WOM Report – Alestorm, Skalmöld @ Lisboa Ao Vivo, Lisboa – 12.12.18

Noite de festa folk no Lisboa Ao Vivo, era esta a expectativa que achamos que todos os presentes tinham em relação ao que se iria viver mas estaria longe do pensamento, tanto para nós, World Of Metal, para o público presente mas principalmente para as bandas, Alestorm e Skalmöld, que se iriam viver momentos épicos como os que foram vividos.

Com a abertura das portas marcadas para uma hora especialmente cedo, a sala estava bem composta pouco antes dos islandeses Skalmöld subirem ao palco, mas tínhamos a certeza de que mais ainda estariam a caminho para esta grande noite. O ambiente fervilhava de antecipação e expectativa e para quem tinha dúvidas, bastou a intro e o adensar do fumo sintético de forma a colocar todos na devida atmosfera (algo que não era de todo necessário mas que ajuda ao efeito dramático da coisa) para que os níveis efusivos de entusiasmo subissem rapidamente. E ainda subiram mais quando a banda entrou em palco de cervejas na mão e prontos para iniciar uma viagem que duraria cerca de uma hora do melhor que o pagan folk metal tem para oferecer.

“Árás” iniciou em grande e mostrou logo, para quem nunca tinha visto a banda ao vivo, o seu grande poder. Em termos vocais, um luxo com todos os membros a cantarem e onde destacamos o contraste muito bem conseguido através da voz de Helga Ragnarsdóttir (teclista que acompanha a banda ao vivo, ela que é irmã de outros dois membros dos Skalmöld). O público estava completamente rendido e o alinhamento foi de luxo, com passagem por toda a carreira da banda. E cada tema era recebido de forma efusiva, até mesmo os novos temas, tal como “Sverðið”. A banda revelou que foi muito bom estar de volta ao nosso país e acreditamos que ficaram sem dúvidas nenhumas em relação ao que o público pensava a esse respeito.

Uma banda extremamente bem oleada e que consegue transportar da melhor forma para o palco os seus trabalhos de estúdio. É um dos casos em que o que se pode ouvir em cima do palco é imensamente superior ao que se ouve em disco – e atenção que são uma das melhores propostas do chamado viking metal da actualidade! Uma actuação cheia de momentos épicos, vivido ao máximo por um público em êxtase, que acabou de forma apoteótica com “Kvaðning”, saindo de palco com ovações atrás de ovações. Temos a certeza de que a banda saiu de coração cheio assim como o próprio público.

E depois de um concerto destes, seria de esperar pelos mais cépticos que os Alestorm nunca conseguiriam superar tal impacto, certo? Completamente errado. Depois de algum tempo de espera pela montagem do palco – onde temos que salientar o pato de borracha gigante – ao som dos Queen e onde se teve uma “Bohemian Rhapsody” cantada em uníssono, o tema da banda sonora do clássico filme de Mel Brooks, “Balbúrdia No Oeste”, preparou o público de forma apropriada para a entrada em palco dos piratas escoceses. “Keelhaud” mostrou o nível de entusiasmo que reinava na sala, níveis impressionantes.

“Good evening, we’re Alestorm!” foi o que referiu Chris Bowles na primeira vez que se dirigiu ao público e uma forma também inteligente de introduzir o segundo tema da noite “Alestorm”, cantado em uníssono pelo público e a motivar todas as movimentações marítimas que a banda provoca desde remoinhos (circle pits), intenso tráfego de navegações (crowdsufing) e até tsunamis (mosh e wall of deaths). Um ambiente extremamente intenso de festa onde todas – e garantimos, todas – as músicas foram entoadas por uma assistência ao rubro.

O grande foco do concerto foi obviamente o último álbum, “No Grave But The Sea” mas, como Bowles disse “infelizmente também temos tocar as músicas velhas”. Não que houvesse qualquer tipo de queixa por parte de quem quer que seja ao ouvir temas como “Over The Seas” (com direito a solo de teclado por parte de Bowles enquanto emborcava cerveja para o bujo), “The Sunk’n Norwegian” (apresentada como o tema para as pessoas que gostam de beber cerveja e meter pizza no recto), “The Tavern Wench” (cantada em uníssono e finalizada com a telegráfica “Rumpelkombo”) e “1741 – The Battle Of Cartagena” (épica e que motivou um circle pit gigantesco. Perdão, remoinho.

Ainda houve tempo para uma inesperada cover onde a banda foi ajudada por dois amigos, um deles gigante que se apresentou ao público a beber sobre aplausos uma garrafa com um líquido qualquer que poderia ser tanto whiskey como coca-cola. O tema foi “Hangover”, apropriadamente e mesmo que debitando ritmos e versos mais urbanos, foi entoado pelo público do início ao fim, uma prática corrente neste espectáculo. “The Pegleg Potion” foi apresentada por Bowles como “vocês cheiram mal, precisam de tomar banho”. De onde estávamos, podemos garantir que não era brincadeira. O cheiro a suor era intenso, duvidamos que poderá haver qualquer sessão de ginásio com melhores resultados em perdas de categoria do que este concerto.

“Captain Morgan’s Revenge” tema-título do primeiro álbum recentemente editado a propósito da década de aniversário, foi um dos pontos altos do concerto com Bowles a pedir uma wall of death e a solicitar para que quando fosse indicado, que todos se despissem e tentassem copular com o elefante – sim, havia alguém que estava vestido com um pijama de elefante. Foi a wall of death mais épica que pudemos presenciar de perto. E sim, o elefante sobreviveu à batalha campal mas não foi fácil. “Shipwrecked” foi o tema que antecedeu um encore que ainda trouxe “Drink” (que foi antecidida pela declaração de que a banda só veio cá beber a nossa cerveja), “Wolves Of The Sea” (cover cantada e dançada por todos, uma música alegre como a própria banda descreveu) e a terminar a inevitável ” Fucked With An Anchor” que colocaria um ponto final numa verdadeira saga marítima, qual “Odisseia” ou “Lusíadas”.

As bandas saíram do Lisboa Ao Vivo, pelo que nos pudemos aperceber e como já dissemos, impressionadas com esta recepção e não foi para menos. Raramente se encontra uma entrega tão grande por parte do público e uma sinergia perfeita entre o mesmo e as bandas – e de salientar também as diferenças estilísticas entre as duas apesar do terem as melodias folk em comum. Um concerto que ficará na memória de todos eternamente. Quem não foi, achará exagero todas estas descrições… bem, acho que nunca saberão, certo?

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Rock N Rock e Napalm Records


 

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