WOM Report – Obscura, Fallujah, Allegaeon, First Fragment @ Hard Club, Porto – 12.02.2019

Este foi o terceiro evento de technical death metal a que assisti no espaço de quatro meses e todos eles em casa cheia; essa história de que este género não é para-qualquer-ouvido é claramente mito urbano.

Oriundos do Canadá, os First Fragment foram os primeiros a fazer a multidão feliz. Embora o vídeo para “Paradoxal Subjugation” tivesse apenas alguns dias, a música pertence ao EP “The Afterthought Ecstasy”, com já nove anos. Aliás, segundo a própria banda, nada novo será lançado antes de 2020, pelo que este concerto foi como se estivessem a promover “Dasein” (2016). A movimentação em palco estava algo limitada – a bateria dos cabeças de cartaz estava já montada, atrás da bateria onde as bandas de suporte tocaram – mas ainda assim conseguiram encher de vida a sua actuação. Gostei particularmente de um instrumental rico em baixo e das expressões, tanto faciais como gestuais, do guitarrista Philippe Tougas, em jeito de ovação ao colega. Espero voltar a vê-los, com mais espaço livre em palco.

Os Allegaeon, por outro lado, têm um álbum pronto a sair no próximo mês. Era ainda cedo demais para promovê-lo mas como o single “Stellar Tidal Disruption” já rodava no YouTube há duas semanas, esse fez parte do alinhamento. Com uma discografia mais vasta, também esse mesmo alinhamento cobriu mais marcos da sua carreira, despedindo-se com aquele que pode ser considerado o seu primeiro sucesso – “Behold (God I Am)”. A força com que Riley McShane esbracejava enquanto cantava prova que num palco não tão “congestionado” a descarga de energia seria bem mais violenta, mas o nível da daquela noite não desiludiu ninguém.

Eu não ouvi, mas alguém mais atento ouviu Antonio Palermo pedir “tudo luzes vermelhas” antes do concerto de Fallujah começar. Regra geral, a iluminação da sala 2 do Hard Club já negligencia um pouco os músicos que ficam nas laterais do palco; quando essa iluminação é maioritariamente vermelha, quase que é preciso um par de night goggles para vermos o que se passa de uma ponta à outra do palco. Partindo do princípio que realmente foi a pedido do vocalista, poder-se-á dizer que leva muito a sério o lema “o importante é a música”… “Undying Light” chega às lojas no próximo dia 15 mas os Fallujah deram-nos um cheirinho do que nos espera através de “Ultraviolet” e “Last Light”. A expectativa era claramente mais alta relativamente à banda de São Francisco – álbum novo ou não – e ainda que os olhos não tenham visto muito mais que umas silhuetas, os ouvidos saíram consolados.

Logo ao final da primeira música dos Obscura – “Emergent Evolution” – Steffen Kummerer falou em como era bom estar de volta a Portugal, ao fim de todos aqueles anos; a avaliar pelo sorriso que iluminava a sua cara sempre que se dirigia ao público, não era apenas uma frase feita.

Ao contrário das bandas anteriores, o propósito deste concerto/tour de Obscura era promover o álbum actual “Diluvium”. Ou melhor, levá-lo ao vivo aos fãs, pois estando cá fora há mais de meio ano, já todos estavam familiarizados com o trabalho por inteiro – não só com o tema-título e “Mortification Of The Vulgar Sun”. Traz sempre um gostinho especial à noite assistir a este tipo de cumplicidade.

Depois de “An Epilogue To Infinity”, demoraram tanto a regressar para o encore (“The Anticosmic Overload”) que quem estava nas primeiras filas aproveitou para imortalizar essa cumplicidade com uma recordação física, roubando as palhetas que estavam no suporte do micro de Kummerer… Felizmente, este tinha guardado algumas no bolso.

Texto e fotos por Renata Lino
Agradecimentos a SWR Sonic Events

 


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