WOM Interviews – Revenge Of The Fallen

Os Revenge Of The Fallen são o retrato perfeito de uma banda trabalhadora que é um exemplo de perseverança pela forma como se move neste nosso underground que nem sempre é favorável a quem ousa tocar originais. Depois de no ano passado terem lançado o EP de estreia “Pareidolia”, a banda lisboeta está agora de volta com “Unbroken”, um EP de alto nível (o qual já analisámos aqui) que é a desculpa perfeita para falarmos com eles. – Por Fernando Ferreira / Foto por Hugo Rebelo

Olá pessoal e bem vindos ao nosso World Of Metal. Pela primeira vez em entrevista embora já nos tenhamos “cruzado” muitas vezes em concertos. Podemos dizer que os Revenge Of The Fallen são uma banda recente, com grande actividade ao vivo. Antes de falarmos de “Unbroken” tinha curiosidade em saber como foram estes três anos desde que iniciaram a banda, quais os principais desafios que encontraram?

Viva! Obrigado pelo convite para a entrevista e por uma série de fotos muito boas com as quais já nos agraciaram em diversas ocasiões. Gostaríamos de arriscar e dizer que a maior dificuldade, em termos humanos, durantes estes 3 anos desde que o projecto foi fundado, terá sido encontrar os músicos certos para ajudarem ao crescimento da banda. Com o tempo descobrimos que um bom sentido de humor, um bom ambiente e vontade de fazermos algo maior que nós, tornou este processo muito mais fácil. Foram 3 anos de trabalho, conhecimento, experiências, mas acima de tudo, muita diversão. Se assim não fosse, nem valeria a pena. Seria apenas mais um mau projecto.

Lançaram o primeiro EP, “Pareidoila” o ano passado e agora “Unbroken”. Na nossa opinião tem aqui uma evolução considerável em todos os campos, surgindo mais sólidos e coesos. Na vossa opinião, fazendo uma auto-análise, o que é que consideram que é a grande diferença dos Revenge Of The Fallen dos Revenge Of The Fallen agora em relação ao ano passado?

Mais experiência. Definitivamente. Conhecemo-nos melhor e desenvolvemos as “social skills” adequadas para conseguirmos dentro do grupo gerirmos todos os aspectos das nossas vidas e usarmos a grande maioria deles para nosso próprio benefício, influenciando claramente a nossa musicalidade e mais essencialmente a componente lírica dos temas. Vamos descobrindo quem somos enquanto homens e enquanto banda e vamos sabemos para onde queremos ir, aprendendo com os erros e com as conquistas. Aliás, o futuro é sempre o caminho que mais nos interessa.
Não perdemos muito tempo a dissecar o passado, se não considerarmos compensatório ou relevante para o nosso trajecto.

Falemos do “Unbroken” mais concretamente. Podemos falar de um conceito que une estes cinco temas? Como surgiu a ideia para este trabalho?

Podemos e devemos! Nunca foi abordado de forma óbvia, mas este trabalho acaba por ser um trabalho semi-conceptual sem nos apercebermos. Aconteceram umas situações familiares, dentro do seio da banda, que levaram ao resultado final deste trabalho. As letras, os próprios títulos das músicas, deixam claro e muito óbvio o que estamos a tentar dizer aqui por meias palavras. No fundo, fizemos pelos adeptos de sonoridades pesadas o que a Adele fez pelo pop: temos um punhado de músicas que falam de amor e das alegrias e tristezas que o mesmo nos provoca!

Como foi o processo de composição e gravação, comparado com o anterior? Com quem trabalharam?

Neste trabalho houve um maior investimento por determinados membros, por estarem na mesma frequência de onda. Pessoas com problemas semelhantes e que estão a passar ou já passaram por situações semelhantes tendem a ajudar o próximo. E aqui foi o que se fez. Estas músicas acabaram por ser a catarse que alguns de nós estavam a necessitar. Muita gente nem se dá conta do quão íntimo este trabalho é. Decidimos expor os nossos sentimentos, à luz do dia, para curarmos feridas. A composição foi maioritariamente feita nesse sentido. Na altura da gravação, abusámos do Caesar Craveiro, dos estúdios Raising Legends, que nos ouviu e compreendeu exatamente o que pretendíamos.

