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WOM Report – The Skull Room Studio Rockfest – The Insane Slave, Sollar, Three of Me, Sugiru, Treewax @ Metalpoint, Porto

Costumo dizer frequentemente que “rock alternativo” (e metal) é o termo mais abrangente no que toca a géneros musicais. The Skull Room Rockfest provou-o, ao contar com cinco bandas desse mesmo género e, no entanto, de sonoridades tão distintas.

Se bem que a primeira banda, Treewax, toca algo mais específico – grunge (a t-shirt de Nirvana vestida pelo vocalista/guitarrista Gonçalo Ferreira não era por acaso). Acredito que tenham influências de outros géneros – todos os bons artistas têm – mas não há dúvidas quanto à natureza do resultado final que estes três “miúdos” do Porto apresentam. A princípio pensei que iam encarnar algumas dessas lendas, vivendo a intensidade das músicas introvertidamente, no seu mundinho, mas não tardou a que Gonçalo começasse a comunicar com o público – e não me refiro só ao grupinho de fãs que estava bem familiarizado com temas como “Tired”, “Wakizashi” ou “Frankenstein”. Esta última termina o álbum de estreia “Bleak Fall”, editado em Maio, e terminou também o concerto daquela noite que, música a música, foi ganhando o respeito dos presentes – incluindo o meu.

Em japonês, sugiru expressa excesso de alguma coisa; no nosso underground, é sinónimo de puro rock – e isso, na minha humilde opinião, nunca é demais. É mais de uma década “de estrada” mas parece-me que a postura em palco vem da maneira natural com que vivem a música e não da experiência, o que acaba por dar toda uma outra vida aos seus temas, já por si cheios de garra. E letras na nossa língua, como “Ontem” ou “Voltar A Casa”, integrados no álbum “Reborn”, foram uma lufada de ar fresco para os meus ouvidos. Mas a música nova que estrearam ali, que tinham “guardado só para nós”, é cantada por Daniela Moreira em inglês e chama-se “Strike”. Também a boa disposição era contagiante – havia uma qualquer private joke sobre sardinhas entre o baterista Mosca e alguém do público e, mesmo desconhecendo o contexto, dei por mim a rir-me também. Rock’n’roll!

Seguiu-se a banda dos irmãos Dourado e “filha” do The Skull Room Studio. A mudança de material dos Sugiru para o de Three Of Me demorou um bocadinho mais do que esperado, mas qual o evento underground que não conta com estes tempos mortos? Aproveitou-se para ir lá fora fumar um cigarro, beber um copo, e quem tinha desertado voltou assim que ouviu a afinação das guitarras. “Black Dog”, editado em Maio, foi então apresentado mais uma vez naquele palco – mas agora com o público de pé e João Chaves na bateria. Uma sonoridade algo mais pesada, a ziguezaguear entre o heavy rock e o post-grunge, com vozes de fundo aqui e ali a completar com um toque de classe o tom mais arrebatado de Ricardo. A destacar “Killswitch”, “Invisible” e “Razored Lines”.

Já perdi a conta às bandas em que o Luís Moreira está envolvido, mas aparentemente ele ainda conseguiu encaixar Sollar no seu portfólio e o The Skull Room Rockfest foi a sua estreia. E como em qualquer outra dessas bandas, a sua prestação foi irrepreensível, como se tivesse participado na gravação original dos temas de “Translucent” que tocaram naquela noite. Era a única banda que já tinha tido o prazer de ver ao vivo, pelo que sabia o que me esperava: a firmeza da voz de Mary Ann, a destreza de todas as cordas combinadas… e a animação que todos sempre manifestam e com que contagiam o público. Outra coisa que me fez sorrir foi ver alguém a confirmar com Mary Ann o endereço da banda numa das redes sociais que a vocalista tinha acabado de anunciar – gosto de presenciar o “nascimento de novos fãs”.

Um dos organizadores do evento comentou comigo que o César Alves era “o melhor guitarrista que ele conhecia”; isso e o facto de que os The Insane Slave estão a trabalhar no sucessor do seu álbum homónimo e todas as músicas que tocaram foram estreias desse mesmo trabalho ainda por publicar são motivos mais do que válidos para terem fechado com chave de ouro esta primeira edição do The Skull Room Rockfest (que devia ter acontecido em Março do ano passado…). Material novo e formação nova, uma vez que era também a primeira vez que Pedro Pereira (bateria) e Vasco Pereira (baixo) subiam ao palco com a banda – o último apenas com “meia dúzia de ensaios” na bagagem. The Insane Slave tocou a vertente mais indie da noite e temas como “Ghosts Of Fire”, “Son Of The Road” ou “Streets Of Oporto” (a última) prometem um grande álbum dentro do género.

Texto e fotos Renata Lino
Agradecimentos The Skull Room Rockfest


 

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