WOM Reviews – Chelsea Wolfe / Angélica Salvi / O Gajo / The Big Jazz Duo / Brian Cottrill / [B o l t] (& Lavas Magmas) / Nekrasov / Arkhaaik

Chelsea Wolfe – “Birth Of Violence”

Sargent House

O sucesso avassalador de “Hiss Spun” assim como também a sua carga pesada em termos metálicos fez com que Chelsea Wolfe tivesse chegado ao final do período de digressão completamente esgotada. Como inevitável artista que é, decidiu colocar a sua recuperação física e emocional sobre o novo trabalho, este “Birth Of Violence” que é um regresso ao folk com que começou a sua carreira. O resultado é simplesmente fantástico. O caracter emocional, obviamente que está presente mas mais do que ser um trabalho onde a emoção prevalece, o intimismo instrumental – e da própria natureza das canções e porque não daquilo que a vocalista faz por defeito – faz com que este seja um trabalho para respirar fundo e absorver. Onde os espaços vazios se tornam cheios e o inverso acontecer por inevitabilidade.

Nota 9/10
Review por Fernando Ferreira


Angélica Salvi – “Phantone”

Lovers & Lollypops

Que trabalho assombroso. Sei que é preguiçoso começar já desta forma, assim como confiar unicamente nos adjectivos para fazer uma análise isenta, no entanto, após ouvir “Phantone” uma série de vezes, torna-se uma tarefa demasiado complicada para não deixar a emoção tomar conta. Angélica Salvi é uma harpista espanhola que está a morar em Portugal há já alguns anos – mais concretamente no Porto – e tem aqui em seis temas (sete contando com o tema extra talvez disponível em apenas algumas edições) uma viagem às emoções do próprio ouvinte. O tempo perde o seu significado e fica-se à deriva, embalado pelas ondas, ainda que suaves, provocadas por temas como “Sinople”, “Wisteria” e “Indigo”. Muitos espaços vazios graças a se tratar de composições instrumentais apenas de harpa, mas ainda assim, há por aqui vida e alma que parece que não cabem nas colunas. Assombroso, como já tinha dito.

Nota 9.5/10
Fernando Ferreira


O Gajo – “As 4 Estações: Cais do Sodré”

Rastilho Records

O Gajo regressa com a sua terceira parte da quadrilogia “As 4 Estações”, “Cais do Sodré. Tal como anteriormente temos cinco temas instrumentais onde apenas a guitarra/viola campaniça brilha. Não temos nada de novo para dizer, em relação aos anteriores capítulos mas para não correr o risco de haver quem tenha falhado as últimas críticas, vou repetir o que já foi dito. A musicalidade destes temas é imenso, onde apenas um instrumento nos consegue transportar por um sentimento exclusivamente português através da sonoridade da campaniça. Para nos perdermos no tempo, não há nada melhor.

Nota 9/10
Fernando Ferreira


The Big Jazz Duo – “Scion – Soothsayer”

Edição de Autor

Confesso, que com este nome, não esperava ouvir a música que “Scion Soothsayer” nos traz. O que temos é death metal experimental, sinfónico e peculiar. De uma outra forma, esquisito, este é um som esquisito. A parte que mais impacto tem, logo de início, é a produção, algo comprimida e com a bateria a soar algo plástica, mas é uma questão de hábito porque a produção, a par da composição, acaba por crescer. Consta que este é o primeiro EP de dois, que estão ligados pelo mesmo conceito. A surpresa acaba por ser agradável de tal forma que ficamos a aguardar pelo segundo.

Nota 8/10
Fernando Ferreira


Brian Cottrill – “Through The Keyhole”

Edição de Autor

Trabalho surpreendente por parte de Brian Cottrill. Surpreendente porque apesar de ser um trabalho acústico a puxar ao folk (na sua essência é folk) traz-nos um pouco do feeling associado ao “novo” rock norte-americano, aquele a puxar ao punk dos filmes para adolescentes de uns anos atrás. Um trabalho despido, com apenas uma guitarra e uma voz (e ocasional harmónica, excepto na faixa bónus “Gates Of Venus” onde tem o resto dos instrumentos habituais, tocados todos pelo próprio Cottrill) que resulta para quer apenas algo calmo e relaxante para o final de dia. Admitamos que poderá não ser a primeira escolha para muitos dos nossos leitores mas ainda assim, tem potencial para agradar quem apenas quer descansar um pouco os olhos.

Nota 7/10
Fernando Ferreira


[B o l t] (& Lavas Magmas) – “[B o l t] (& Lavas Magmas)“

dunk!records

Já disse aqui algumas vezes que este conceito de split é fantástico. De um lado temos os [Bolt], do outro os Lavas Magmas. Cada um contribui com um tema e depois os dois unem-se para um mega épico com mais de vinte minutos. As fronteiras do drone e do ambient ficam bastante diluídas mas não interessa porque o resultado não só é apaixonante como é viciante. Poderá acabar com as vossas insónias – há esse risco – mas se isso acontecer, vão dormir como bebés. É como voltar ao útero.

Nota 9/10
Fernando Ferreira


Nekrasov – “Lust Of Consciousness”

Prosthetic Records

 

One-man band que nos traz uma verdadeira desafio. Gostamos de nos considerar como pessoas simpáticas que ouvimos tudo e de tudo – principalmente desde que abraçámos esta missão onde temos de, literalmente, ouvir de tudo. Apesar de ter aberto (e continuar a abrir) os nossos horizontes, isso não quer dizer que torna mais fácil a tarefa de analisar um trabalho como este “Lust Of Consciousness” que é uma autêntica salganhada musical. Barulheira infernal, como quiserem encarar. Trata-se de um projecto que tem por base a aventura de misturar o noise e power electronics ao Black Metal. Não sendo algo de particularmente novo, o que há a salientar aqui é o facto dos resultados surpreenderem pela eficácia. “Treachery Of The Yoke” é um exemplo perfeito dessa mesma eficácia. Não sendo para todos, mas recomendado para os corajosos.

Nota 8.5/10
Fernando Ferreira


Arkhaaik – “*dʰg̑ʰm̥tós”

Iron Bonehead Productions

Não só o nome do álbum é difícil de dizer como é bastante complicado de ouvir. Três temas longos (o mais pequeno tem seis minutos e meio) que nos levam até ao abismo mais profundo da alma humana. Ou desumana, dado o teor da negritude que nos envolve ao longo destes pouco mais de trinta minutos. Ambiente criado impressionante, e uma lentidão ameaçadora que traz uma aura doom para cima de nós mas não é só disso que temos aqui. Muito pelo contrário. Essa é só a ponta do iceberg putrefacto que temos aqui. Não é, definitivamente para todos, mas se nos deixarmos levar, a viagem vai compensar.

Nota 8/10
Fernando Ferreira


 

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