WOM Reviews – Aerodyne / Helloween / Blind Guardian / Mystic Prophecy / Running Wild / Molly Hatchet / Mad-Era

Aerodyne – “Damnation”

2019 – Rock On Angels Records

Apesar de ser o segundo álbum, os suecos Aerodyne surgem-nos como uma surpresa. Também, em nossa defesa, a banda só tem três anos, no entanto, o poder hard’n’heavy apresentado aqui só está sem dúvida ao alcance de uns veteranos. É difícil hoje em dia explicar este tipo de álbum e som, que claramente vai buscar inspiração ao que já foi feito na década de oitenta, sem que do outro lado se fique a pensar de que é mais um igual a tantos outros de agora que andam a imitar tantos outros de há trinta anos atrás. Não negando a existência desse tipo de banda, “Damnation” é um álbum que apesar de inspirado em algo bastante específico, soa fresco e honesto. E quanto a isso, batatas, não há nada a fazer. Quem gosta de heavy metal, não vai encontrar defeitos.

Nota 9/10
Review por Fernando Ferreira


Helloween – “United Alive In Madrid”

2019 – Nuclear Blast Records

Quando a banda anunciou a tour desta reunião (parcial porque ficarão de fora Uli Kush e Roland Grapow, pelos motivos que já são mais ou menos conhecidos e que a banda não deixa esmiuçar muito) era previsível que saísse cá para fora um álbum ao vivo. E como estivemos presentes na passagem pela banda por Lisboa, sabemos bem como vale a pena. Em temos de alinhamento, não é propriamente uma surpresa já que temos aqui o alinhamento bastante semelhante do concerto que vimos, que é à semelhança de toda a digressão. Vários momentos de interesse, logo desde o início com o épico “Halloween” assim como a conjugação dos membros mais antigos (Kai Hansen e Michael Kiske) em músicas posteriores à sua saída da banda como “If I Could Fly” e “Are You Metal”, só para citar dois casos. Ao que tudo indica no entanto, a versão que está à venda, vem com um terceiro disco que inclui quatro temas que não temos nesta promo, que são “March Of Time”, “Kids Of The Century”, “Why” e “Pumpkins United”. Independentemente disso, só pelo factor histórico, só pela qualidade da banda, da música e do espectáculo, isto é algo que merece ser guardado na audioteca de qualquer fã que se preze.

Nota 9/10
Review por Fernando Ferreira


Blind Guardian – “Twilight Orchestra: Legacy Of The Dark Lands”

2019 – Nuclear Blast

A reacção a este álbum é o retrato perfeito dos tempos em que vivemos. Porquê? Já explico. Para quem não sabe, este é um trabalho que a banda já estava a planear há muitos anose aqui por banda referimo-nos mais concretamente a André Olbrich como compositor e Hansi Kürsch como vocalista. Apesar de já terem saído alguns singles, é impressionante encontrar aqueles que ainda ficaram surpreendidos pelo facto de não ter qualquer tipo de guitarras (ou qualquer elemento) para além da voz de Kürsch e do estilo bombástico de Olbrich que, de certa forma, está perceptível nas várias linhas de diferentes instrumentos.  O que infelizmente não é assim tão estranho tendo em conta que actualmente a vida corre tão rápido – ou o nosso défice de atenção é tão baixo – nem sequer nos deparamos com aquilo que é óbvio: este não é um álbum normal dos Blind Guardian. Aliás o único ponto de ligação é mesmo a voz e os tais tiques Blind Guardianos aqui e ali. No entanto, eu percebo. Ao ouvir a voz de Kürsch, é inevitável esperar-se sempre algo bombástico. Metalicamente falando. Para quem é fã de bandas sonoras, o que temos é algo bastante parecido, com um impacto semelhante, excepto pelo facto de não termos imagens associadas a não ser aquelas que nos surgem. Grandioso e majestoso, este é um trabalho que acreditamos que não fará sucesso entre os fãs para além da mera curiosidade, mas que tem um enorme valor em si. Pela coragem de o fazer e por se sentir que é mais um item riscado na bucket list da banda.

