WOM Report – Anathema, Rendezvous Point, Masvidal @ Capitólio, Lisboa – 11.03.20

O regresso de Anathema ao nosso país é sempre motivo de celebração e este ainda mais já que o concerto tinha como principal objectivo comemorar o décimo aniversário do álbum “We Are Here Because Here”, um álbum que teve o mérito de recuperar e reabilitar a banda para novos níveis de sucesso. Apesar de ter sido um concerto esgotado, com todas as contingências devido ao Covid-19, quando chegámos ao Capitólio, ainda antes das portas abrirem, a realidade era diferente daquela que estamos habituados e até esperávamos. Uma alegria fúnebre, que parecia ser o mote da noite. Felizmente não foi o caso, mas tal como tudo o que é bom na vida, foi uma luta para tal.

A sala estava algo despida e perante as notícias de pessoas a tentar desfazer-se dos bilhetes, temíamos o pior. Paul Masvidal seria o primeiro a subir ao palco, numa actuação que acabou por ser mais intimista do que aquilo que se esperaria. Um problema na energia fez com que se ficasse logo à segunda música apenas com o som da viola acústica, e sem as animações do ecrã atrás de do músico norte-americano, as faixas de apoio e o microfone. Paul não deu parte de fraco e cantou mesmo sem amplificação. O problema foi que com a amplificação do viola acabava por se sobrepor à voz. Após algumas canções, só mesmo quase na recta final é que os problemas técnicos ficaram resolvidos, tendo agradecido a paciência do público. Acabou com uma sentida “Wheels Within Wheels”, dedicada ao ex-colega de longa data Sein Reinfert, recentemente falecido.

Os noruegueses Rendezvous Point seguiram-se e encontraram uma casa um pouco mais composta. A mudança de palco foi rápida e a banda de Geirmund Hansen entrou cheio de raça e com uma energia acrescida. Algo que o vocalista demostra ter com fartura, isso e a difícil arte de conseguir puxar pelo público. O destaque da actuação foi o último álbum de originais “Universal Chaos”, com “Digital Waste” a ficar-nos no goto, principalmente após um grande solo de guitarra. Hansen ainda disse que estaria de volta ao nosso país no Verão, parte do cartaz do Comendatio Music Fest, algo que será motivo para expectativa por todos os presentes, que ficaram certamente rendidos. Ainda para mais com “Mirrors” a encerrar, um épico capaz de até entusiasmar os duros de ouvido, com Hansen a saltar do palco para o pit, para cantar ao pé dos fãs. Exemplo perfeito do bom uso que se pode fazer com pouco tempo.

A preparação para os Anathema foi mais longa que o esperado, mas assim que as luzes se apagaram e a intro se fez ouvir, o público foi logo ao rubro. Quando a banda entrou, logo para dar início a “Thin Air”, o entusiasmo redobrou. Isto até a guitarra de Daniel Cavanagh começar a falhar. Assim que o irmão Vincent começa ele também a tocar, algo também não estava bem. Virou-se para o irmão e perguntou, “isto não está a soar nada bem. Vamos parar, não vamos começar assim, pois não?”Após o som da guitarra de Danny estar normalizado, era a de Vinnie que estava a dar a luta. Alguém gritou que a culpa era do Corona, e Vinnie disse aquilo que já se sabia, que os concertos em Espanha foram cancelados, que iam ter que ir para casa e esperar para que pudessem retomar a digressão dali a uma semana. O que só reforçava a importância deste concerto. Aliás Danny acrescentou que exte poderia ser mesmo o último concerto da digressão.

O momento seguinte foi aproveitado por Danny para ir tocando alguns temas acústicos, começando com um excerto da “Crestfallen”, a “Are You There” e uma versão cantada em uníssono pelo público da “Wish You Were Here” dos Pink Floyd. Apesar deste compasso de tempo as coisas não estavam melhores e Danny decidiu parar um bocado para tentar resolver todas as questões de forma a ter o melhor concerto possível. A pausa ainda foi longa mas felizmente o início desta vez foi sem qualquer problemas técnicos e uma “Thin Air” soou arrepiante, um adjectivo que poderá encaixar-se em muitas mais ocasiões para descrever esta noite. O álbum foi tocado na íntegra com diversos momentos de comunhão mas teremos que assinalar “Dreaming” e “Universal” (com espectáculo à parte na recta final de Daniel Cardoso.

A segunda fase do concerto foi feita de temas mais recentes e outros incontornáveis. De “The Optimist surgiram “Can’t Let Go” (a resultar bem melhor ao vivo do que em disco) e “Springfield” (que proporcionou um diálogo hilariante, quando Danny pergunta ao público se estavam todos bem e que depois da resposta positiva, acrescentou que “good because this song is fucking sad”. Alguém do público perguntou se ele estava bem ao que Danny afirma peremptório “Não! I wrote this fucking song”) e ainda “The Lost Song Part 3 (que o mesmo Danny revelou ter escrito em Lisboa. “Closer” e “Distant Satellites” revelaram o lado mais electrónico da banda mas foi a sequência final com “A Natural Disaster” (com os telemóveis a serem a única iluminação da sala) e com “Untouchable Pt. 1” e “Untouchable Pt.2” que foi o ponto mais alto, com os níveis de emotividade a subirem à estratosfera e com uma Lee Douglas fantástica!

A banda prometeu tocar o concerto todo e apesar do atraso assim o fizeram, para aclamação geral de uma sala grata. “Twist And Shout” dos The Beatles começou a soar enquanto a banda se despedia do público. Vinnie foi mais longe em fazer questão de pegar numa caixa de morangos e ir ao público para distribui-los (talvez fornecida para esse propósito), cumprimentando os fãs de mais de perto. A ligação de Anathema a Portugal é já antiga e especial e esta foi mais uma noite mágica a acrescentar a todas as outras anteriores. Uma longa colecção a juntar à memória.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Prime Artists


 

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