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WOM Report – Uncle Acid and the Deadbeats, Dirty Sound Magnet, Madmess @ LAV – Lisboa Ao Vivo, Lisboa – 12.06.26

Em plena noite de Santo António, enquanto a cidade de Lisboa se preparava para marchas, arraiais e sardinha no pão, o Lisboa ao Vivo estava reservado para um cardápio de rock psicadélico encabeçado pelos Uncle Acid and the Deadbeats. A banda britânica nunca tinha tocado em Lisboa, sendo que a última passagem por Portugal fora há dez anos no Sonic Blast. Razões de sobra para gerar expectativa sobre este concerto.

Com o calor que se fazia sentir uma boa parte do público encontrava-se do lado de fora da sala, e começou a entrar quando os Madmess tocaram as primeiras notas de “Death by Astonishment”, o tema de abertura. Um concerto em que o mais recente “The Third Coming” esteve em destaque, com a banda portuense a mostrar o seu rock psicadélico carregado de elementos progressivos. Uma prestação de grande qualidade, carregada de sentimento, especialmente ao longo das seções instrumentais que iam passando por tons de blues, doom e prog. A preparar o novo álbum de originais, os Madmess tocaram pela primeira vez ao vivo uma das novas músicas, “Wrinkle in Time”. A abrir com um tema melódico que transita para um riff forte e doomy, e um final apoteótico e pesado, foi uma boa estreia e um dos melhores momentos do concerto. Um bom augúrio para este novo trabalho. A terminar ficaria “Stargazer” mais um excelente tema carregado de groove e momentos progressivos que ocasionalmente lembraram uns Yes.

Seguiam-se os Dirty Sound Magnet. Vindos da Suíça, o coletivo apresentava no LAV o novo trabalho “Me and My Shadow” lançado este ano. Tal como as restantes propostas da noite os Dirty Sound Magnet situam-se no universo do rock psicadélico, mas a sonoridade blues está numa posição de destaque. Isto seria facilmente audível nas primeiras notas de guitarra de “Power of This Song”, tema com que abriram. Com apenas quarenta minutos para tocar, o trio colocou o novo trabalho em destaque no início do concerto, seguindo com “Dead Inside” carregado de groove que animou o público, e a teatral “Calypso”, o tema mais longo que a banda tocou. O sentimento do blues foi uma constante na música dos Dirty Sound Magnet, com as partes instrumentais frequentemente povoadas solos de guitarra que merecem destaque. O vocalista e guitarrista Stavros Dzodzos era o membro mais irreverente da banda na forma como se ia movendo em palco, mostrando-se também muito comunicativo com o público e apresentando cada música. Na ponta final voltaram atrás no catálogo com “Skull Drawing Rose”, uma música emocional, com momentos funky, que foi um dos destaques do concerto. Para a despedida ficaria “Mr. Robert” o tema mais blues da noite, com um belo solo carregado de sentimento.

Com o aproximar da hora era palpável a expectativa enquanto o público se ia colocando em posição numa sala cheia e quente. As luzes apagaram-se, e depois de uma intro começou-se a ouvir “Mt. Abraxas”, o riff lacônico inicial, a levar a uma secção mais luminosa carregada de groove. Uma forma perfeita de iniciar esta viagem. Seguiríamos com o riff “sabbathiano” de “Waiting for Blood”, que leva a um headbang obrigatório, continuando com outro dos destaques da noite, “Death’s Door”, mais um grande riff que o público entoou de forma audível. Ao longo de hora e meia a banda britânica conseguiu fazer um bom encapsulamento de toda a carreira com uma setlist bem escolhida. Em palco, o fumo e as luzes soturnas, iam dando um ar intimista e de mistério, que combinava com o imaginário de terror e oculto que a banda explora. Alinhado igualmente com a sonoridade que une doom e rock psicadélico com a influência e espírito dos inícios do metal, do final dos anos 60 no plano central.

A cinematográfica “Bedouin” levaria até ao regresso ao primeiro álbum com “Crystal Spiders”, mais um festival de riffs e fuzz, com muito headbang à mistura. Continuaram com a nova proposta da banda, “Don’t Let It Control You”, um single lançado este ano. Um tema rápido, com uma sonoridade rock and roll, e que facilmente fica na cabeça. O mesmo pode ser dito dos temas que deram continuação ao concerto, “Pusher Man” e “Melody Lane”, com mais dois riffs memoráveis. A boa qualidade de som na sala, dava corpo e densidade à música, permitindo apreciar a grande prestação da banda. Os Uncle Acid and the Deadbeats são claramente um daqueles exemplos em que a música ganha uma nova intensidade e energia ao vivo. Os temas iam-se seguindo a bom ritmo, sem a banda tirar nenhum momento para um discurso mais longo, além do ocasional cumprimento à sala. Não era necessário, no entanto. A postura e interação da banda ao longo das músicas, dava a proximidade necessária com um público, que se mostrou entusiasta desde o primeiro momento, e apesar do calor, estava bem energético.


A chegar à reta final do concerto, dois momentos a recuperar o lado mais cinematográfico da banda, com a ambiental “Slow Death”, e “Solo la morte ti ammanetta”. Daqui chegaríamos a um dos melhores momentos da noite com “I’ll Cut You Down”. Era claramente também um dos mais ansiados pelo público, com muito movimento na audiência a começar assim que o excelente riff arrancou. Houve até direito a um crowdsurf. “No Return” marcaria a despedida da banda. Esta passagem dos Uncle Acid and the Deadbeats por Lisboa, acabaria por ser tudo o que se poderia desejar. Uma excelente prestação da banda, ambiente fantástico. Uma grande noite de rock.

Texto por Filipe Ferreira
Fotos por Filipa Nunes
Agradecimentos Garboyl Lives / Sonic Blast

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