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WOM Report – Inhuman Architects, Rageful @ RCA Club, Lisboa

De salutar termos os concertos a voltar um  pouco à ordem do dia e de vermos iniciativas como esta do Chá das 4, curadoria de Sérgio Páscoa (dos Downfall Of Mankind) que visa recuperar o velho espírito das matinés de música. Nos momentos em que vivemos, qualquer iniciativa para recuperar algo da música são mais que válidas. Ainda mais quando isso também significa juntar duas bandas de espectros que estão tão próximos como distantes. Do lado mais tradicional os Rageful, do lado mais moderno, os Inhuman Architects. Ambas com excelentes álbuns de estreia às costas e ambas com uma estreia nos palcos do RCA Club que foi adiada pelos motivos que todos já bem sabemos.

Os primeiros a subir ao palco foram os Rageful que deram um banho de death metal a um RCA longe de estar cheio mas bem composto. As novas condições (colunas no piso de cima) da sala foram muito bem aproveitadas pelo death metal impiedoso da banda que esteve irreprensível. “Ineptitude”, o álbum de estreia, foi quase todo na íntegra e é uma boa lição de death metal. A banda mostrou-se coesa e sem falhas – onde até nem a luta de Paulo Soares, o baterista, com o suporte do crash que insistia em cair, um mal aliás, que a banda seguinte viria a enfrentar.

Sentiu-se que este era um espectáculo especial para a banda, que tinha aqui a sua estreia não só na sala mas como a tocar ao vivo, uma estreia que foi adiada por cinco anos, como o guitarrista Cláudio “Shivers” Santos emocionadamente referiu, quando agradeceu também a todos os presentes. “Feed The Pigs” (o primeiro vídeo da banda) é um destaque do álbum e também foi da actuação da “Unsocial Network” que contou com a presença como vocalista convidado de Sérgio Afonso dos Bleeding Display a fazer o dueto com Leonardo Bertão. “Portugal de Torch” colocou o ponto final numa bruta e acutilante, como se antecipava, aliás.

Os cabeças-de-cartaz ainda demoraram algum tempo a subir ao palco – ou assim pareceu para quem estava (e continua) ávido por castanhada sonora – mas isso tudo foi esquecido quando começou a ouvir-se a intro “In Advento Deorum”, o tema de abertura também do álbum de estreia dos Inhuman Architects, “Paradoxus”. Se os primeiros deram um ensaio de porrada à boa maneira do death metal tradicional (mas bruto), os segundos mostraram como é possível o deathcore não ser limitado pelas fronteiras demasiado bem definidas. “Behold The Creator” foi o primeiro tema a sério e desde cedo que Fábio Azevedo foi incansável a puxar pelo público que, infelizmente era em menor número do que na primeira banda. Em menor número e não tão participativo mas isso também não desanimou nenhum dos seus músicos.

A fluidez do concerto foi algo quebrada com as backing tracks a proporcionarem alguns falsos arranques – certamente nada que também mais rodagem e experiência não permita ultrapassar facilmente no futuro. Para a memória ficaram rendições fantásticas de “Night Intruders”, “The Great Deceiver” (que contou com a presença de Lucas Bishop dos Downfall Of Mankind na voz, em dueto com Fábio. Os agradecimentos também não faltaram, ao público, aos Rageful, RCA , Sérgio Páscoa e uma dedicatória muito especial do tema “Vortex” a Johnny Coroa que certamente ficará na memória de todos que tiveram a felicidade de se cruzar com ele. “Vortex” foi sem dúvida um dos pontos altos do concerto e aquele que também antecedeu o encore com “Interplanetary Suffering” que seria a despedida da banda do palco.

Para a memória ficaram duas bandas nacionais que mereciam mais público do que aquele que tiveram – e é sempre engraçado reparar como a fome era tanta escassos meses (semanas?) atrás e como quando é dada a oportunidade para termos alguma normalidade, temos aquela normalidade que até parece era inexistente em termos de confinamento: grandes bandas em cima do palco e pouco público para assistir – pouco em relação ao que mereciam. Mas não temos que nos queixar e sim agradecer por terem resistido casas como RCA Club, iniciativas como o Chá das 4 e bandas como os Rageful e Inhuman Architects que continuam a lutar por mostrar  a sua música e público fiel que demonstra que não é só chorar quando não tem, é aproveitar quando há.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Sérgio Páscoa / RCA Club


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