WOM Reviews – Dawn Ray’d / Labyrinth Entrance / Vampirska / Wampyric Rites / Odraza / Ifrinn / Luring / Nastergal / Phreneticum

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Dawn Ray’d – “Wild Fire”

2021 – Prosthetic

Depois de lançar um álbum em 2019, qual será a melhor coisa a fazer em 2020 e 2021? Lançar um EP. Esta é uma pergunta hipotética e geral que acenta naquilo que nos traz aqui, o novo EP dos britânicos Dawn Ray’d, que apenas precisam de dois temas para chamarem a nossa atenção, caso não os conhecessemos. Black metal com pormenores deliciosas que rompem com as suas fronteiras mas que não descaracterizam na minha opinião o seu som. Quer a emblemática e épica “Wild Fire I”, quer a o seu reverso da medalha, a quase instrumental,  acústica e “folky”(e extremamente bela) “Wild Fire II”. Se for para marcar passo que o seja com dois belos temas como estes.

9/10
Fernando Ferreira

Labyrinth Entrance – “Deplore The Vanity”

2021 –  Godz Ov War Productions

Regresso da one-man band Labyrinth Entrance para o seu segundoi álbum e posso dizer que a fasquia está mesmo completamente elevada. “Deplore The Vanity” é um black metal inteligente que não se limita às concepções daquilo que é esperado do género e traz uma maior abrangência melódica ao som. Grande parte disso é também atingido pela forma como as melodias de guitarra limpa dão uma maior profundidade atmosférica ao som. De forma natural e não porque ficaria atractivo comercialmente colocar umas melodias bonitas. A sucessão dos temas em si também é outro dos motivos da forma como este álbum soa tão bem, flui tão bem. Também torna quase impossível não ouvi-lo de seguida, dando um propósito maior ao prazer de ouvir um álbum.

9/10
Fernando Ferreira

Vampirska / Wampyric Rites – “The Drowning Void”

2021 – Inferna Profundus Records

Tantos anos depois de ter começado a entrar no Black Metal, é avassalador ver que o género não perdeu nenhuma da sua força e qualidade. É verdade que passámos alguns anos que foram, na minha opinião, um pouco fracos em termos do que foi entregue ao ouvinte, mas a última década, década e um pouco mais, mostrou-nos que o Black Metal recuperou tudo o que poderia ter sido perdido no passado. Ambas as entidades presentes neste lançamento são mais do que familiares ao fiel ouvinte, atrevo-me a dizer. Estão ainda enraizadas no Underground – embora a minha ideia do Underground actual não seja forte – alimentadas pelo sangue escuro e primitivo que corre nas suas veias. Vampirska e Wampyric Rites são dois dos actos mais excitantes que o Black Metal tem visto nos últimos anos. As atmosferas, imersas em sangue e nevoeiro, visões misteriosas de pesadelos infernais. As melodias delicadas, mas viscerais, que são trabalhadas, levam-nos de volta aos anos 90, aos tempos de antigamente. O lado da Vampirska é mais agressivo, mais violento, de certa forma. Melodias mais frias e mais ásperas, vozes mais raspadas, e convocação demoníaca. Sábio na produção, o som é claro, permitindo ao ouvinte absorver a música. Não enfraquece em momento algum. Mantém o ritmo muito alto e directo do Black Metal. Menos conhecido, para mim, do que a próxima banda, Vampirska prova ser um excelente exemplo de como o género tem um futuro. Os Wampyric Rites dão-nos o que queremos dele: melodias atrás de melodias! Desta vez não se usam teclados, mas ainda assim é espantoso. E algo que os músicos de Black Metal, os que optaram pelo lado mais bruto e primitivo do género, por vezes esquecem, é a capacidade de criar melodias. Aquelas que ressoam na sua cabeça muito depois da música ter parado de tocar. Esse é o desafio: manter a criação sónica.

Ambas as propostas têm a sua visão particular e pessoal do Black Metal, que ecoa na sua música, e é surpreendente ver como os E.U.A., e muitos outros países do mundo (no mesmo continente, neste caso), estão a elevar a fasquia em termos de Black Metal, empurrando músicos, gravadoras, e fãs, para irem mais longe! Oh, tempo maravilhoso para estar vivo.

8/10
Daniel Pinheiro

Odraza – “Acedia”

2021 – Godz Of War Productions

Este é um EP estranho. Em formato digital saiu com apenas um tema, “Acedia II” que tem pouco mais de vinte minutos e é uma deambulação por o que parece ser um exercício livre para nos trazer uma banda sonora. Vinte minutos mas que no fundo antes de atingir essa marca, tem uns minutos de silêncio para depois apresentar umas melodias de sintetizador da década de oitenta. Já a versão física traz um “Acedia II” que ao contrário do primeiro tema, aposta sobretudo na componente mais ambiental e electrónica. Um trabalho estranho, como já disse (e odiando me repetir, é porque quero que não se esqueçam) mas que é uma boa surpresa para quem gosta de ambient. Não sei se o próximo álbum da banda vai trazer algo neste género, mas estou curioso.

