WOM Report – Scorpions, The Dead Daisies @ Estádio Municipal de Oeiras, Oeiras – 11.07.18

Os Scorpions vieram visitar a sua segunda casa e deram um concerto inesquecível

Depois dos Kiss e Megadeth, seria a vez dos Scorpions que viriam acompanhados pelos The Dead Daisies, banda que se estreava em Portugal e que por aquilo que pudemos apurar nas pessoas à nossa volta e quem encontrámos pelo caminho, que se desconhecia que ia actuar. A explicação para esse facto talvez seja pelo tardio anúncio da sua confirmação. Após os problemas encontrados no dia anterior, a organização disponibilizou não uma mas três entradas para o público que tinha comparecido em massa, na expectativa de um grande concerto. Apesar dos muitos repetentes do dia anterior, notava-se que havia um novo público, uma nova geração, para testemunhar o regresso dos Scorpions ao nosso país. E que regresso.

Com as portas a abrirem mais tarde, a impaciência era visível em grande parte do público que, por falta de informação, julgavam que estava a aguardar pelo começo dos Scorpions. Ainda demorava bastante mais tempo para que isso acontecesse. Não ajudou o facto de termos um conjunto de temas que passaram em loop enquanto se aguardava. Mas quando as luzes se apagaram, o entusiasmo subiu em flecha, mesmo que para a maior parte das pessoas nunca tivesse ouvido falar dos The Dead Daisies, o projecto australiano/norte-americano que é composto por cinco músicos de topo, começando por John Corabi (ex-vocalista de Mötley Crüe, entre outros), passndo por Marco Mendoza (ex-baixista dos Black Star Riders e da banda reformulada que lhes deu origem, Thin Lizzy), Deen Castronovo (ex-baterista de bandas como Journey, Revolution Saints além de ter sido músico de sessão de Ozzy Osbourne e Steve Vai), Doug Aldritch (ex-guitarrista de Whitesnake, Dio entre muitos outros) e terminando em David Lowy, talvez o nome menos conhecido mas um dos membros fundadores, conhecido na Austrália por ser dono de uma empresa de aviação e antigo campeão de aviação acrobática.

Entraram com um “Resurrected” que foi a melhor apresentação possível, evidenciando um hard rock de qualidade superior, bem gingão e poderoso. Seria uma injustiça tremenda caso o público não aderisse porque efectivamente este foi um grande concerto. A vida de John Corabi e a excelência de todos os músicos presentes assim obrigou – principalmente Aldritch, que continua a provar que é um dos grandes dos guitarristas de sempre. E não faltaram oportunidades para provar isso mesmo – “Mexico” e “With You And I” ou então na surpreendente e magistral cover dos The Rolling Stones, “Bitch” foram exemplos perfeitos, embora foi nos momentos de maior comunhão com o público que a banda brilhou – nas músicas “Make Some Noise”, “Dead And Gone” e na versão com a qual encerraram o seu concerto, a cover de The Sensational Alex Harvey Band “Midnight Moses”. Corabi era o rosto da satisfação da banda pela forma como foram recebidos pelo público português. Uma estreia em grande, para ambas as partes – definitivamente não devem ter existido queixas de maior mesmo pelos mais ansiosos pela actuação dos Scorpions. Esperemos que voltem em breve.

Por falar em ansiedade, o tempo de espera parecia ser interminável para o início do concerto dos Scorpions apesar de termos tido um certo receio em relação à sua actuação. Afinal a banda já anunciou a reforma em 2011 e desde então já voltou a Portugal mais uma mão cheia de vezes, apoiando os seus espectáculos mais ou menos no mesmo alinhamento. Aliás, esta seria a segunda vez que a “Crazy World Tour” passaria pelo nosso país já que no ano passado foi cabeça-de-cartaz no Festival Marés Vivas. Algo que muitos dos fãs nem sequer estavam preocupados, esta continua a ser uma banda que arrasta multidões no nosso país e no dia 11 de Julho, ficou provado mais uma vez que isso foi totalmente justificado, apesar da já mencionada previsibilidade que se fez sentir nalguns momentos.

Arrancando com “Going Out With A Bang” do mais recente “Return To Forever” (de 2015), a banda depressa passou aos clássicos com “Make It Real”, a já mítica sequência “The Zoo” seguida pela instrumental “Coast To Coast” e o medley de temas da década de setenta “Top Of The Bill”/”Steamrock Fever”/”Speedy’s Coming”/”Catch Your Train” que foi muito bem recebido, assim como a última incursão ao já mencionado “Return To Forever”, “We Built This House”,  apesar de todos sabermos aquilo que o público mais queria: as míticas baladas. Em formato acústico, teria-se uma primeira abordagem com a sequência “Follow Your Heart”/”Eye Of The Storm”/”Send Of Angel” e depois a inevitável “Wind Of Change” que ficará para sempre associada à queda do muro de Berlin e ao imaginário de muitos fãs do rock.

Palmatória terá de ser dada ao facto da banda não jogar pelo seguro no que diz à escolha de temas e de tornando o seu espectáculo memorável para todos os tipos de fãs. Os amantes do talento de Matthias Jabs puderam apreciar uma “Delicate Dance” (um tema instrumental que não está presente em nenhum disco de estúdio) de extremo bom gosto, assim como puderam relembrar “Tease Me Please Me” do trabalho que dá o nome a esta digressão, “Crazy World”, já com vinte e oito anos de idade. Mas o ponto alto para muitos apreciadores de música pesada foi a homenagem a Lemmy Kilmister através do tema “Overkill” que foi tocado enquanto fotos de Lemmy surgiam no ecrã gigante. Esse tema, apesar de não ter sido tocado na íntegra, serviu de plataforma para um inspirado solo de bateria de Mickey Dee (precisamente ex-baterista dos Motörhead) que foi tocado, literalmente, nas alturas, com a bateria a ser elevada.

Na recta final foi uma sucessão de grandes malhas, como a “Blackout” e a “Big City Nights” antes da banda sair para o encore onde obviamente teria de ser interpretada a inevitável “Still Loving You” e a “Rock You Like a Hurricane”. A carreira da banda teutónica é enorme e recheada de clássicos por isso é natural que fique sempre a sensação de que ficou a faltar algo e na nossa perspectiva faltou muita coisa mas isto não foi razão para termos saídos satisfeitos. Nós e todo o público presente teve exactamente o que queria. Bom hard rock, boas baladas, uma qualidade sonora excelente e de produção excelente (os ecrãs gigantes por exemplo, tiveram uma qualidade em muito superior aquela que os Kiss gozaram no dia anterior) e, o mais importante, a comunhão já histórica e invejável com o público português que continua a comparecer e a vibrar com a sua música.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos gentilmente cedidas por Nuno Conceição e Everything Is New


 

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