WOM Report – Boca Doce, X Not Dead @ RCA Club, Lisboa – 18.05.19

Sábado foi uma noite de festa. Festa já marcada com antecedência que até não foi muito afectada pela festa futebolística. A World Of Metal obviamente que dá prioridade a qualquer festa de música, ainda para mais de uma entidade que enaltece a música portuguesa como é o caso dos Boca Doce que foram (muito) bem acompanhados pelos X-Not Dead. Estava previsto os Flyin’ Kings serem a segunda ao palco mas tal acabou por não acontecer. Felizmente, e apesar deste imprevisto, não faltaram motivos para se estar perante uma grandiosa celebração da primeira década de existência dos Boca Doce.

O aparato para a celebração dos Boca Doce já estava montado no palco mas a noite começaria, musicalmente falando, às dez da noite com os X-Not Dead, com uma boa dose de clássicos de punk rock que meteu logo todos a mexer, onde os clássicos do punk rock internacional foram o centro das atenções. Ainda na ressaca da histórica noite da passada quarta-feira, obviamente que não puderam faltar temas como “Chimaera” e “Generator” (todos do mesmo álbum, precisamente “Generator) sendo que foi com o tema dos Bad Religion que o concerto acabou, em nota alta, diga-se de passagem. Boa disposição, público a entrar no espírito da coisa e aquecido devidamente para a banda da noite. Os X-Not Dead não saíram de palco sem deixar de agradecer aos Boca Doce pela oportunidade, por diversas vezes aliás.

Apesar do palco estar já quase pronto, mesmo quando os X-Not Dead, ainda foi necessário algum tempo para que ficasse tudo no ponto. Podemos dizer sem qualquer tipo de exagero que o cenário montado foi um dos melhores que vimos no RCA Club. E isto dito por alguém que tem a sala lisboeta como uma segunda casa, para ver bandas nacionais e internacionais. Para se ter um termo de comparação talvez apenas os Empty V nos nacionais e os Leprous nos internacionais tenham tido um impacto semelhante. Os primeiros sinais de que a celebração estava a começar foi com um fumo despejado e a voz off por Nuno Calado da Antena 3 se começar a ouvir. O barco estava pronto para zarpar, não só pelos dez anos de carreira da banda mas principalmente pela música nacional desde a década de sessenta.

Os ecrãs de televisão montados no palco mostravam imagens desses anos da nossa história, do nosso imaginário cultural começando com “Óculos de Sol” de Natércia Barreto e passando logo para “Ele E Ela” de Madalena Iglésias. Para quem não sabe ao que os Boca Doce vêm, tem que se acrescentar que estamos a falar de clássicos da música popular reinterpretados e reinventados à boa moda do punk rock californiano – indo em alguns momentos mais longe musicalmente e provando que estamos perante mesmo excelentes músicos. Esta noite de celebração seria marcada também por uma chuva de estrelas de convidados sendo que os primeiros e entrar no início estavam na secção de sopro, sendo eles Trisonte no saxofone (dos They Must Be Crazy, Freddy Locks e Dead Combo) e Moisés Fernandes no trompete (da Ramon Galarza Band). Havia ainda um terceiro nome mas não conseguimos, infelizmente, perceber o seu nome.

Foram muitos os momentos em que o público foi apanhado a cantar espontâneamente – “Sobe, Sobe, Balão Sobe” de Manuela Bravo foi um deles, que antecedeu o segundo convidado da noite: João Afonso, cantor e compositor português, sobrinho do eterno Zeca Afonso cantou a “Venham Mais Cinco”, arrepiante versão. Era altura de parar noutro porto, desta vez os anos oitenta, míticos e marcantes. Nuno Calado apresentou aquela que é a década mais marcante da nossa música popular. O Capitão F. Solidão ia mudando de farda a cada novo porto e da farda da marinha da primeira parte passou para uma de caçador de safari, começando logo com “À Minha Maneira” dos Xutos & Pontapés, que, como se deve calcular, foi um dos pontos altos da noite, com o RCA Club em peso ao rubro.

António Variações, Adelaide Ferreira, Marco Paulo, as grandes figuras da década de oitenta todas alinhadas num espectáculo que foi registado para a posteridade – o qual esperamos impacientemente que esteja disponível. Foi precisamente para cantar o tema de Marco Paulo, “Joana”, que subiu mais um convidado ao palco, desta feita João Arroja dos Shiver, que teve um dueto muito bem conseguido com o nosso Capitão. A animação prosseguiu com DaVinci, as Doce e os Sétima Legião (ou Manuela Moura Guedes, conforme o queiram encarar). “Playback” de Carlos Paião foi outro momento para o RCA inteiro cantar assim como aquele que o convidado seguinte, João San Payo dos Peste & Sida que veio cantar com o Capitão a “Família Em Stress”, o momento também onde a animação entre o público foi generalizada.

A terceira parte do espectáculo era dedicada à década de noventa e mais uma mudança de farda trouxe músicas não tão míticas mas presentes na memória e sendo um verdadeiro ataque nostálgico em forma de punk rock. Janita Salomé foi o convidado improvável para um concerto de punk rock mas a sua participação foi mais um ponto alto, ele que interpretou em forma de dueto com o Capitão, a música dos Rio Grande, “Postal dos Correios. E se estamos a falar da década de noventa, temos que falar obrigatoriamente da música pimba, sendo que as escolhas foram “Comunhão de Bens” (Ágata) e “Linda Portuguesa” dos Diapasão. Ainda houve Clemente, Dina (R.I.P.) e Paulo Gonzo. Para este último, mais um convidado – Tiago Afonso dos Tara Perdida e Easyway, que cantou “Jardins Proibidos”.

A noite já ia avançada e caminhava para o seu desfecho. A música do novo milénio que foi representada por Deolinda, UHF (com Tiago Côrte-Real na guitarra a tocar a “Matas-me Com O Teu Olhar”, ele que faz parte precisamente dos UHF). No final épico teve-se dois convidados. Rui Costa/Ruka dos Rasgo e Tara Perdida na voz com Tiago Ganso, também ele dos Tara Perdida, na guitarra. O hino da mítica banda de João Ribas, “Lisboa És Só Tu E Eu” foi sem dúvida um momento partilhado por todos – onde houve também uma bonita homenagem nos ecrãs de televisão. Arrepiante. Agradecimentos a todos que tornaram o evento possível e ainda sem esquecer a presença da dupla de cantoras nos coros, Cláudia Macedo e Carolina Ratola. O final já habitual deu-se com a “Paixão” de Rui Veloso e assim acabou uma celebração épica da música portuguesa, do punk rock e das memórias e pessoas evocadas que fazem parte de nós. Tal como os próprios Boca Doce.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Amazing Events


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