8/10
Fernando Ferreira

Ifrinn – “Caledonian Black Metal”

2021 – The Sinister Flame

O Black Metal esteve sempre em estreito contacto com os cantos mais escuros da mente humana. Do valor do choque ao compromisso com a vida, o oculto tem sido o combustível que define o género de chama. Acredito que este é um pilar central do género musical que rotulamos como Black Metal, mas a liberdade de escolha é outro, o que significa que “faz o que quiseres”, correcto? Ifrinn vem até nós das terras altas escocesas, ferozes e com a espada na mão! A partir do momento em que se carrega no “play”, é-lhe atirada uma descarga espantosa de Black Metal, com tal intensidade, que quase se sente a violência. Tal como os actos noruegueses, estes escoceses presenteiam-nos com atmosferas ritualísticas que nos hipnotizam, alimentam e controlam. Não esperem mais nada para além do Black Metal, o modo norueguês (se me permitem a franqueza). “Silent Seasons of Sorcery” é um exemplo da música de Ifrinn, de certa forma: tem a faceta violenta e directa, mas também acrescenta o elemento mais melódico e atmosférico. Não tenha medo, pois este não é mais um acto de Black Metal atmosférico! Ifrinn é impiedoso e impiedoso! Três rituais de convocação. Três rituais de purificação. Três rituais de posse. Ifrinn criou três rituais de Black Metal que satisfarão todos aqueles que se vêem na Noruega do século XXI como o verdadeiro herdeiro do Black Metal…

7/10
Daniel Pinheiro

Luring – “Inimicitias Veteres Vulneribus Desperatone”

2020/2021 – Inferna Profundus Records

Os Estados Unidos entregaram, durante os últimos anos, soberbos actos de Black Metal. Sendo tão grandes como eles são, somos obrigados a identificar múltiplas perspectivas do género, sábias em termos musicais, o que só pode ser visto como extremamente positivo da música. A sedução é um acto recente. Não há data de formação disponível, mas a primeira demo saiu em 2018, pelo que presumo que não tenham passado muitos anos desde a fundação do projecto. Quatro faixas de Black Metal lento, denso e assombroso, é o que Luring entrega nesta segunda demo, agora lançada pela Inferna Profundus Records (tinha sido lançada, anteriormente, pela Nithstang). Aqueles que gostam do ritmo lento da linha mais depressiva do Black Metal – sem ser o cDSBM – podem achar isto interessante; os ouvintes que optam por um Black Metal mais rápido e “violento”, este pode não ser o lugar para onde ir. Adoro o facto de os vocais estarem quase enterrados sob toda a dor e sofrimento que os instrumentos enviam para o ouvinte. A música faz cair um buraco profundo e escuro, onde o ouvinte é confrontado com os seus medos. Há que apreciar esta libertação, com os olhos fechados. Faz, na minha opinião, uma verdadeira diferença. Absorver isto e aquilo; perseguir os vocais e quase sentir o ar frio; envolto nesta atmosfera escura, este peso pesado sobre si. Adoro bandas que são capazes de, com a sua música, criar atmosferas tão esmagadoras, colocando o ouvinte no olho da tempestade, de uma forma estranha. Quatro faixas através das quais o ouvinte percorre rios profundamente infestados e em pequenos corredores claustrofóbicos. Uma viagem por florestas e montanhas, frio e escuridão. O Black Metal sempre pareceu ser, como a banda sonora de tudo o que é escuro e assombroso, e Luring imprime essa imagem na sua mente, permitindo-lhe viver esse momento, através da sua música.

7/10 
Daniel Pinheiro

Nastergal – “Solitude”

2021 – Edição de Autor

Inicialmente até pensei que se tratava de uma proposta death metal mas não. Nastergal abre o certame da sua discografia com este EP composto por quatro temas onde um black metal musculado (e com bastantes ares de death metal) nos capta e assegura a atenção por pouco mais de quinze minutos. É curto para conclusões definitivas em relação ao que podemos esperar daqui mas para primeiro lançamento, a qualidade está cá para nos deixar expectantes em relação ao futuro.

7/10
Fernando Ferreira

Phreneticum – “Der Stille Zerfall”

2021 – Satanath

Sem grandes informações sobre esta banda (tão poucas que nem sequer tenho a certeza de que se trata de um duo ou de uma banda com números de músicos mais tradicionais), “Der Stille Zerfall” é o álbum de estreia que traz não só uma capa que poderia estar bem melhor do que aquilo que está mas um som que consegue capturar o interesse de quem gosta de black metal ainda que não aprecie assim tanto do lado mais primitivo e agreste do mesmo. A produção é boa, forte, mas com o foco no lado mais cru, com o seu melhor atributo o ambiente que resulta da mesma. Já a música propriamente dita, é dona de dinâmicas que fazem com que o alvo possa ir mais além do que os habituais “trves”. Melodias e andamentos mais fora desse reino e um álbum variado. Tudo muito ainda embrionário, de forma a que não se consegue ter a certeza de  como será a sua evolução. Dá-se o benefício da dúvida mas veremos os próximos passos.

6/10
Fernando Ferreira

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