WOM Reviews – Flood Peak / Sonic Flower / Weird Tales / Conviction / Old Sea and Mother Serpent / Aliceissleeping / Earthshine / Triskelis

WOM Reviews - Flood Peak / Sonic Flower / Weird Tales / Conviction / Old Sea and Mother Serpent / Aliceissleeping / Earthshine / Triskelis

Flood Peak – “Fixed Ritual”

2021 – Anima Recordings

A intensidade poderá ver através de blastbeats, de urros lancinantes. No tento a mesma também poderá ver através da sugestão, do apelo às emoções como é o caso da capa do EP dos Flood Peak ou da própria música que contém. Algures entre o sludge e o pós-metal, não há como negar a eficácia da sua música. “Fixed Ritual” opta por duas abordagens. Aquela mais directa, marteladas no corpo a castigar ou então, a minha favorita, aquela que vai construindo uma tapeçaria de crescendos até uma explosão. Vistas bem as coisas, esta última acaba por estar presente em todo o disco, mesmo naqueles mais directos. Meia hora de música mas uma excelente apresentação para a banda para quem deixou escapar o álbum de estreia, Plagued By Sufferers” em 2018.

9/10
Fernando Ferreira

Sonic Flower – “Sonic Flower”

2003 / 2021 – Heavy Psych Sounds Records

E aqui está, como prometido, a reedição do primeiro álbum de originais, surgindo nos escaparates na mesma altura em que o segundo ressuscita este projecto com quase duas décadas de intervalos entre os dois. Apesar da sonoridade crua, este é um daqueles discos que queremos ouvir vezes sem conta, sem nos fartar. Isto porque acenta no groove stoner, em licks clássicos e, obviamente, solos extremamente inspirados. A coisa resulta, resulta muito bem. Tudo bem, são apenas vinte cinco minutos e seis temas (porque não chamar a isto de EP) mas este espírito de jam é de uma riqueza tal que sentimos que poderia durar anos e anos em loop que não nos iria cansar. E não cansa. Bom tesouro recuperado.

9/10
Fernando Ferreira

Weird Tales – “Y'all Motherfuckers Forgot 'Bout Good Ol' Son of a Bitchin' Blues”

2021 – Interstellar Smoke Records

A avaliar pela capa, e pelos títulos de música (que trazem coisas como “Take Sick And Die”, “Too Fucking Cold, Too Fucking Dark”, os blues a que a banda polaca se refere são bem mais agrestes do que aqueles que o Robert Johnson andava a tocar pelo Mississippi. São uma espécie de banda sonora para o apocalipse sendo que consegue ser tanto bela como mortífera. Confesso que a beleza surge mesmo em momentos da já citada “Too Fucking Cold, Too Fucking Dark”, como que um belo desastre do qual não conseguimos tirar os olhos. Neste caso os ouvidos. É um EP recomendado para quem gosta de sludge bruto e feio. Mas belo.

8.5/10
Fernando Ferreira

Conviction – “Conviction”

2021 – Argonauta Records

2020 foi uma merda e para ter a certeza de que 2021 será melhor, que tal um Doom para nos deixar todos miseráveis a pensar no fim disto tudo? De certeza de que não é a fórmula que desejamos mas é inevitável não ficar refém do trabalho de estreia dos Conviction. Doom metal que tanto gostam da vertente mais negra e densa como daqueles que gostam dos valores tradicionais – algo que se nota sobretudo nos solos. Como que se fosse um cruzamento entre Candlemass e Reverend Bizarre. De difícil acesso, pelo menos nos temas mais longos, para quem não tiver amor ao Doom Metal, mas com muitos argumentos para deixar bem satisfeito quem for fã. Bem satisfeito ou miserável. Que vai dar ao mesmo no fundo. Vocês percebem.

