WOM Report – Laurus Nobilis Music Famalicão – Dia 4 @ Vila Nova de Famalicão

Excepcionalmente, a edição deste ano teve um quarto dia e coube aos Toxikull começá-lo. Ainda a promover o EP “The Nightraiser” (“Cursed And Punished” só sairia agora em Setembro), o heavy metal old school que tocam saiu daquele palco a fazer jus ao tema “Hellmaster”. Dar concertos ao domingo à tarde, no último dia de um festival, é um desafio um bocadinho maior, mas o quarteto de Cascais conseguiu atrair um numeroso público e contagiá-lo com a sua energia.

Seguiram-se os Grimlet, que estão de parabéns – celebram este ano o seu 20º aniversário de “metal of death” . Era de esperar que trouxessem ao Laurus um bocadinho de toda a sua história mas acabaram por deixar o segundo álbum “Grim Perceptions” de fora (gostava de ter ouvido novamente “Chaoscope”) e focaram-se no mais recente “Theia: Aesthetics Of A Lie”. Clássicos, tivemos “Thor The Thunderer” e “Knee-Deep In The Dead” (embora este tenha uma nova versão, incluída em “Theia”).

Falar em crust/grind nacional e não falar em Simbiose quase que pode ser considerado heresia, e foram mesmo eles que representaram o género neste festival. “Acabou A Crise, Começou A Miséria” ou “Modo Regressivo” são apenas dois entre os muitos que puseram o público a esbracejar e saltar freneticamente (lembrem-se que é crust – a duração dos temas não é propriamente grande). Em “Será Que Há Morte Depois Da Vida?” foi impossível não relembrar e homenagear Bifes, falecido no ano anterior num acidente de mota, e Jonhie aproveitou para apresentar o actual baixista, João Lavagantes.

Reduzidos – pontualmente – a três elementos, os Analepsy tomaram de assalto o palco Porminho. Segundo uma entrevista à Loud!, este terá sido o último concerto antes de se afastarem para preparar o sucessor de “Atrocities From Beyond” – e, como seria anunciado mais tarde, o último concerto do baterista Tiago Correia com a banda. Mesmo só com a guitarra de Diogo Santana, o tecnicismo do brutal death metal que tocam não ficou comprometido e temas como “Engorged Absorption” ou “Witnesses Of Extinction” tiveram uma interpretação – e resposta do público – irrepreensível. Sérgio Afonso dos Bleeding Display foi dar mais vida a “Genetic Mutations”.

Ao contrário do que tinha sido anunciado, os Soilwork não tocaram mais tempo do que previsto – pode ter dado essa sensação, por terem iniciado o concerto mais tarde, mas tocaram a cerca de hora e meia que era suposto inicialmente. Para mim, e para a grande maioria dos fãs da banda, foi um excelente concerto, pois promoveram o mais recente “Verkligheten” e tocaram uma mão-cheia de pontos altos da sua carreira. Mas Björn Strid não é o tipo de pessoa que consegue estabelecer empatia com o público. Não, não parecia que estava “a fazer o frete”, de todo! E ainda nos pôs a bater palmas várias vezes a acompanhar esta ou aquela parte de uma música. Mas falta “qualquer coisa” para conquistar novos seguidores através das prestações ao vivo. Músicas velhinhas como “Like The Average Stalker” ou “Nerve”, até às do referido “Verkligheten” e do anterior “The Ride Majestic”, não há nada a apontar à qualidade do metal melódico tipicamente sueco deste concerto. O encore “Stabbing The Drama” e “Stålfågel” foi, pessoalmente, a cereja no topo do bolo. Era só mesmo mais um bocadinho de calor humano na postura de Strid, mas já é dele, não há volta a dar.

O cancelamento de última hora dos Hypocrisy é de uma falta de profissionalismo de Peter Tägtgren simplesmente lamentável: estar no país com o resto da banda há dois dias e, de repente, ir à Suécia sem garantias de um vôo atempado de regresso a Portugal… Nem sequer deu-se ao trabalho de inventar uma desculpa, como uma emergência familiar, por exemplo; nunca iríamos saber se era verdade, mais valia atirar-nos areia para os olhos do que fazer-nos sentir irrelevantes. Estava com esperança de que, no vídeo que publicou no Facebook, no aeroporto de Zurich, e que passou nos ecrãs no final da actuação de Soilwork, tivesse confirmado a presença dos Hypocrisy na edição do ano seguinte – à semelhança do que os Dagoba fizeram o ano passado no Vagos Metal Fest, depois do seu vôo ter sido cancelado devido à greve dos controladores de tráfego aéreo. Mas não. Continuo a gostar muito da banda e, havendo oportunidade de vê-los ao vivo, não a desperdiçarei; mas Tägtgren, enquanto pessoa, desceu uns valentes pontos na minha consideração.

Texto Renata Lino
Fotos Fátima Inácio
Agradecimentos Lauris Nobilis Music Famalicão


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