WOM Reviews – Black Soul Horde / Xeque Mate / Majestica / Incursion / Stallion / Snowblind / Nightbreak / Hell Riders

WOM Reviews . Black Soul Horde / Xeque Mate / Majestica / Incursion / Stallion / Snowblind / Nightbreak / Hell Riders

Black Soul Horde – “Land Of Demise”

2020 – Edição de Autor

Pertencendo ao lote de bandas que lançam um álbum, desaparecem e depois voltam a aparecer com um segundo álbum de qualidade brutal, temos os gregos Black Soul Horde. Este “Land Of Demise” é um daqueles álbuns que consegue cativar logo à primeira qualquer fã de heavy metal tradicional. Uma simplicidade desarmante que se sustenta graças a uma  qualidade na sua música e nos seus temas. É um álbum relativamente curto mas que sabe muito bem chegar ao final e voltar a rodar mais uma vez. Da Grécia, heavy metal clássico e bem memorável.

9/10
Fernando Ferreira

Xeque Mate – “Em Nome do Pai, Do Filho… E Do Rock’N’Roll”

1985/2020 – Larvae 

Encaro este tipo de reedições como serviço público. Um pedaço de história da nossa cena da música pesada e que agora está novamente disponibilizado (em CD e cassete) para uma nova geração. Poderá soar algo datado – a abordagem vocal é algo que nos remete logo para a vaga de rock português que marcou a primeira metade da década de oitenta – mas a ingenuidade e a forma como estes temas conseguem ser eficazes mesmo após estes anos todos é sem dúvida especial. Algo tipicamente português, mas que se junta a outras influências como Accept, Scorpions, para criar algo especial e único. Sem dúvida que este é uma das reedições obrigatórios para os fãs de heavy metal nacional. Ou melhor, para os fãs do hard’n’heavy. Aquela “Ás do Volante” é um gema preciosa no meio de muitas outras.

8/10
Fernando Ferreira

Majestica – “A Christmas Carol”

2020 – Nuclear Blast

Confesso que não sou daqueles que se ofende quando bandas ou cantores começam a lançar músicas de natal (ou EPs) quando se aproxima a época festiva, no entanto, não quer dizer que tenha paciência infinita para esse tipo de coisa.  Foi portanto com cepticismo que abrodei este “A Christmas Carol”, um trabalho conceptual  baseado no clássico livro com o mesmo nome, sobre a transformação do coração do senhor Scrooge depois da visita dos três fantasmas. Cepticismo acrescido pelo o álbum de estreia lançado o ano passado, apesar de bom, não trouxe nada de realmente novo. Bem, não é desta feita que também vão trazer algo novo mas devo dizer que este trabalho cresceu de uma forma surpreendente. Os lugares comuns continuam cá mas não deixo de ficar impressionado com o poder vocal de Tommy Reinxeed (guitarrista dos Sabaton, aqui também vocalista) e pela forma como estas músicas consegue ressoar com aquilo  que faz parte da maior parte de todos nós que cresceram com esta história e com o espírito de natal a ser-nos  incutido em tudo o que nos rodeia.  A todos que apreciam a época e a história, é sem dúvida um álbum que vão apreciar. Nota ainda para as orquestrações que estão um verdadeiro luxo, elevando e muito este trabalho.

8/10
Fernando Ferreira

Incursion – “The Hunter”

2020 – Edição de Autor

Os Incursion são mais um exemplo de quando o metal quer, o metal encontra um caminho. Ou por outras palavras, nada permanece exactamente morto, nem que sejam necessárias quase quatro décadas. Trinta e cinco anos separam a primeira demo dos norte-americanos deste EP, mas ao ouvir estes temas, até se fica surpreendido pela positiva pela forma como a banda, sem deixar de soar fiel às suas raízes, também conseguem não soar datados. Heavy metal tradicional e forte, é o que trazem, um EP que nos deixa vontade de ouvir um álbum.

8/10
Fernando Ferreira

Stallion – “Christmatized”

2020 – Iron Bonehead Productions

Beast of Revelation é o novo projecto do vocalista John McEntee (Incantation) que conta ainda com a presença de Bob Bagchus (ex-Asphyx) na bateria e o baixista/guitarrista A.J. van Drenth (ex-Beyond Belief). ‘The Ancient Ritual of Death’ é o álbum de estreia do reconhecido trio, como uma sonoridade que junta numa insidiosa duplicidade o Doom com o Death Metal fazendo lembrar os primórdios de Paradise Lost ou mais recentemente os extintos Vallenfyre. Aos riffs arrastados, intrépidos e imponentes do Doom adensa-se a cavernosa, mórbida e monstruosa vocalização de John McEntee, fazendo de faixas como ‘The Great Tribulation’, ‘The Days of Vengeance’ ou o tema titulo ‘The Ancient Ritual of Death’ verdadeiros compassos de intensidade e brutalidade. ‘The Ancient Ritual of Death’ detém um impressionante e lento pulsar de peso e impetuosidade imperdível para quem aprecia este particular subgénero.

7/10
Jorge Pereira

Snowblind – “Holy Metal Spirit”

2020 – Sleaszy Rider Records

Os Snownblind já são uma banda veterana de heavy metal com alguns contornos a puxar ao death e ao gótico e este é o seu sexto álbum. A primeira coisa a assinalar é que a foto-manipulação da imagem escolhida para capa é fraquinha. A música felizmente é melhor. Há bom gosto nas melodias que remetem tanto para o imaginário de heavy metal tradicional como do metal gótico da década de noventa, como se fosse algo tão improvável como os Sentenced a tocar heavy metal. Poderá parecer uma mistura estranha mas resulta muito bem. Um dos pontos de venda é o facto de estar aqui membros (Mike G.) e ex-membros de Nightfall (Jim A.), mas penso que a música que traz fala por si própria.

7/10 
Fernando Ferreira

Nightbreak – “Wicked Angel”

2017 / 2020 – Sleaszy Ride Records

É 2020. É a resposta para muitas perguntas que aparentam não ter resposta. Como para a pergunta pelo motivo desta demo de 2017 ter sido agora reeditada. Independentemente da razão, esta reedição traz-nos mais alguns temas em relação à demo original e ainda uma cover da “Beat It” de Michael Jackson que acaba por ser o grande destaque daqui. A produção é crua mas tem feeling suficiente. A banda/projecto (já que só tem um membro fixo contando de resto com músicos de sessão) lançou o seu mais recente trabalho no ano passado e tem potencial. Veremos o que sai daqui.

6.5/10
Fernando Ferreira

Hell Riders – “First Race”

2020 – Volcano Records & Promotion

Ao primeiro disco, normalmente não se espera grande coisa, o problema é que actualmente começamos a ficar muito mal habituados e como tal, há sempre algo extraordinário que se espera que surja e nos arrebata. Não é preciso referir que isso nem sempre acontece, certo? “First Race” até tem um início forte com “Turbolizer”, um bom tema de heavy metal. Nada de revolucionário mas com garra. Essa garra, infelizmente dispersa-se um pouco nos temas seguintes. É inegável o amor desta banda italosuiça ao heavy metal tradicional, mas o entusiasmo nem sempre chega para que se consiga ter grandes resultados. Nem é a produção podre, que confesso ter um certo charme. É termos temas com potencial que não chegam a ser o que se desejaria e ter outros que estão um bocado abaixo da média. O resultado final não é mau, mas poderia ser melhor.

6/10
Fernando Ferreira

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