WOM Report – The Last Internationale, The Quartet Of Woah!, Hill’s Union @ LAV, Lisboa – 14.02.20

As expectativas nem sempre funcionam a nosso favor, mas não será de todo exagero dizer que apesar de estarem altas para a noite do dia dos namorados, as mesmas foram superadas. Lisboa recebeu novamente os The Last Internationale, banda que tem visitado regularmente o nosso país, muito bem acompanhados com os nossos The Quartet Of Woah! e com os Hill’s Union. Se a banda norte-americana, por si só, já é razão mais que suficiente para sair de casa, com este acompanhamento, estava montado um cardápio que qualquer fã de rock’n’roll não poderia ficar indiferente. E muitos não ficaram já que o Lisboa Ao Vivo esteve com uma lotação perto de esgotar.

A noite começou com os Hill’s Union que ainda apanharam o público a meio gás. Isso não os impediu de darem um grande concerto. Para quem não os conhece, podemos dizer que o trio português funciona como uma espécie de banda de tributo a Joe Hill, um lendário activista de origem sueca e que foi imigrou para os Estados Unidos no início do século passado. Aí tornou-se conhecido pelas suas canções folk de protesto que influenciaram toda uma geração de músicos. Os Hill’s Union pegaram (e pegam) no seu repertório e dão a devida actualização sonora (com o bom e velho rock) e o resultado foi um set curto mas explosivo. A sala ia enchendo de pessoas e também de bom groove rock que se tornava contagiante. Uma excelente surpresa, uma excelente ideia e uma excelente banda.

Não podemos dizer que por esta altura seja uma surpresa ver os The Quartet Of Woah! naquele que nos parece por direito próprio o seu habitat natural: o palco. Não sendo surpresa acaba por ser sempre um reencontro positivo já que esta é uma banda que, lá está, temos a expectativa que vai dar tudo em palco. Obviamente foi o que tivemos. Gonçalo Kotowicz avisou logo no início que tinham apenas trinta minutos e que por isso não iam perder muito tempo. A sua actuação foi semelhante à última que vimos deles, no Tattoo Lisboa Rock Fest, onde tivemos a passagem pelo passado (“Ultrabomb”, o álbum de estreia), pelo presente (o auto-intitulado álbum que é o último que a banda lançou) e ainda um aperitivo para o futuro, para nos deixar aguados em relação ao que aí vem. E está para breve. A casa ficou ainda mais cheia e no ponto ideal para os senhores que se seguem.

E o que dizer dos The Last Internationale que não seja redundante. Esta é uma banda que definitivamente tem a paixão do nosso público e que, não será exagero dizer que está apaixonada por nós e pelo nosso país. Claro que não é alheio o facto de Edgey Pires ser português, apesar de ter nascido em Nova Iorque. E também não foi por acaso que a banda começou em Portugal a sua digressão, tendo sido esta a primeira data, que no dia seguinte ainda passaria por Braga. A electricidade era palpável. A banda, o público, as músicas… nunca o rock nos soou tão perigoso, tão orgânico, tão vital… tão real! A banda é das poucas que acredita na velha máxima de Woody Guthrie, “This Guitar Kiss Fascists”, mas a forma como o fazem é mesmo única.

A comunhão e ligação com o público foi estabelecida logo desde o início, onde as palmas surgiram nos momentos correctos, onde os solos foram recebidos ao rubro – tal é raro até mesmo em concertos de metal – e onde os fãs (e mal começou, já eramos todos fãs) cantaram como sendo também instrumento responsável pela música. A dupla base da banda norte-americana, o já mencionado Edgey Pires (guitarra) e Delila Paz são incansáveis e não se cansam de correr, saltar e dançar, uma energia que só teve um intervalo quando Delila se sentou ao paiano para um momento intimista onde tocou a Running For A Dream e depois, a pedido de um fã, tocou ainda a “Like A Stone” dos Audioslave, dedicada, como disse, ao seu soul brotherChris Cornell. Por esta altura já tinhamos vivido uma série de momentos arrepiantes – deve ter batido recordes neste concerto.

De seguida subiu mais um músico ao palco, Miguel (infelizmente não percebi o seu nome completo, mas não se livrou da público começar a cantar por si) para tocar guitarra, o que libertou Delila do seu baixo nos dois temas seguinte – “5Th World” e a fantástica “Hit ‘em With Your Blues”, sendo que este último viu a vocalista a descer para o pit e a cantar junta à primeira linha de fãs. Não faltaram agradecimentos às duas bandas, aos fãs por estarem presentes e por terem apoiado a banda neste último álbum onde decidiram lançar-se em edição de autor. Quase duas horas passaram no instante e final foi épico. Delila convidou a quem quisesse subir ao palco. Uma dezena de fãs atendeu ao pedido mas ela não estava satisfeita e disse “mais pessoas on the stage” e lá foram, rockar com a banda como se estivessem em “1968”, num espírito de revolução, revolução pela paz, pelo amor e onde a música é a maior arma.

No final, ficou um vazio interior. Queríamos mais, os fãs queriam mais, mas o sorriso estava lá porque vimos que os The Last Internationale deram tudo, até mais que esperavam – lá está, as expectativas a serem superadas. Ainda assim, cumprimentaram todos os fãs que estavam no palco, demonstrando uma atitude que não é de todo comum encontrar e deixaram várias certezas da sua excelência como entertainers, poetas e activistas musicas. Deixaram, no entanto, só uma pergunta por responder. Quando é que voltam?

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Banzé Editora


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