WOM Reviews – Abramelin / Sarmat / Withered / Nivatakavachas / Beyond Grace / Gravepath / Horripilant / Carnivorate

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Abramelin – “Never Enough Snuff”

2020/2021 – Petrichor

Nome (e logo) reconhecível do metal extremo australiano, os Abramelin acabaram pouco depois da passagem para o novo milénio quase sem pompa e circunstância, após dois álbuns. O regresso aconteceu em 2016 mas só se materializou o ano passado – de forma independente e agora reeditado pela Petrichor. Death metal bruto e bastante inspirado que faz com que seja, ao contrário de outros, um regresso que  dá gosto e valida-se a si mesmo pelo poder e potência de dez malhas. Não vou dizer que supera a estreia auto-intitulada, porque é um trabalho que não está preso às condicionantes técnicas ou criativas do passado e torna-se bastante complicado comparar clássicos com algo que é feito mais de vinte anos depois, mas anda bastante perto de ser o melhor álbum da banda. Seja como for, bem vindos de volta!

9/10
Fernando Ferreira

Sarmat – “RS-28”

2021 – Edição De Autor

Cada vez mais respeito para com as bandas que decidem seguir o seu próprio caminho, algo que não é fácil de fazer e que poderá ser o fim do início quando as coisas não correm bem – e é tão fácil as coisas não correrem bem principalmente agora neste momento tão sensível para as artes em geral e a música em particular. Alheios a tudo isso os polacos Sarmat lançam o seu álbum de estreia e o seu black/death metal é poderoso o suficiente para que fiquemos impressionados. Como referências é impossível não pensar nos seus conterrâneos Hate ou Behemoth mas sente-se também um cunho pessoal. Dinâmico e com melodias interessantes – onde o groove metálico se sobressai, esta é uma estreia valorosa recomendada e a prova que ninguém precisava de como há muitas bandas boas a lançar álbuns em edição de autor. Sendo cedo para dizer, fica a ideia de que podeerão ser um dos grandes da Polónia no black/death metal.

8.5/10
Fernando Ferreira

Withered – “Verloren”

2021 – Season Of Mist Underground Activists

Tanto tempo passou (cinco anos) que quase que nos esquecíamos dos Withered. Quase, porque assim que “Verloren” começa a soar, foi como se nunca tivessem estado ausentes. A mistura muito própria entre death metal e a negritude do black metal – que acaba por não ser representado nas letras do grupo. Desesperança, frustração e raiva são as principais armas de arremesso, algo cujo principal veículo nem vem da parte das letras e sim da música. Armas eficazes. Nota para a curiosidade noise de “Passing Through”, que poderá indicar novos caminhos mais experimentais para o futuro criativo da banda. Seja como for, e desde que não estejam mais cinco anos ausentes, é um regresso que se aplaude de pé.

8.5/10
Fernando Ferreira

Nivatakavachas – “Ascraedunum”

2021 – Satanath

One-man band suiça por parte de  Bornyhake (que tem outros cento e quinhentos projectos) e também um novo difícil de memorizar para caraças. O que anima é mesmo ser um death metal épico e difícil de absorver. “Espera lá”, poderão pensar, “como é que ser difícil de absorver?” Bem, death metal já não é um mistério (nunca foi, mas pronto, vamos falar para a generalidade da população e não apenas fãs do género) e tem de certa forma regras e convenções muito específicas. Que acabam por ser distorcidas ao materializar-se em três longas faixas que compõem ” Ascraedunum”, tornando-o refrescante para quem esperava mais do mesmo. Apesar de pouco passar da meia hora, não se sente a necessidade de termos mais um tema mesmo que curto. Tudo está como deveria estar e o final é um álbum denso de death metal mas que se consegue absorver aos poucos. Um pouco de cada vez. Cada vez mais.

8/10
Fernando Ferreira

Beyond Grace – “Our Kingdom Undone”

2021 – Prosthetic

Regresso dos britânicos Beyond Grace, um dos rostos do novo death metal inglês. A primeira coisa a reparar é na excelente capa, evidenciando um cuidado pela arte gráfica que se amplia ao som. Falamos de death metal, mas este é uma vertente peculiar. Técnica, intricada e também bastantes melodias dissonantes. Poderá parecer descabido mas existem duas abordagens, principalmente, que surgem. A primeira é a do black metal dissonante tipicamente francês. A segunda é aqueles tiques que os Meshuggah tinham sobretudo no primeiro álbum. Juntando-se a isso solos de elevado teor (e bom gosto) melódico e a uma capacidade de manter o interesse do ouvinte, há boas perspectivas para esta banda.

7.5/10
Fernando Ferreira

Gravepath – “Negative Of A Man/Wasting Away”

2021 – Edição de Autor

Os Gravepath iniciam o seu caminho com dois temas que trazem um misto de death e sludge metal, onde a simplicidade e o peso se fundem da melhor maneira. A banda de Belfast dedica este trabalho Paddy McGowan, o baterista da banda que gravou os dois temas mas que infelizmente já não está entre nós. Algo que marca para sempre a história de uma banda e poderá muito bem até acabar com a mesma. Fica o testemunho e a indicação de que se a banda continuar, só fará o seu companheiro caído em combate orgulhoso. A simplicidade do death metal poderá ser algo que já vimos muitas vezes no passado mas quando bem feito, nunca enjoa.

7/10 
Fernando Ferreira

Horripilant – “Embrace The Obsession”

2020 – Black Seed Productions

Primeiro EP dos Horripilant que não surpreende quem pela capa já está à espera de death metal, ainda que a mesma tenha algum cariz blasfemo. Não surpreende pelo género mas surpreende pela qualidade ainda que demore algum tempo a ficar dessa opinião. Old school em várias vertentes, “Embrace The Obsession” é composto por quatro temas que vão buscar as referências primordiais do género mas apresenta-as de forma original e muito sua – sempre com devidas reservas conforme se usa o termo “original” estando a falar de death metal. Sem grandes rasgos de brilhantismo, é um álbum sólido que garante o interesse de quem aprecia o estilo, garantindo também que esta é uma banda que vale a pena acompanhar daqui para a frente.

7/10
Fernando Ferreira

Carnivorate – “Formidable Perceptive”

2021 – Edição de Autor

Tenho de começar pela declaração e passo a citar, “Carnivorate não usa e não apoia qualquer tipo de programação de bateria”. Destaco esta frase precisamente por se tratar uma one-man band de death/grind gore e pelas one-man bands normalmente serem adeptas do uso de bateria programadas. Alexander Webb é o músico responsável por tudo aquilo que ouvimos. Infelizmente os pontos ganhos por tocar na bateria não são suficientes para conseguir apreciar este terceiro álbum de forma descansada. Isto pela falta crónica de dinâmicas. Não conhecendo a sonoridade da banda fora daqui, devo dizer que o som torna-se saturante após algumas músicas. As guitarras mostram alguns pormenores interessantes mas é o timbre que mata o entusiasmo. A voz também traz aquele ar underground da passagem do milénio – principalmente no contingente asiático – assim como o som da bateria. Soa tudo algo previsível e que poderia ter algum impacto mais de vinte anos atrás. Agora, infelizmente, não convence.

4/10
Fernando Ferreira

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