WOM Reviews – Draconian / Odium Humani Generis / Sepulchre By The Sea / Gernotshagen / Paragon Zero / Cidesphere / Sacramentum / Think of a New Kind

WOM Reviews - Faustian Pact / Lake Baikal / Ossaert / Deadspawn / Beast Of Revelation / Fosch / Aspidium / The Spirit

Draconian – “Under A Godless Veil”

2020 – Napalm Records

Regresso dos Draconian, um regresso já algo ansiado para quem tinha saudade da sua melancolia sorumbática. As expectativas poderão ser tramadas principalmente quando passa muito tempo mas neste caso não fizeram mal nenhum, nem a nós nem à banda. “Under A Godless Veil” é um álbum moroso a digerir mas paradoxalmente é também imediato a forma como nos hipnotiza. Uma beleza que une na perfeição uma voz melódica e quase sobrenatural de Heike Langhans (que tem aqui apenas o seu segundo trabalho com a banda) com o gutural de Anders Jacobsson (também nas teclas). Podemos citar algumas referências incontornáveis do doom metal e da sua mistura como o gótico mas mais que nunca os Draconian soam a si próprios e têm neste trabalho a sua obra-prima. Atrevo-me a dizer, sabendo que poderá ser apenas resquícios do feitiço que estes dez temas deixam. O tempo provará se estou certo ou errado.

9/10
Fernando Ferreira

Odium Humani Generis – “Przeddzień”

2020 – Cult of Parthenope

A capa remete-nos para o black metal do final da década de noventa, onde o black metal tinha tal força em que bastava ter um fundo preto, um lettering/logo característico (mais ou menos perceptível) que se poderia por uma qualquer fotografia a preto e branco que ficava bem. A desolação da foto da capa não antecipa aquilo que vamos encontrar no interior. Um black metal levemente depressivo e melódico mas que não deixa de manter as coisas bem grim e cruas, nem de meter o pé no acelerador de vez em quanto. Não revoluciona nada mas mostra que o mais importante nem é a revolução, é simplesmente fazer algo de valor. Esta estreia tem sem dúvida valor.

9/10
Fernando Ferreira

Sepulchre By The Sea – “Conqueror Worm”

2020 – Anthrazit Records

Álbum de estreia desta one-man band Sepulchre By The Sea, idealizada por Ashley Shannon. O black metal atmosférico é um rótulo que hoje em dia não é tão usado perante outros como pós-black metal e afins. Não se pode dizer que este seja um álbum que tenta recapturar o espírito do underground quando era comum encontrar o dito rótulo, até porque nem tenho bem a certeza se o mesmo engloba na totalidade o que podemos ouvir aqui. O que, logo á partida, é muito positivo. Há um espírito de doom que temos ao longo destes seis longos temas, um espírito bastante épico, algo que faz com que tenhamos a necessidade de lhe dedicarmos a nossa atenção por completo. Não é perfeito, sendo que lhe falta talvez mais uma identidade musical coesa, mas é sem dúvida um bom álbum, ideal para quem gosta de sentir a sua música. Sentir e absorver.

8/10
Fernando Ferreira

Gernotshagen – “Ode Naturae”

2020 – Trollzorn Records

Nove anos de ausência por parte de uma banda, é sempre um espaço temporal que pode significar o fim de uma banda. Estando a falar de metal extremo, podemos dizer que o público estará sempre pronto para receber mais um trabalho. E é, efectivamente, um bom trabalho. Black metal melódico, não tão folk quanto o rótulo faria crer, mas sem dúvida épico e pagão como se estivessemos uns milénios atrás, a viver unos com a natureza. Essa é sem dúvida a grande mensagem deste trabalho mas em termos musicais tal nem se sente. Não é contudo algo que faça esmorecer o interesse nestes temas, mesmo naqueles que são longos como o final “Transzendenz”, que tem quase vinte minutos. Poderá ser demasiado por vezes mas ainda assim é um álbum que se sente como agradável, tendo um bom impacto positivo.

8/10
Fernando Ferreira

Paragon Zero – “Omass”

2020 – Pest Records

Depois de muito tempo em silêncio, os húngaros Paragon Zero regressam com quatro temas novos, de death/black metal melódico old school. É um estilo que não é tão comum hoje em dia mas cujo encanto vai muito para além da simples nostalgia. Sem ser um deslumbro absoluto “Omass” consegue cativar-nos pelo equilíbrio e sobriedade. Fica-se com vontade de ouvir mais da banda, que também não tem muito mais para apresentar na sua carreira.

7.5/10
Fernando Ferreira

Cidesphere – “Dawn Of A New Epoch”

2020 – Testimony Records

Apesar de cada vez o nosso mundo do metal estar cada vez mais aberto e a chegar a sítios mais díspares, a Turquia ainda não é um destino habitual para termos propostas relevantes. Pelo menos não em forma de um fluxo regular de bandas e álbuns dignos de nota. Os Cidesphere são, todavia, uma excepção e esperemos que o seu exemplo consiga inspirar muitos mais. Este segundo álbum surge dezoito anos (18!) após a estreia mas este tempo todo também foi preenchido por um hiato de doze anos entre 2005 e 2017. De qualquer forma o death metal levemente melódico dos Cidesphere é empolgante mesmo sem ser revolucionário. Talvez esta fórmula não seja aquela que lhes permite chegar a um novo patamar, mas não há como colocar defeitos num álbum sólido.

7.5/10 
Fernando Ferreira

Sacramentum – “Finis Malorum”

1994 / 2020 – Vic Records

Os Sacramentum são (ou foram, já cessaram actividades) uma banda de black/death metal melódico que nunca saíram da segunda divisão, chamemos-lhe assim, do metal extremo mundial, apesar de não ser uma banda medíocre. “Finis Malorum” já deixava indicações da obra prima que viria a ser “Far Away From The Sun” mas não é tão memorável quanto desejável. Ainda assim, para qualquer coleccionador de música extrema é um item apetecível. Ainda mais por agora ser reeditado e trazer uma mão cheia de extras. Covers que a banda fez e que surgiram em tributos (a Mercyful Fate e a Sepultura) assim como também a demo lançado em 1993, onde se nota uma fase muito embrionária da banda, deliciosamente ingénua. Curiosamente ou não, a banda encerrou funções em 2001, tendo voltado o ano passado à activa. Uma boa altura para que o seu nome volte a estar na ribalta do underground.

7/10
Fernando Ferreira

Think of a New Kind – “Ideals Will Remain”

2020 – Verycords / Warner

Formados em 2007, os Think of a New Kind (ou T.A.N.K.) são uma banda francesa de melodic death metal que apresenta agora o seu quarto álbum, Ideals Will Remain. O estilo da banda tende por vezes a ultrapassar o melódico e a atingir estilos mais modernizados de metal (american modern metal, como os próprios o dizem) que decididamente não agradarão a todos. Este é um álbum que para mim ficou a meio caminho devido a este tipo de oscilações, sendo óbvio que os melhores momentos deste trabalho residem nos seus momentos (quiçá, ironicamente) mais agudos mais associados ao metal melódico e agressivo. No que diz respeito ao resto… bem, vou me ficar pelo “não gostei nada” a fim de não parecer que estou a insultar a banda e o seu género preferencial. Simplesmente, não senti nem charme, nem “essência”, nem nostalgia dos tempos em que apreciava este tipo de estilo musical.

5/10
Matias Melim

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