WOM Reviews – Strigoi / Exomortis / Blood Eagle / Blood Incantation / Teeth / Gatecreeper

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Strigoi – “Abandon All Faith”

2019 – Nuclear Blast

A vida dá mesmo voltas engraçadas. Quem diria que no início da década passada, Gregor Mackintosh andava por caminhos electrónicos com os seus Paradise Lost e que nesta década, a par da sua banda de sempre, iria por caminhos mais extremos, primeiro com os Vallenfyre e agora com os Strigoi, uma espécie de sequela desse projecto. Produção bem forte, death metal clássico ainda que bruto e por vezes próximo do crust são as suas maiores armas. Se formos a ver até nem temos nada de extraordinário. Afinal o death metal não encerra assim grandes segredos para os mortais. No entanto, este conjunto de canções que começam por não nos impressionar por esperarmos a reinvenção da roda acabam por nos cativar precisamente pela sua simplicidade. “Abandon All Faith” poderá não se destacar de tudo o que saiu dentro do death metal. E até nem mesmo em relação ao impacto de Vallenfyre, mas é sem dúvida um bicho que se infiltra e cresce dentro de nós.

Nota: 8.5/10
Review por Fernando Ferreira

Exomortis – “Exomortis”

2019 – Bone Saw Entertainment / Firecum Records

Há coisas do diabo. A prova de que as coisas no metal funcionam de forma diferente, não deixa de ser curioso encontrarmos um álbum de estreia que foi gravado mas que ficou guardado na gaveta durante vinte e três anos e que só agora vê a luz do dia. É caso para dizer, mais vale tar que nunca. O ano de 1996 foi um ano especial para o metal, com o lançamento de muitas das obras que ficaram na história pelo seu arrojo e qualidade. E também foi a data que este álbum foi registado, em Tomar. Esta edição é um trabalho que apesar do tempo que tem em cima, não perdeu nenhum do seu encanto. É possível encaixá-lo perfeitamente no período em questão mas soa-nos cheio de vitalidade e poder, com um death/thrash metal apaixonante. Dá-nos que pensar… porque raio terão guardado isto na gaveta?! Resta dizer que a Bone Saw tem com este laçamento o início de uma nova série intitulada “Storms From The Past” que visa recuperar trabalhos que foram gravados mas nunca lançados. Se forem todos com esta qualidade, venham eles!

Nota 8/10
Review por Fernando Ferreira

Blood Eagle – “To Ride In Blood & Bathe In Greed I”

2019 – Nuclear Blast

Primeiro de dois Eps que reapresentam os dinamarqueses Blood Eagle ao público após a banda ter editado o seu EP de estreia “Kill Your Tyrants”, tema que seria regravado na segunda parte que poderão ler neste mesmo artigo. Há a referência a Bold Thrower e temos alguns leads interessantes, principalmente no tema “Feed On The Blood Of Man”, um dos mais interessantes. São apenas nove minutos mas são os suficientes para ficarmos com alguma expectativa em relação ao futuro.

Nota: 8/10
Review por Fernando Ferreira

Blood Eagle – “To Ride In Blood & Bathe In Greed II”

2019 – Nuclear Blast 

Nesta segunda parte, editada um mês após a primeira, a banda mostra-nos mais um pouco do seu death metal compassado mas que não é menos explosivo por causa disso. Quatro temas curtos (exceptuando o primeiro que ronda os cinco minutos) aos quais temos aquela sonoridade cheia de gravilha do death metal sueco mas que parece que lhe falta algum poder de dinâmica, parecendo algo próximo de uns Bolt Thrower mas sem solos de guitarra – o que dá sempre um colorido interessante. Não tem um impacto tão grande como a primeira parte mas seja como for, e como preparação para o álbum de estreia, resulta em manter-nos interessados.

