WOM Report – Morbid Fest – I Am Morbid, Atrocity, Vital Remains, Sadist, Arcanus @ Lisboa Ao Vivo, Lisboa – 12.05.19

Foi num desses dias quentes de Maio que a Word of Metal teve a oportunidade de testemunhar um concerto de proporções bíblicas, organizado pela Amazing Events e com contornos de festival devido à quantidade de bandas seleccionadas: Arcanus, Sadist, Vital Remains, Atrocity e I Am Morbid, evento este que teve lugar no Lisboa Ao Vivo (LAV) e que contou com o apoio da World Of Metal.

Oriundos de Espanha e praticantes de um death metal cheio de groove e em estreia absoluta no nosso país, os Arcanus entraram em palco ao mesmo tempo que abriram as portas pelas 18 horas, e apresentaram temas dos seus dois Eps “Ashes” (de 2016) e “Omen”(de 2018), tais como “Emptiness”, “Circles”, “Oceans of Blood”, apenas para mencionar alguns, e a actuação da banda que durou cerca de 35 minutos revelou-se bastante coesa apesar da sala estar ainda a meio gás.

Em seguida, ao som da intro “39 Steps”, do ábum “Spellbound” (de 2018), os italianos Sadist liderados pelo vocalista Trevor Nadir, invadem o palco para revisitarem os seus temas mais emblemáticos da sua carreira, passando pelos primeiros trabalhos até ao mais recente, revelando um fascínio pelos ambientes psycho dos filmes de terror (seria talvez uma espécie de tributo a Alfred Hitchcock e a Dario Argento) e terminando em beleza com a promessa de uma possível visita em nome próprio. A banda manifestou agrado por regressar a terras lusas e os fãs corresponderam, foi uma actuação genial a todos os níveis, e que pecou por curta.

Setlist: “39 Steps”, “Birds”, “Bloody Bates”, “Perversion Lust Orgasm”, “The Path”, “The Lonely Mountain”, “Season In Silence”, “One Thousand Memories”, “Sometimes They Come Back”.

A grande agitação estava por vir com a aparição dos norte-americanos Vital Remains, que com uma casa um pouco mais composta, provocaram as primeiras reacções do público. O vocalista Brian Werner referiu  que não tocavam em Portugal há demasiado tempo e solicitou a ajuda do público, prometendo uma actuação memorável e estava lançado o mote para o caos com um crowdsurf bem medido e executado pelo próprio Brian, como se lhe desse mais força para marcar a sua performance, que se adivinhou arriscada e fenomenal. A máquina Vital Remains encontra-se bem oleada e recomenda-se, mesmo com adereços (uma cabeça de bode) ligados a um culto mais obscuro só para dar um ar mais pesado, natural e artístico, foratelecendo a componente visual mas também sonora.


Antes de avançar para “Forever Underground”, Brian fez questão de agradecer o apoio dos presentes e frisou que o pessoal do metal é uma família, independentemento do estilo, seja ele death metal, thrash metal, ou black metal, e que devemos manter essa união porque, afinal de contas, o que interessa é a música. Pautado pela interactividade com o público, Brian aproveitou a ajuda deste para executar um crowdsurf mais arriscado de uma das zonas laterais do piso superior da sala, bem como subir para cima de um dos balcões do bar, onde terminou em apoteose às cavalitas de um fã. Escusado será dizer que a actuação poderosa dos Vital Remains esgotou por completo a energia do público, sem margem para descanso.

Setlist: “Where Is Your God Now”, “Icons of Evil”, “Scorned”, Forever Underground”, Hammer Down the Nails”, “Let The Killing Begin”, “Dechristianize”.

Liderados pelo carismático Alexander Krull, que também assume funções em Leaves’Eyes, os Atrocity tomaram conta do palco e iniciam a viagem com “Masters of Darkness”, seguida por “Shadowtaker”, ambos  os temas do mais recente trabalho “ Okkult II” (de 2018), não deixando de fora alguns clássicos como “Necropolis”,”Fatal Step”, “Blue Blood” e “Reich of Phenomena”, com o qual terminaram o set.

Alexander fez questão de relembrar os saudosos anos 90, principalmente 1996, quando esteve em tour com boas bandas portuguesas, referindo mesmo os nomes de Heavenwood e Moonspell, dedicando-lhes o tema “Death by Metal”, e tentou por diversas vezes, que o público reagisse com mais entusiasmo, fazendo gestos de rodinha (o mosh, pois claro!) naturalmente à espera de uma reacção semelhante à da banda anterior, mas infelizmente, não teve muito sucesso porque o público, mesmo com uns tímidos movimentos em jeito de tentar agradar, dava sinais de estar cansado e a reservar algumas forças para os headliners da noite. A actuação dos Atrocity foi bastante consistente e merecedora de headliner, mas dadas as circunstâncias, não foi possível alongar mais o set, valeu a pena o esforço e aguardamos o regresso em nome próprio.

O momento mais aguardado da noite chegou com algum atraso devido a problemas técnicos, e entrando um a um ao som de “Omni Potens”, o lendário David Vincent chega sob uma grande ovação, e o trio I Am Morbid inicia as hostilidades sem necessidades de apresentações, deixando o público rendido, como que uma espécie de remédio para todos os males. Com uma actuação de arregalar a vista e a audição, e porque não o coração, David Vincent e seus acólitos deram sempre o litro a malhar temas de Morbid Angel, desde “Immortal Rites”, passando por “Blessed Are The Sick”, sem esquecer o facto de que nesse dia marcava o aniversário da edição do mítico álbum “Altars of Madness”(12.05.1989), sorte a nossa de termos ficado com este dia da tour, tão especial e épico.

Pelo meio houve tempo de o guitarrista Bill Hudson presentear a plateia com belíssimos solos e o genial baterista Tim Yeung esteve imparável o tempo todo. Os três cavaleiros do apocalipse provaram que estão em grande forma e fecharam a noite com chave de ouro “World of Shit (The Promised Land)”. Podem voltar mais vezes que a audiência agradece.

Setlist: “Omni Potens”, “Immortal Rites”, “Fall from Grace”, “Visions from the Dark Side”, “Blessed Are the Sick”, “Rapture”, “Pain Divine”, “Sworn to the Black”, “Eyes to See, Ears to Hear”, “I Am Morbid”, “Maze of Torment”, “Dominate”, “Where The Slime Live”, “Dawn of the Angry”, “God of Emptiness”, “World of Shit (The Promised Land”.

Texto Sandra Nunes
Fotos Hélio Cristóvão
Agradecimentos Amazing Events


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