WOM Report – Crystal Viper, Toxikull, DeadlyForce @ RCA Club, Lisboa – 13.12.18

Noite de heavy metal no RCA Club. Para os mais desatentos ou até alheios ao som sagrado, poderá pensar, de forma ingénua, que concertos de heavy metal acontecem muitas vezes durante o mês, no entanto não é essa a realidade das coisas. Infelizmente é a lei da oferta e da procura, embora seja manifestamente estranho que o género que iniciou tudo seja praticamente marginalizado no nosso país. Felizmente ainda existe coragem para apostar no heavy metal e nas suas variantes e foi graças a essa aposta que não só recebemos os polacos Crystal Viper pela primeira vez no nosso país como também tivemos uma abertura de luxo com o melhor de metal tradicional se faz em Portugal, cortesia dos Toxikull e dos DeadlyForce.

Começando pelos DeadlyForce, a banda da margem sul apresentou-se cheia de garra e mesmo com uma sala ainda a meio gás, não desmoralizou – muito pelo contrário – e despejou o seu heavy metal de extremo bom gosto ao qual é impossível colocar defeitos. Mesmo sem ter um álbum ainda editado – o seu único lançamento até ao momento é o EP “From This Hell” que já data de 2014 mas ainda assim tivemos oportunidade de ficar a conhecer novos temas que estarão presentes no álbum de estreia, prometido para 2019. “Devourer Of Eternity” deixa muitas boas indicações para o que aí vem. Com uma solidez instrumental impressionante – Ricardo Allonzo na bateria parecia o Thor a dar com o martelo nos gigantes do gelo – e com uma voz, de Flávio Lino, que é a personificação daquilo que um vocalista de heavy metal deverá ser, foi uma grande abertura, que merecia mesmo mais público.

Somos suspeitos de falar dos Toxikull, afinal Lex Thunder escreve todos meses na nossa revista, no entanto não é preciso ser parcial para admitir que esta é uma das grandes bandas de heavy metal nacional dos últimos anos. Tendo apenas pouco mais de dois anos de existência, a banda de Cascais já é uma confirmação graças a dois lançamentos de qualidade incontestável – “Black Sheep” e “The Nightraiser”, ao qual se juntou agora a demo numa edição limitada a 100 unidades que a banda está a vender na digressão Ibérica com os Crystal Viper que começou em Vigo e que teve a sua segunda data no RCA Club. Portanto já possui muitos argumentos e catálogo com poder suficiente para dar um enorme concerto.

Efectivamente assim foi. Voltando um pouco ao início desta reportagem, quem não gosta de heavy metal dificilmente poderá compreender o atractivo de riffs e solos tocados à velocidade da luz como mandam os deuses do metal. Começando as hostilidades com “Vicious Life” da estreia, a banda foi passeando pela sua discografia confortavelmente, evidenciando-se como uma máquina temível de debitar metal tradicional sempre com o speed e o thrash no comando da operações. Tirando um ou outro percalço, como os problemas com som do baixo de Antim na “The Shepherd”, foi um concerto a roçar a perfeição, principalmente pela entrega da banda. Houve ainda tempo pela passagem por coisas novas, como “Killer Night”, que não faz temer pelo futuro da banda. Um furacão, um autêntico furacão passou pelo RCA Club e o seu nome é Toxikull.

Não vamos esconder, a fasquia estava estupidamente alta após o concerto dos Toxikull, mas o facto de ser também a estreia dos Crystal Viper no nosso país era ponto suficiente para que o público estivesse ávido por heavy metal cheio de garra. Felizmente para nós, era precisamente isso que a banda polaca trouxe na bagagem. A intro cinematográfica foi mais que apropriada para o início a todo o gás com a speedada “The Witch Is Back” onde ficou evidenciada toda a energia de Marta Gabriel e dos seus comparsas. Impressionante a forma como a vocalista consegue puxar pelo público constantemente, uma excelente comunicadora e líder, isto já sem falar do enorme pulmão e voz que evidenciou ao longo da actuação dos Crystal Viper.

Com grande dinâmica nos temas escolhidos, a banda polaca foi intercalando os momentos mais velozes com os mais compassados, assim como Marta ia alternando entre usar a guitarra ou apenas concentrar-se na voz e, claro, na arte já mencionada de motivar e entusiasmar o público – a sério, poderei estar a repetir-me nesta questão mas foi mesmo algo digno de ser visto e de ser relembrado. Com uma discografia já considerável, os Crystal Viper abrangeram-na quase toda na totalidade, mais que não fosse fugazmente e o público não se queixou com isso. Obviamente que os lançamentos mais recentes foram privilegiados como “Queen Of The Witches” e o EP lançado este ano, “At The Edge Of Time”.

Uma excelente prestação que convenceu o público, que “obrigou” a banda a um encore que teve a forma de uma homenagem mais que merecida a Manilla Road e ao seu desaparecido frontman, Mark Shelton. Sólida performance por parte da banda (principalmente o guitarrista solo Eric Juris que debitava notas irrepreensivelmente e à velocidade da luz) e uma grande estreia. E é nestes momentos que temos de olhar para o copo meio cheio em vez de meio vazio. Se poderia estar mais pessoas presentes? Sim. No entanto isso não invalida todos os que efectivamente compareceram e a forma como receberam as bandas principalmente uma que nos visitava pela primeira vez. Não existem facilidades no mundo heavy metal, mas com bandas, público e concertos assim, estamos bem melhor do que se calhar por vezes pensamos.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Amazing Events


 

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