WOM Report – Back To Skull @ RCA Club, Lisboa – 12.10.19

Que enorme festa. Poderá parecer que estamos a começar pelo final e de certa forma até estamos, mas o impacto desta edição foi tão grande para todos os presentes e envolvidos que o melhor é logo abrir o jogo e deixar claro. Já tínhamos uma ideia de que assim seria, com a procura por bilhetes a correr bem – algo que nos enche sempre o coração como media partners (e mesmo quando não o somos, o sucesso de qualquer evento de música pesada é também o nosso presente, com mais ou menor participação da nossa parte). Esta segunda edição trazia-nos quatro bandas nacionais bastante distintas entre si e que conseguiram todas elas brilhar.

Os primeiros foram os leirienses Dallian que confirmaram (mais uma vez) em palco tudo aquilo que já nos provaram em disco (e que disco!) – são uma das grandes bandas nacionais da nova geração. Subiram ao palco à hora certa e após a intro “Genesis Of Awakening”, explode a fantástica ” Satori (悟り)” onde revela a banda com um som forte com o seu ataque triplo nas guitarras. O público todavia ainda parecia que estava algo adormecido, algo contra o qual a banda tentou lutar durante toda a sua actuação com bastante humor. “The Nun From Azrael” e “Caixa Pensatória” foram dois dos pontos altos de actuação brilhante onde os interlúdios e samples orquestrais pontuaram como forma de quebrar o (elevado) ritmo do alinhamento.

Do death metal sinfónico dos Dallian passou-se para o metal ora sludge, ora stoner, ora southern dos Stonerust (como eles próprios dizem, sem rótulos) e foi uma passagem que não afastou o público. Pelo contrário. A banda surgiu em palco com uma nova apresentação onde estavam todos vestidos com uniformes iguais (ou pelo menos semelhantes) e onde o vocalista Bruno Vale surgiu com máscara e camisa de forças (deixando de parte assim, a velha máscara de porco) e entraram logo a matar com três temas novos que vão fazer parte do próximo álbum de originais. Pela amostra, vamos ter um grande trabalho onde o músculo do rock e metal falam mais alto. O groove viciante de temas como “My Only God” e “Mother Beast” são ameaçadores e revelaram bem o poder desta banda em cima dos palcos que no RCA estreou o novo baixista, Emanuel Carmo (também dos All Against). Mas isso também não era segredo.

Uma das grandes expectativas da noite era para ver a prestação dos Attick Demons sem a presença de Luís Figueira, guitarrista e membro fundador que saiu da banda recentemente. A banda de heavy metal apresentou-se com Dário Antunes como convidado que cumpriu a sua missão de forma perfeita (e com apenas três ensaios em cima). Com um som para lá de fortíssimo, assim que “The Circle Of Light” se faz soar, estala o mosh pit com uma intensidade tal que os seguros de vida dos presentes devem ter disparado todos em flecha. E, claro, com isso veio também o stage diving e crowd surfing em profusão.

Musicalmente, a banda estava segura e confiante. Mais que isso, estava acutilante, com um alinhamento de luxo entre os dois álbuns editados, “Atlantis” de 2012 e “Let’s Raise Hell” de 2016, sendo este último aquele que teve mais tempo de antena. Teremos que destacar a intro para a “Dark Angel” que não só contou com Liliana Silva (dos Inner Blast) a cantar como também a dançar, uma ponte perfeita num tema que teve talvez o impacto mais alto da noite. De salientar também a “Thank You” (faixa bónus da edição japonesa do último álbum que em conjunto com a já clássica “Black In Time” fecharam o concerto de forma épica. Não podemos também deixar de referir a pulmão de Artur Almeida que esteve imparável (e impecável na prestação vocal) em todas as canções. Não sabemos como será o futuro da banda mas aquilo que ficámos confiantes é que o heavy metal desta qualidade não morre nunca!

Quem fecharia a noite seriam os Gwydion que teriam uma actuação épica. Já tínhamos reparado até agora que o ambiente era de festa e que o público estava em brasa (fogo mesmo) mas nada nos preparia para uma recepção tão épica aos nossos bravos guerreiros lusitanos. E isto pôde-se verificar ainda a banda não tinha entrado em palco. Assimque se fez soar “Fara I Viking”, parecia a invasão bárbara dos domínios romanos tal não foi a fúria. Apesar disto, não falharam as gargantas para entoar os cânticos de guerra, principalmente no tema seguinte, “793”, onde aquele “ahu” nos fez recuar séculos no tempo, até aos tempos onde os bárbaros dominavam o mundo.

O público esteve incansável – e palavra tem de ser dada aos bravos resistentes da linha da frente que passaram a noite a levar com botas nas cabeças de quem estava constantemente a fazer stagediving. E quando não estavam no ar a voar ou a serem transportados, estavam no chão a remar. Literalmente. Uma visão digna de ser apreciada. Outro momento especial foi a participação de Isabel, vocalista dos Dogma, vestida a rigor, na “Fighting To The End” (que também tinha participado na versão do disco). É até de certa forma uma tarefa ingrata tentar descrever, ou relatar, o que se viveu neste concerto (aliás, na noite toda) e a sinergia tal entre a banda e o seu público . Foi de tal forma que antes de Pedro Leal Dias dizer qual seria aquele que acabaria por ser o último tema da noite, já o púbico cantava “For Thirteen Days” (precisamente da “Thirteen Days”) que foi um momento de comunhão impressionante.

Supostamente ainda haveria planos para mais duas canções depois da banda abandonar o palco após a “Thirteen Days” mas a hora já estava adiantada e a banda acabou por entrar em palco e pedir desculpa mas por amor e respeito à casa, RCA, e ao público, encerrariam a actuação por ali, algo que todos os fãs perceberam – e são também estes gestos que ainda acrescentam mais magia ao que já era mágico. Apenas mais um “pequeno” exemplo do quão especial foi esta edição do Back To Skull. Uma noite para recordar durante muitos bons anos.

Texto Fernando Ferreira
Fotos Sónia Ferreira
Agradecimentos SFTD Radio e Xxxapada na Tromba


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