WOM Reviews – Black Funeral / Funeral Harvest / Varathron / A Forest Of Dreams / Sørgelig / Black Beast / Arallu / Crépuscule D’Hiver

WOM Reviews - Black Funeral / Funeral Harvest / Varathron / A Forest Of Dreams / Sørgelig / Black Beast / Arallu / Crépuscule D'Hiver

Black Funeral – "Scourge of Lamashtu"

2020 – Iron Bonehead

Os Black Funeral são das bandas Norte-americanas que há mais anos segue o Caminho da Mão Esquerda, musical e liricamente, extravasando um Black Metal muito particular. Apartados de modas e clichés, tão em voga no Black Metal mundial, mantém a sua visão do mesmo, assente nas mecânicas pelas quais enveredam desde o primeiro lançamento em 1994 (“Journeys into Horizons Lost”). O recurso a teclas persiste, criando ambiências e momentos que os distinguem de muita da “concorrência”. Numa altura em que mais e mais músicos optam por recorrer a teclas com vista a engrandecer o seu som, os Black Funeral vêm mostrar como efectivamente se incorpora o referido instrumento numa malha de ambientes húmidos e decadentes. “Scourge of Lamashtu” é já o 10.º álbum deste trio, que não cede uma grama de suor e sangue em prol do Black Metal. Uma produção limpa q.b. para que se consiga “ver” a linha que os temas levam, mas suja o bastante para que as ambiências nos tomem pela força. Azgorh Drakenhof (Drowning the Light e muitas mais encarnações de Black Metal), guia a entidade por entre a neblina e a tempestade, oferecendo a sua visão de melodia e “escura doçura” às guitarras, estruturando a bases dos temas… que com o recurso a teclas, crescem e crescem. Não apresentando algo de novo, agradará a todos nós, aqueles que temos uma particular visão do género, oferecendo-nos imagens que facilmente encontrariamos na Transilvânia.

8/10
Daniel Pinheiro

Funeral Harvest – " Funeral Harvest"

2020 – Signal Rex

A Noruega será sempre vista como o berço do Black Metal, ou pelo menos do Black Metal como o concebemos no séc. XXI, certo? Certo. Quer se considere, ou não, que a cena norueguesa foi fundamental na solidificação do género, isso já são outros 300, como se diz em Portugal. De qualquer modo, a Noruega nunca deixou de criar bom Black Metal, ainda que muitas vezes à sombra daqueles que “pegaram fogo” à mesma, nos anos 90. Formados em 2016, “Funeral Harvest” é o resultado, em EP, do trabalho de músicos noruegueses e italianos. Cada tema um ritual, cada rito um passo em frente na evolução do indivíduo. Assente numa base teológica, “Funeral Harvest” surge após uma Demo – “Bunker Ritual Rehearsal”, de 2017 – e um single, em 2019 – ” Ostende Nobis, Domine Sathanas, Potentiam Tuam”. A influência dos anos 90, na Noruega, esperava-se que estivesse mais presente, mas o colectivo não se deixa arrastar para a fórmula repetida até à exaustão, optando por mergulhar fundo numa escuridão ritualista e hipnótica visão da Black Metal. Imerso em melodia soturna, cada tema arrasta-nos um pouco mais profundo num oceano de sangue e derrota. Black Metal dos 90 com detalhes contemporâneos. A motivação necessária para a insistência na evolução! 4 temas repletos de fúria e agressividade, melodia e fluidez!

8/10
Daniel Pinheiro

Varathron – “Glorification Under The Latin Moon”

2020 – Agonia Records

Apesar dos Varathron term sido vistos durante muito tempo como uma espécie de banda semelhante aos Rotting Christ, o seu trabalho sempre mostrou uma personalidade muito própria apesar das semelhanças com os seus compatriotas. A provar o impacto da banda no underground temos aqui este lançamento ao vivo registado no ano passado, no Brasil – quando ainda haviam concertos – a servir de comemoração do trigésimo aniversário da sua carreira e tentando capturar grande parte da carreira da banda sobretudo o álbum “His Majesty At The Swamp” que é tocado por inteiro. O som é algo rústico mas até nos dá mais a sensação de estarmos na década de noventa e acaba por ter um encanto próprio. Uma excelente forma de comemorar a carreira da banda.

8/10
Fernando Ferreira

A Forest Of Dreams – “Sacrum Terram”

2020 – Edição de Autor

Poucos meses após o lançamento da estreia, o projecto de Mário Rodrigues (Karbonsoul e Cavemaster) é revitalizado e reimaginado, deixando parcialmente de lado as tendências mais ambient e assumindo uma costela bem mais black metal, ainda que atmosférico. Sintra continua omnipresente no conceito da música e isso é palpável em todos os momentos. De assinalar a participação de Vulturius (Irae e Decayed, entre outros) na voz e de Paul Bucho (também ele nos Cavemaster e Magnólia) na bateria do tema “Eterno Lamento”. Apesar da mudança de orientação ser bem vinda, como um álbum não será um trabalho tão imediato como a estreia. É, todavia, capaz de nos intrigar e deixar em suspenso para o futuro, assim como também ir crescendo com mais audições.