À conversa com outra banda, off-the-record, confidenciaram-nos que hoje em dia praticamente não vale a pena lançar álbuns, tendo em conta o elevado investimento financeiro (e não só) que exige. No caso dos Revenge Of The Fallen, é uma posição com a qual se identificam ou o álbum está definitivamente nos vossos planos futuros?

Não discordamos a 100%. Entendemos que hoje em dia para chegar a uma maior audiência, mais do que um trabalho sério, sentido e íntimo, como o “Unbroken” é, a dificuldade está deveras acrescida. Há toda uma panóplia de conteúdos, essencialmente online, que tornam a atenção do consumidor de música, nesta situação, limitada. Qualquer banda tem a possibilidade de, com determinado investimento, gravar algo e conseguir chegar a um espectro largo da população. E já nem vamos abordar os youtubers e influencers e por aí adiante… Por isso, compreendendo esse aspecto social, preferimos ir analisando as coisas e na altura certa decidir sobre o assunto. O conceito de álbum não está ultrapassado de todo, mas também já não é o que em tempos foi. Ainda assim, e porque para sermos agraciados com convites para festivais de relativa dimensão, pois há esse estigma, faz parte de num futuro próximo, fazermos um “all in” e gravarmos o primeiro longa duração da banda.

Qual será a vossa aposta nestes novos temas nos vossos próximos concertos? Vão primeiro ver como funcionam (e quais funcionam) ou vão rodá-los todos ao vivo?

Já algumas pessoas tiveram a “honra e privilégio” de poderem apreciar uma apresentação dos temas que compõem o “Unbroken”. Foi feito o test drive, por assim dizer, anterior à gravação do EP e tivemos um feedback estrondoso, que mais alento nos deu para avançarmos para o registo fonográfico. Obviamente, será a nossa principal aposta nos set lists doravante.

Todos sabemos como os concertos hoje em dia, e mais que nunca, são fundamentais para todas as bandas, no entanto, para as bandas nacionais torna-se complicado quando temos um número limitado de espaços abertos para bandas de originais e quando os mesmos se concentram mais em Lisboa e no Porto. É algo que vos preocupa, precisarem, como precisa qualquer banda, de tocar ao vivo mas ao mesmo tempo acabarem por estarem limitados nos espaços onde podem tocar e correrem o risco de “cansarem” o público?

Honestamente, a nível dos R.O.T.F., há a necessidade de “aparecermos” para as pessoas nos conhecerem, como é natural. No entanto, não queremos cometer o erro mais crítico e primário de muitas bandas que é a sobre exposição – seja em eventos ao vivo, ou conteúdo nas redes sociais, etc. Há todo um trabalho que tem que ser feito a este nível. Iremos participar em alguns eventos ao vivo, sempre que considerármos ajustado e proveitoso para divulgarmos a música que fazemos. Não vale a pena, de todo, cansarmo-nos até ao ponto de ruptura, ao tocar em locais ou para público que não está necessariamente inclinado ou receptivo. Por muito que gostássemos de angariar novos adeptos da nossa sonoridade em eventos ou locais que podem não ser próprios para o nosso público alvo, temos que ter o bom senso de saber os investimentos que valem ou não a pena.

Alguma intenção de chegar lá fora? O EP é lançado por vossa conta e risco mas há contactos feitos para que tentem cruzar a fronteira? E o mesmo serve para tocar lá fora…

O “Unbroken” estará disponível, a partir de hoje, dia 21 de Outubro, como esteve o “Pareidolia”. Todas as plataformas digitais ter-nos-ão no seu catálogo. E é a este público, que consome música através destas plataformas, o público do futuro, se assim quisermos por a questão, que pretendemos chegar maioritariamente. Para o público mais clássico, por assim dizer, teremos uma edição física especial. Quanto ao irmos tocar além fronteiras, é algo para o qual estamos extremamente receptivos e para o qual, aliás, já andamos a trabalhar também.

Ainda sobre a temática dos concertos e para terminar, uma das queixas no aceso debate que há entre as bandas de originais e de covers é que não há espaço para as de originais em detrimento das de covers, no entanto, essa escolha parece vir do público que enche a casa com as segundas e teima em não aparecer nas primeiras (isto de uma forma geral). Qual é a vossa opinião sobre este assunto?

Não iremos contribuir para esse debate. Já há demasiado barulho, para tão pouca coisa para se falar. Música é música e somos adeptos do livre arbítrio.

 

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