fazer isso?

Christian – Olha tínhamos planos, claro que sim e nesta fase estamos a tentar perceber o que podemos fazer. Temos propostas para tocar nos próximos tempos, mas naturalmente toda a industria está dependente de orientações que tardam em chegar, mas temos a esperança de poder seguir os nossos planos iniciais que passam por tocar ao vivo, dar a conhecer a banda e o nosso som e acima de tudo “Still Alive” o nosso novo disco.

E para além de conquistar o mundo o que esperam deste vosso novo trabalho?

ChristianOh tirando isso, é que queríamos muito! (risos). Bem, a única coisa que queremos é este disco seja a chave para chegarmos a grandes palcos na Europa, tocar ao lado de grandes nomes. Já passamos por muitos países, é verdade, mas queremos mais, ambicionamos por mais o que é natural.

EmilTambém queremos ir à Coreia do Norte (risos) é um sonho! Agora a sério, o Christian transmitiu a nossa ambição, estar e chegar a mais palcos aos maiores festivais, mas lá está estamos todos condicionados a um conjunto de decisões que não passam por nós. Vivemos algo invisível, que não controlamos, mas acima de tudo estamos vivos!


 

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