7.5/10
Fernando Ferreira

Sørgelig – "Devoted to Nothingness"

2020 – Nihilstische Klankunst

Quando pensamos em Grécia e Black Metal, rapidamente nos vêm à mente nomes como Rotting Christ, Necromantia, Thou Art Lord ou Varathron… estes, e outros, conceberam um som muito particular e característico da região geográfica de origem. Nesse som carregavam – e carregam – a expressão sonora de uma História de séculos, carregada de simbolismo e alma. Tão marcante foi a sua criação, que esse mesmo som se tornou sinónimo de Grécia. Anos e anos passaram, o género evolui, regrediu, mutou-se e adaptou-se. Ramificações surgiram, originadas por aqueles que não se reviam totalmente na sonoridade dos seus “antepassados”, e assim sendo, novas linhas evolutivas tomaram a sua posição na árvore geneológica do Black Metal Helénico. Do ritualismo ocultista de uns Acherontas, ao Black Death Metal dos orquestrais Septic Flesh, surgem um sem número de realidades inseridas na terra fertilizada pelo Black Metal dos anos 90. Nomes como Dødsferd ou Leeches, saídos das mesmas mentes, entidades apartadas. E eis que nos é dada, qual oferenda, nova criação: Sørgelig e o seu “Devoted to Nothingness”, editado em 2019 pela Les Fleurs du Mal Productions. Formados em 2017, o agora quinteto tem aqui uma demonstração de força, crua e visceral. Na linha de muito do Raw Black Metal que nos tem sido apresentado – por vezes em excesso – nos últimos anos, estes gregos pegam na fórmula e, qual arquitecto grego, trabalham-na em busca de um peça adaptada à sua realidade. Não há uma cacofonia sonora, ainda que por vezes caiamos em poços, “distorcidos e àsperos”. Há melodia no fundo dos mesmos, há uma melodia encoberta por imensas camadas de terra e cadáveres, há desespero e infortúnio, há morte e perda. É claustrofóbico e acutilante. Há aqui algo que me remete para as LLN, quiçá a melodia, romantizada… de qualquer forma, para aqueles que apreciam um Black Metal mais escuro, cru mas melódico, terão aqui uma excelente aposta. De destacar as vocalizações angustiantes, envoltas em raiva e ódio! Adaptam-se perfeitamente a toda a estrutura do som destes gregos.

7/10
Daniel Pinheiro

Black Beast – “Nocturnal Bloodlust”

2019 – Edição de Autor

13 são os anos que separam este trabalho do último registo, um Split com Bloodhammer (“Unholy Finnish Black Horror Union”), mas notamos que a distância temporal não retirou a força nem a raiva que sempre fez parte do ADN destes Finlandeses.

E essa raiva está bem presente no trabalho de guitarras, na minha opinião o ponto forte deste álbum: há riffs melódicos – na esfera do Black Metal – há riffs mais Traditional Heavy Metal, há riffs que nos transportam para a cena Sueca e a sua melodia bem latente. Tão Sueco me soa que, em momentos, me transmitiu um feeling bastante “Watainano”, o que não é, de modo algum, mau!

A bateria marca um passo sempre bem consistente: fúria e força. Há pequenas nuances, como shifts de ritmo (“Your Cold Grave”) que oferecem ao álbum uma fluidez e uma não estagnção muito bem-vindas. As vocalizações são agradáveis, harmonizam-se bem com toda a construção musical.

“Words of Leviathan”, com os detalhes de ambiências, no background, dá à música uma outra aura, um outro “peso”. Há, ao longo de todo o trabalho, pequenos apontamentos que mudam, não só a fluidez do mesmo, mas o ritmo do tema e da força que se retira dos mesmos! “Unholy One”, lento, bateria bem marcada e a guiar o caminho, bons riffs de guitarra! Um bom exemplo da dinâmica e diversidade destes Finlandeses.

Overall é um conjunto de temas que não compromete, mas de igual modo não levará estes Black Beast ao mais alto topo do Black Metal mundial. Apresenta particularidades muito bem concebidas e muito bem colocadas – pequenas ambiências, por exemplo – , as vocalizações são bastante boas e o trabalho de guitarra deixa a sua marca, sendo este o ponto forte destes 9 temas – “Nocturnal Bloodlust” e o seu pequeno solo de guitarra.

Em jeito de (real) conclusão: é um bom regresso, sim, e estou curioso para ver que direcção tomam a partir daqui.

6/10 
Daniel Pinheiro

Arallu – “The War On The Wailing Wall”

1999/2020 – Essential Purification Rec.

Regresso ao passado, até 1999, ano em que foi editado o álbum de estreia dos israelitas Arallu, que juntavam ao black metal uma pitada de thrash (aqueles gritos à Tom Araya na “Angel Of Death” até arrepiam) e death metal. Composições simples mas sempre com o pé no pedal, este não é proprimanente um clássico da banda que, também em abono da verdade, evoluiu um bocado desde estes tempos, mas para os fãs, esta é uma forma de conseguir recuperar em vinil o álbum, ainda por cima com uma masterização ideal para o formato. Não sendo uma reedição desejada ou anseada, poderá ser uma boa forma de vermos algum do potencial da banda e como o mesmo se manifestou desde cedo.

6/10
Fernando Ferreira

Crépuscule D'Hiver – “Songes Hérétiques”

2020 – Les Acteurs de l’Ombre Productions

Primeiro álbum de originais da one-man band Crépuscule D’Hiver que nos traz black metal surge algo melódico e à boa maneira do underground da década de noventa, com aproximação ao dungeon synth em alguns momentos, cheio de momentos épicos. Apesar de já não ser tudo feito de forma digital, esse feeling não desapareceu, com a participação de N.K.L.S. (dos In Cauda Venenum) a Stuurm, o estratega mor do projecto. Aqui já temos bateria e baixo, mas como já disse, não há grandes diferenças no som. Boas ideias e toda uma aura que faz com que se tenha um impacto nostálgico imediato. Não será indicado para procura a agressividade do black metal. E tendo em conta que o factor melódico/épico nos remota a mais de vinte anos atrás, o interesse do público poderá estar limitado a um nicho. Concorrente ao trono dos Summoning se bem que os Summoning nunca lançaram uma música de vinte minutos. Ponto positivo pelo arrojo.

6/10
Fernando Ferreira

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.