WOM Report – Black Veil Brides, The Funeral Portrait @ Backstage Kulturzentrum, Munique – 10.06.26
Os Black Veil Brides editaram o seu sétimo longa-duração, “Vindicate”, há pouco mais de um mês e aproveitaram os festivais de Verão para promovê-lo na Europa; mas pelo meio, marcaram alguns concertos em nome próprio e no passado dia 10 actuaram num esgotado Backstage Kulturzentrum em Munique.

A primeira parte ficou a cargo dos The Funeral Portrait, cujo segundo álbum “Greetings From Suffocate City” tem andado a dar cartas no âmbito emo. A “Coffin Crew” de Atlanta tem uma cover de “Mad World” dos Tears For Fears (ao ritmo de Michael Andrews) com que deu início à sua actuação, mas apenas até ao primeiro refrão, começando “a sério” com “Generation Psycho”. Não me apercebi do público acompanhar as letras, mas dado o feedback caloroso a cada tema, ou reconheciam a melodia ou estavam a constatar que valia a pena passarem a conhecer. Pessoalmente, conhecia e cantei as três últimas músicas, “Hearse For Two”, “Dark Thoughts” e “Suffocate City”. Confesso que esperava que Lilith Czar estivesse a acompanhar os Black Veil Brides e subisse ao palco para cantar “Hearse For Two” – a música que Lee Jennings escreveu para a sua falecida avó, a mulher que o criou desde pequenino (“sim, eu já fui pequenino”) – conforme faz na versão deluxe do referido “Greetings From Suffocate City”. Tal não aconteceu, mas a música não teve menos impacto emocional, com a luz dos telemóveis a realçá-lo.

Já em Black Veil Brides, todos conheciam as letras do princípio ao fim, quer fossem do novo álbum, ou tivessem mais de 15 anos (“Knives And Pens”, que abriu o set). Andy Biersack é músico, autor de alguns livros e tem ainda um filme e uma série televisiva no seu currículo – comediante também podia ser acrescentado a este. Praticamente cada comentário dirigido ao público foi em forma de piada, desde os parabéns cantados ao baixista Lonny Eagleton (“vocês não têm a vossa própria melodia?! É a mesma que a nossa mas com palavras em alemão?!”), passando por uma justificação de falta para o trabalho que um fã pediu, que Andy passou com a inscrição “Olá, estou morto”. Houve ainda a parte em que perguntou se gostávamos de The Funeral Portrait, que há muito tempo que queriam ir em tour com eles mas eles recusavam, dizendo que os Black Veil Brides não eram suficientemente grandes, e se podíamos pedir-lhes para aceitar o convite. Lee terá dito qualquer coisa do lado do palco, a que Andy ripostou com um “agora queres lutar?” e o público incitou a essa luta. Andy respondeu que não ia fazê-lo, pois Lee era mais alto que ele, enquanto Lee entrava em palco, roubava-lhe o micro e perguntava se ele gostava de Sleep Token. Isto a propósito de uma outra piada, já nesta tour mas numa data americana, em que Andy terá dito que era o vocalista de Sleep Token. Simplesmente hilariante.

Num tom mais sério, pediu mais do que uma vez aplausos a Wade Murff, ex-baterista de Godsmack, que recrutaram para substituir C.C. depois deste ter de regressar aos Estados Unidos e acompanhar o pai na fase final da sua vida. Wade aprendeu o set de BVB no dia anterior mas parecia sabê-lo desde sempre. No entanto, como a banda quis fazer um miminho aos alemães com algo que nunca tinham feito, optaram pelo primeiro verso e refrão de “Saviour”, só com Andy na voz e Jinxx na guitarra. Andy enganou-se a entrar, pelo que no fim disse aos fãs para saltarem aquela parte no Tik Tok e dizerem que tinha corrido muito bem.

São demasiados bons trabalhos para um concerto só, pelo que claro que ficaram de fora vários títulos (admito que fiquei triste por um deles ter sido “Lost It All”), mas tudo o que tocaram foi mais do que bem-vindo: “Bleeders” (a minha preferida), “Rebel Love Song”, “Vindicate”, “Revenger”, “Fallen Angels”, “Wake Up” (o refrão desta cantada pelo público antes do encore, para chamá-los de volta ao palco em vez do habitual nome da banda – e que fez com que os BVB tocassem o início da música mais uma vez no referido encore) ou, obviamente, “In The End” a fechar, com uma breve participação de Lee Jennings. Um alinhamento requintado, interpretado com um entrega irrepreensível, e que certamente marcou a memória de todos os presentes. A minha, marcou.
Texto e fotos por Renata Lino
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