Nota 7/10
Review por Fernando Ferreira

Blood Eagle – “To Ride In Blood & Bathe In Greed III”

2019 – Nuclear Blast Records

Como não há duas sem três, aqui está o terceiro EP dos dinamarqueses Blood Eagle lançado no espaço de três meses. Uma opção algo inédita mas talvez fruto dos tempos em que o conceito de álbum está cada vez mais desvalorizado quando a tendência é ouvir músicas soltas. Ainda assim, não deixa de ser questionável esta opção em vez de juntarem os nove temas lançados nos três Eps num só álbum. Quanto à música em si, continuamos a ter aquela abordagem ao death metal que na forma parece ser uma mistura entre o som sueco e a fórmula holandesa e que resulta muito bem. Neste caso, a dinâmica “Worship The Wolf” é mesmo o ponto alto. Será que ficamos por aqui?

Nota: 8/10
Review por Fernando Ferreira

Blood Incantation – “Hidden History Of The Human Race”

2019 – Dark Descent Records

Os Blood Incantation são uma banda diferente. Não me refiro propriamente ao facto de lançarem este álbum com apenas quatro temas, bem mesmo da capa old school. Falo mesmo da sua sonoridade, que é estranha. É death metal, sem espinhas, mas é estranho. Não queria dar muito ênfase à palavra experimental porque não é realmente nada de extraordinariamente diferente de tudo o que já vimos, mas são soluções pouco comuns no que à atmosfera diz respeito. Isso e, claro, o tema final – “Awakening From The Dream Of Existence To The Multidimensional Nature Of Our Reality (Mirror Of The Soul)” uma autêntica viagem de vinte minutos. Não sendo o trabalho que dará nas vistas aos fãs dos death metal, todos os que gostam de música pouco comum, têm aqui um prato cheio de coisas boas.

Nota 8/10
Review por Fernando Ferreira

Teeth – “The Curse of Entropy”

2019 – Dark Essence Records

Com o seu primeiro lançamento em 2014, os Teeth são uma banda americana de death metal relativamente extremo que apresenta agora o seu segundo álbum, The Curse of Entropy. A começar pelo estilo da banda: apesar de todos os instrumentos seguirem uma lógica assente no death metal dito “normal”, o vocal opta por uma via que se alinha mais na lógica de brutal death. Por outras palavras, se alguém possuir uma máquina Enigma que depois me envie para descodificar a parte lírica deste álbum. Apesar de não ser grande fã deste estilo de vocal, a verdade é que neste álbum acenta como uma luva por alguma razão que sinceramente me é desconhecida. Assim sendo, o álbum é caracterizado pela sua agressividade minimamente ágil e não muito repetitiva que abandona todas as belezas a troco do maior impacto possível sem se chegar a tornar “barulhenta”. Continua a ser um álbum que que requer um pedaço de estomago para ouvir, mas a verdade também é que a sua apreciação é possível mesmo não sendo um fanático de peso e de vocal completamente rugido/regurgitado, nem que seja só pela brutalidade controlada que demonstra e pela completa remoção de qualquer tipo de melodia da peça. Dito isto, é uma peça acessível sendo que para os mais habituados ao peso pode ser muito melhor do que foi para mim.

Nota: 7/10
Review por Matias Melim

Gatecreeper – “Deserted”

2019 – Relapse Records

Começaram em 2013 mas desde então que não têm parado, personificando o espírito do underground, com vários lançamentos ao longo dos anos. Nos álbuns, no entanto, “Deserted” é apenas o segundo, seguindo assim a “Sonoran Depravation” de 2016. Alguma crítica ficou decepcionada com este álbum – também não ficando agradada com o primeiro, deito-me a adivinhar – que não traz de novo. E é verdade, não traz. O death metal dos norte-americanos até traz algum bolor, daquele típico de quando se guarda qualquer coisa e só se pega anos depois. Mas é um cheiro agradável, sueco. Claro que é para que gosta desse tipo de coisa, porque se não se gostava desse cheiro na década noventa, não é agora que ele vai ficar melhor. Com isto tido, “Deserted” pode não deslumbrar, nem trazer nada de novo, mas traz-nos aquilo que queremos ouvir.

Nota 8/10
Review por Fernando Ferreira

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