Nota 7.5/10
Review por Fernando Ferreira


Phil Campbell – “Old Lions Still Roar”

2019 – Nuclear Blast

Este tipo de álbuns acarretam sempre um risco. Termos um nom sonante que reúne uma série de artistas diferentes em seu redor. A coisa pode realmente resultar ou então poderá parecer que temos uma manta de retalhos. Mesmo quando resulta – casos como os projectos como Avantasia e Ayreon – fica-se sempre com a sensação de que se está a ouvir uma compilação. Essa é a principal característica do que podemos ouvir nestes dez temas, onde por vezes nem mesmo a guitarra de Phil é a ligação – temos que admitir que a sonoridade que estamos habituados a ouvir da guitarra de Campbell é Motörhead. No lado positivo, temos um bom álbim de hard’n’heavy que agrada quem goste do estilo minimamente. O que nos leva a concluir que poderá não ser um clássico, até pode ser esquecido pelo tempo, no entanto, para quem quer rockar agora como gente grande, cumpre a sua função.​

Nota 7/10
Review por Fernando Ferreira


Mystic Prophecy – “Metal Division”

2019 – Rock Of Angels Records

Esta é uma daquelas bandas pela qual confesso que não consigo ser imparcial. Apesar de não acompanhar a banda dos seus primórdios, assim que os fiquei a conhecer, foi amor à primeira vista. Uma mistura fantástica entre heavy, power e thrash metal que faz com que seja refrescante e poderoso ao mesmo tempo. Após o álbum de covers (excelente, relembro) de 2017, a banda volta com um álbum de originais cheio de malhonas poderosas que elevam o estilo ao seu melhor e a integração do guitarrista Evan K na guitarra solo foi a melhor. Regresso em grande!

Nota 8.5/10
Review por Fernando Ferreira


Running Wild – “Crossing The Blades”

2019 – Steamhammer / SPV

Running Wild é um daqueles nomes clássicos cujo regresso não nos deixou particularmente entusiasmados. Ou melhor, o produto do seu regresso, já que é uma banda histórica de power metal alemão que tem um lugar reservado na história do género sem dificuldades. No entanto, quer os seus últimos álbuns antes de cessarem funções quer aqueles que editaram posteriormente ao regresso não são propriamente memoráveis. Ainda assim, não deixamos de sentir curiosaidade por mais nova música, principalmente por esta apresentar uma nova formação, com uma nova secção rítmica. Ora bem, com apenas três temas e uma cover (“Strutter” dos Kiss) não conseguimos ter uma percepção muito grande em relação ao futuro, mas em relação aos temas em si, temos o metal tradicional típico da banda, que se evidencia em boa forma. Deixa-nos igualmente expectável em relação ao (eventual) próximo álbum.

Nota 8/10
Review por Fernando Ferreira


Molly Hatchet – “Battleground”

2019 – Steamhammer / SPV

Os Molly Hatchet faziam-me muita confusão. Pelo menos aquando o meu crescimento musical. Primeiro tinham umas capas do mais metal que podia haver e depois tocavam southern rock. Dois coisas que na minha mente ainda verde não combinavam. Quer dizer, ainda não combinam, mas isso não vem agora para o caso. “Battleground” foi em vários concertos e deixa claro aquilo que apenas os que não vivem na Terra não sabem: esta é uma banda que vive e respira em cima de um palco. Rock de grande classe distribuído em dois discos onde estão presentes os seus maiores clássicos. É certo que a banda hoje em dia é bastante diferente daquela que se conheceu no topo de forma na década de oitenta, mas a classe do rock sulista continua a estar presente.

Nota 8/10
Review por Fernando Ferreira


Mad-Era – “Electricmegablack”

2019 – Edição de Autor

Confesso que este é o meu primeiro contacto com a banda espanhola mas os Mad-Era dão vontade de ir pesquisar o seu álbum de estreia (este é o seu segundo). Trazem um heavy metal bem poderoso e algo moderno (se calhar dizer que é industrial é exagerado mas é por esse caminho que seguem). Riffs fortes casam bem com melodias memoráveis. Riffs tão fortes que por vezes quase parece que estamos perante uma proposta de thrash mais groove. Quase. Nos tempos de hoje é complicado discernir o que estamos bem a ouvir. As fronteiras estão cada vez mais difusas por isso vamos tornar as coisas bastante simples: é bom. É memorável, os temas ficam na memória e dá-nos vontade de voltar a ouvir. E não precisamos de mais. Seja com ou sem tendências modernas.

Nota 8.5/10
Review por Fernando Ferreira


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