Report

WOM Report – SonicBlast Fest 2026 – Dia 2 @ Praia da Duna dos Caldeirões, Vila Praia de Âncora – 07.08.26

A manhã de sexta começou com uma lição de campismo, noites frias de marfim, noites frias à beira mar, a mantinha já no fim, matas-me com o teu ar. O calor do dia cria uma ilusão perigosa, as noites são fresquinhas, dormi com o casaco de mota, encolhido e a tremer. Agradeço eternamente à Melissa, que me emprestou mais umas mantinhas. Com a vantagem do festival só começar às 15:30, a manhã fica livre para dar um mergulho na praia ou rio e esticar ao sol, seguido de uma caminhada pela Vila da Âncora para um café e um sidónio ou almoço.

Os Jesus The Snake abriram já nos palcos principais seguidos dos Hög de Portland, Oregon, cujo baixista sem t-shirt e cheio de tatuagens fez-me lembrar o Matt Pike. Clamm fez uma segunda actuação para substituir os Dead Meadow de Washington, D.C, que cancelou o resto do tour europeu devido a doença, e não arranjou substituto. Todos apanharam pouco público devido ao calor e carência de sombras à frente dos palcos.

Apenas pelas 18:30 se apresentaram mais pessoas para receber os Voivod de Jonquière, Quebec, formados em 1982, passaram despercebidos durante alguns anos. Têm um som thrash mas distinto, e os temas líricos são maioritariamente inspirados em ficção científica e pós apocalipse. Fizeram um bom exercício de aquecimento.

E depois chegaram os Conan, e encheram aquilo. De poucas palavras, tal como as suas letras, disseram que queriam ver o maior moshpit de sempre no SonicBlast e, sinceramente, acho que conseguiram. Apenas três homens em palco sem grande cerimônia, a passar projeções de desenhos animados, deixam a música de caveman metal falar por si. Vieram, viram, con(an)quistaram. Tenho a “pele” do bombo da tour que eles fizeram com os Orange Goblin “Science, Not Fiction”, desenhado e autografado pela banda.

Apesar de um standard imenso, The Casualties com os seus enormes mohawks e punk energético conseguiram manter, perdi um grande momento fotogénico quando o vocalista deu um enorme salto para cima da plateia (capturado por @rodrigo.gatinho).

Já vi os Kylesa vezes sem conta, nada a acrescentar, o baixista é estiloso, a vocalista é poderosa, não sei como o público se aguentou, já com o recinto cheio que mal se podia caminhar. Devido a algum imprevisto, o set deles encurtou uns 5 ou 10 minutos. 

Os Turbonegro, conseguiram talvez…superar os Conan, não com volume, mas com uma presença de palco fantástica. As boinas de marinheiro de 20 euros tiveram boa saída. Os trajes e interações em palco formam grande parte do acto, sempre a correr, saltar, e o vocalista a dar pontapés acrobáticos que eu estava a tentar capturar, só para perder um enorme salto do guitarrista de pernas abertas desde a plataforma da bateria. É um daqueles espetáculos que qualquer pessoa tem de ver pelo menos uma vez na vida. Tenho de confessar que uma semana antes no Wacken, “troquei-os” por Def Leppard. Não acredito que troquei um bocado de nostalgia herdada por isto…felizmente o SonicBlast deu-me oportunidade de os ver bem perto.

Já bastante cansado, metade do público abandonou o recinto. Os Deathchant, cuja auto-descrição me deu riso: “four fried eggs tryin’ to keep ‘er sunny side up in Los Angeles, CA” foram um bom cool down, mas já não fiquei para os Goya nem N8NOFACE, que tocaram até às quatro da manhã.

Texto e fotos por Luís Balsa (Moshografia)
Agradecimentos Sonicblast & Garboyl Lives


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