WOM Report – GoDark, Cosmic Wolves @ Metalpoint, Porto – 10.07.21

Foi estranho sentar-me ao volante e, por breves segundos, não me recordar do caminho para o Metalpoint (a última vez que lá tinha estado tinha sido em Agosto de 2019, para ver Moonshade); mas mais estranho ainda foi, depois de vários concertos esgotados naquela sala, onde quase não conseguia respirar por causa do calor humano, presenciar um outro igualmente esgotado mas com tanto espaço vazio, graças ao distanciamento que o raio da pandemia obriga. Mas tal como tenho dito relativamente a todos os concertos que tenho visto nestas condições, MUITO OBRIGADA a todos os que o tornaram possível e proporcionaram essa música ao vivo que tanta falta nos faz.

Eram cinco da tarde quando os Cosmic Wolves criaram no Metalpoint um ambiente cativante, com o seu rock meio progressivo, meio experimental – algumas das melodias com um cheirinho oriental, até. O vocalista/guitarrista António Mota apenas agradecia, e pensei que era para não estragar aquela intimidade – mas não! Mais tarde perguntaria se tínhamos nós alguma pergunta a fazer pois, para ele, os concertos são “uma espécie de tertúlia” e gosta de saber o que o público tem a dizer. E alguém então disse “dá-lhe gás!”. Mas já um pouco antes, quando agradeceu aos GoDark e ao Metalpoint, admitiu não estar a apresentar as músicas pois, quando não se conhece, tanto faz sabermos se o tema se chama “Black Crown” ou “I Love You”. Em todo o caso, e sendo aquela uma das suas favoritas (“sou suspeito, eu sei”), apresentou “Black Crown” – ao que um outro alguém respondeu preferir a “I Love You”. Sim, a sonoridade era envolvente mas ainda havia lugar para umas brincadeiras. Terminaram com “Immortal”, que António disse ser conhecida de alguns de nós, e que se não era, então era porque não ouvíamos rádio ou não víamos televisão… Conhecendo ou não, o que é certo é que a banda foi fortemente aplaudida no final.

Já passou mais de um ano desde que “Forward We March” viu a luz do dia (08/06/2020), mas como praticamente todos os trabalhos que foram publicados em 2020, a sua apresentação ao vivo ficou adiada para 2021. A alegria dos Godark por finalmente poderem fazê-lo estava estampada na cara de todos eles – até de Carlos Preto, guitarrista convidado, uma vez que Rui Fernandes “estava longe” e não pôde estar presente. Com as máscaras, não dava para ver a expressão de quem estava “deste lado”, mas pelo alarido em resposta a cada música, não há dúvidas que o contentamento era mútuo.  O álbum (de estreia, depois do EP “Reborn From Chaos” em 2015) foi tocado na íntegra, pela mesma ordem que toca na versão de estúdio, mas atrevo-me a dizer que com mais garra, com mais intensidade – como só as actuações ao vivo podem proporcionar. É muito fácil entender por que razão álbum e banda estão nos tops de tantos no que respeita ao melodic death metal nacional.

Um dos agradecimentos de Vítor Costa foi ao fã Satan, que está “em todos os concertos e todos os festivais” (ao que o Carlos Guimarães dos Caminhos Metálicos lembrou que a ovação deveria estender-se à mulher de Satan, que o acompanhava sempre) mas acho que não foi ele que, perto do final, começou a berrar “GOOO-DARK, GOOO-DARK!” e, sendo o único, a berrar de seguida connosco “CANTEM!”. A boa disposição foi constante, desde a primeira música dos Cosmic Wolves à última dos Godark. Que não foi a “Forbidden Words”. O público tanto pediu mais que lá conseguiu um encore (já alguns tinham abandonado a sala – afinal, a “foto de família” já tinha sido tirada), novamente na forma de “Repealing Silence”. Já tinha guardado a minha própria máquina e não voltei a pegar nela – foi abanar a cabeça até ao verdadeiro fim.

Texto e fotos por Renata Lino
Agradecimentos GoDark


 

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