WOM Report – Radio Moscow, Fuzzil @ RCA Club, Lisboa – 21.03.19

Noite de rock no RCA Club, que esgotou para presenciar o regresso dos Radio Moscow ao nosso país. E depois de uma excelente noite no Porto no dia anterior, onde a banda norte-americana surgiu acompanhada pelos Black Wizards. Em Lisboa era a vez de partilharem o palco com os Fuzzil, banda de Alcobaça que revelou ser escolha mais que perfeita para abrir as festividades numa noite que se revelou especial.

A atmosfera era super positiva e relaxada, enquanto se ouviam uma sucessão de clássicos de Guns’N’Roses. Conforme Axl foi silenciado, caiu um silêncio quase sepulcral no RCA Club, enquanto Alexandre Ramos (bateria e voz), Wilson Rodrigues (baixo), Leonardo Batista (voz e guitarra) e Filipe Garcia Miguel (guitarra e voz) subiram ao palco e começaram a preparar o seu equipamento e instrumentos para dar início ao rock. “Boa noite, nós somos os Fuzzil”, anunciou Leonardo quando estala seu rock cheio de fuzz (o nome não surge por acaso) e a beirar o psicadélico, mas sempre com um groove contagiante. Os Fuzzil passearam pela sua discografia onde constam apenas três títulos (dois EPs e um single) e ainda nos adiantaram algumas novidades, que estarão presentes no seu álbum de estreia, que a banda admite não saber quando verá a luz do dia. “Blind Man” e “Mistery” dão-nos aquela sensação de jam como se estivéssemos a banda a ensaiar, algo de mágico e muito orgânico, algo que também é extensível ao resto da música da banda.

Wilson Rodrigues chegou-se ao microfone para dedicar o tema seguinte ao mestre que tinha falecido quatro dias atrás (infelizmente não conseguimos perceber o nome já que Wilson estava quase afónico) cuja frase “A vida é feita de palcos ao qual desempenhamos diversos papéis e é quando nos deparamos que estamos em cima destes palcos que nos desafiamos a nós mesmos” o marcou e o baixista partilhou em jeito de homenagem. O tema em questão foi “Friends” (desconfiamos que se trata de um tema novo pelo que não temos a certeza do título) e foi interpretado com garra. Na recta final, mais dois temas bem rodados da banda, “Threesome Wine” e “Worms” sempre recebidos com entusiasmo pelo público, acabando em apoteose com “Fuzzy”. Sem dúvida que uma banda que queremos ver novamente ao vivo, onde o rock é tratado como rei, como o era nos míticos sessentas e setentas. Intemporal e imortal.

Intemporal e imortal é algo que também serve para descrever perfeitamente o som dos Radio Moscow. A banda norte-americana tem sido uma presença constante nas escolhas daqueles que sentem o rock dessa forma e naquela noite havia um RCA Club completamente cheio, ávido para ser banhado com o rock psicadélico, cheio de fuzz e groove. Com um soundcheck rápido e algo descomplicado, quando Parker Griggs diz algo como “Por mim está bom, podemos começar?” e a “New Beginning” começa a soar, o público entra em transe. Da posição privilegiada em que estava, a visão era semelhante aos vídeos antigos de bandas como Cream, Led Zeppelin ou Lynyrd Skynyrd. O último álbum de originais foi a paragem mais visitada mas houve uma excursão por toda a carreira da banda e todos os temas foram recebidos com igual entusiasmo. “So Alone” e principalmente “Broke Down” mostraram aquilo que já se sabia, o público estava completamente rendido aos Radio Moscow.

Depois de uma monumental “Rancho  Tehama Airport”, Parker Griggs afirmou que era muito bom estar de volta a Lisboa. Era bom também recebê-los novamente, algo que um malhão descomunal com “Deep Blue Sea”, da estreia homónima de 2007, o álbum que não foi tão visitado mas que pelo poder desta música deu para encher bem a barriga. Bluezorro de todo o tamanho, a lembrar a sensibilidade do mestre Hendrix quando ele tinha os blues nas mãos e no coração. Griggs ia adocicando a sua garganta com um sumo de laranja enquanto revelava toda a sua inspiração na guitarra e na voz. No entanto, a banda como um todo estava completamente entrosada. Claro que o facto de estarem no final da digressão – o concerto no RCA Club era precisamente o que encerrava a digressão europeia da banda – também ajudou a esse facto mas obviamente que o talento de Anthony Meyer, baixista, e de Paul Marrone, baterista, este último, um monstro na bateria onde até nos granjeou um pequeno solo de bateria, muitíssimo inspirado.

Como esta era uma noite especial, como foi mencionado atrás, a última data da digressão, a banda tocou uma música pela primeira vez na sua carreira, uma cover “Looking Glass”, cujos autores originais não conseguimos discernir. Seja como for, seja de quem for, soou bem, muito bem. “City Lights” trouxe mais uma vez groove enorme e até ao final foi um repente – passou num instante este concerto – com “No Good Woman”, que a banda anunciou ser a última. Deram as setlists ao público e saíram do palco. Começou a ouvir-se a música que é costume ouvir quando os concertos acabam e as luzes acendem, mas o público não arreda a gritar a plenos pulmões “só mais uma, só mais uma”. A banda foi “obrigada” a voltar ao palco para um encore que nos fez presenciar o mais próximo de um mosh num concerto de fuzz rock psicadélico. O público veio abaixo com a sequência “250 Miles” e “Brain Cycles”, terminando depois, agora de vez, com “Pacing”. Uma grande noite de rock, daquele que já não passa nas rádios e que se calhar nem os nossos pais se lembram. Não há problema, com este rock e com bandas (nossas) como Fuzzil e com os Radio Moscow, não há amnésia que chegue.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Garboyl Lives


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