8.5/10
Fernando Ferrreira

Old Sea and Mother Serpent – “Plutonian”

2021 – [addicted label]

Olhando para a discografia dos russos Old Sea And Mother Serpent, até se fica a pensar que o  facto deste segundo álbum surgir em 2021 depois da estreia em 2012 não é de todo uma coincidência. Isto ganha ainda mais força quando há todo um carácter místico neste doom metal arrastado que se insurge como uma nuvem de poeira e sujidade. É daquela secção do doom onde não se encontra ganchos melódicos imediatos. Ou melhor, deixem-me por por outras palavras, temos quatro temas e três têm mais de vinte minutos. Não é preciso dizer mais nada, pois não? Fica-se logo aqui com uma ideia bem real do que se pode encontrar. Sendo apreciar deste tipo de coisas, posso dizer que é mesmo para quem tem o doom a escorrer pelo coração. Sendo denso, não é um trabalho que se apaixone à primeira mas em consequentes audições garante-se uma viagem fantástica. Mais que recomendado.

8/10
Fernando Ferreira

Aliceissleeping – “Completely Fine”

2021 – Mandrone Records

Tenho que expressar imediatamente a minha admiração por esta jovem banda. Este é um álbum de estreia que, tal como muitos álbuns de estreias, não apresenta perfeição mas essa imperfeição apresentada torna-se perfeita para quem procura poder cru e, de certa forma, ingénue. Aliceissleeping é um nome moderno (ou seja, na tendência “já foi tudo inventado portanto vale tudo) mas a sonoridade que a banda apresenta nem por isso, embora seja bastante refrescante. Tem uma costela doom/stoner, assim como pitadas psicadélicas que podem ou não enveredar pelo pós-punk. Mas é a voz de Alice (também baixista, provavelmente reprsentada na capa) que nos aponta para campos mais alternativos. Aponta e muito bem. Parece uma grande salganhada e até é, mas tendo em conta que o resultado é na maior parte das vezes entusiasmante – como não vibrar com uma “Scary Mary” – então é porque resulta.

8/10 
Fernando Ferreira

Earthshine – “My Bones Shall Rest Upon The Mountain”

2021 – Northern Silence Productions

Este deu luta. E de certa forma, conforme escrevo estas palavras, ainda dá. Por um lado uma atmosfera própria dos melhores trabalhos de pós-metal, a lembrar bandas como Alcest, para citar o nome mais óbvio. Por outro, o  facto de ter um som praticamente lo-fi, onde a magia que está a acontecer se perde na forma. Perde-se de forma criminosa, devo acrescentar. Esta minha luta interna já se deu muitas vezes – um dos pontos mais recorrentes é o “…And Justice For All” – e este segundo álbum dos Earthshine junta-se a esse grupo amaldiçoado. Como é que é possível algo tão bom ser prejudicado por uma questão que acaba por ser de mera estética?  Pois é mas se estamos a falar de música e se algo não soa bem, então temos um problema. Não é grave, porque a música é mesmo boa, mas com uma produção mais cuidada, poderia ser mesmo topo. Um dos melhores de 2021. Sim, assim tão bom.

7.5/10
Fernando Ferreira

Triskelis – “Malicon”

2021 – Ghost Record Label / Broken Bones Records and Promotion

Segundo álbum da carreira a solo de Sergio Vince Triskelis (dos Oigres, Byblis e Lilyum) onde ele, assumindo o papel de único interveniente, foca a sua atenção no baixo em vez da guitarra. Nada que não se tenha visto algumas vezes no passado mas que dificilmente consegue ser memorável. E aqui, apesar de algum aspecto rudimentar na produção, algo que não prejudice estes temas, podemos dizer que encontramos o mesmo. Boas ideias, normalmente uma por tema, que são exploradas até à exaustão. Um bom ensaio criativo nem sempre resulta em música que queiramos ouvir repetidamente e esse é o único problema deste álbum que não chegando a ser mau, também não nos consegue impressionar.

5/10
Fernando Ferreira

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