WOM Reviews – Hemotoxin / From Hell / Witchery / Acherozu / Metalizer

WOM Reviews - Hemotoxin / From Hell / Witchery / Acherozu / Metalizer

Hemotoxin – “Restructure The Molded Mind”

2020 – Unspeakable Axe Records

Já há muito tempo que me deixei de queixar da duração dos álbuns pelo que está mais que na altura para voltar a essa temática. Ainda para mais quando se tem um álbum que tem menos de meia hora. A parte positiva é que é mesmo um senhor álbum. Death/thrash de laivos progressivos e técnicos que nos fazem ficar a aguar por mais. Se calhar o objectivo era mesmo esse. Deixar-nos a ansiar por mais. Verdade seja dita, a quantidade de coisas que se passam aqui em três minutos dava para preencher quase um álbum inteiro. Riffs intricados, mudanças de tempo, de ritmo e uma capacidade instrumental de deixar qualquer um com inveja. E com isto não se perde musicalidade embora esta não esteja ao alcance de todos. Um álbum ao qual se deve prestar várias e cuidadas audições.

9/10
Fernando Ferreira

From Hell – “Rats & Ravens”

2020 – Fastball Music

Existem bandas e álbuns que são logo amor à primeira vista. Há outras que nos deixam na dúvida, que nos pedem mais, exigem de nós assim como nós exigimos de volta para termos a certeza. Foi o que me aconteceu com os norte-americanos From Hell. Algures entre o thrash e o death metal, há muito em “Rats & Ravens” para nos deixar entusiasmados, mas também há muito que nos parece ser demasiado. Ou em inglês, “Overkill”, o que até é apropiado. No entanto, conforme mergulhamos neste álbum é fácil perceber as suas dinâmicas que no início nos estavam algo escondidas. E depois é um vício completo. Raramente encontramos álbuns que cresçam desta forma, e caso vos aconteça algo semelhante nas primeiras audições, não se vão arrepender com o benefício da dúvida.

8.5/10
Fernando Ferreira

Witchery – “Restless & Dead”

1998 / 2020 Century Media Records

E vamos começar a nossa saga com os álbuns reeditados dos Witchery. Esta reedição traz-nos a estreia da banda e é engraçado voltar atrás no tempo e ver o que mudou desde lá até então. Vinte e dois anos podemos dizer que o black/thrash não era propriamente uma coisa popular, apesar de no underground já haver um culto a acontecer. Mas os Witchery entraram logo a matar com esta estreia. Não desfazendo a qualidade do álbum, também não era alheio ser uma super banda onde pontuavam (e pontuam) nomes como Sharlee D’Angelo e Patrik Jensen. “Restless & Dead” continua bem actual e feroz.

8.5/10
Fernando Ferreira

Witchery – “Witchburner”

1999 / 2020 Century Media Records

Mais de vinte anos desde o lançamento deste EP dos suecos quando a banda ainda estava a dar os primeiros passos – um ano após ter lançado o álbum de estreia “Restless & Dead”, os Witchery lançaram-se com este EP que traz quatro covers fantásticas de clássicos de heavy metal (“Fast As A Shark” dos Accept com cheirinho no final a “Balls To The Wall”; “I Wanna Be Somebody” dos W.A.S.P; “Riding On The Wind” dos Judas Priest; e “Neon Knights” dos Black Sabbath onde se juntam depois três temas originais que evidiciam aquele black/thrash em que a banda se notabilizou. Em termos de som, não há grandes diferenças apesar da remasterização mas temos mais dois temas, ou melhor, um tema com duas versões diferentes, das quais não se sente grande diferença entre um e outro. Valeria a pena para quem não apanhou o original e estes extras, não são exactamente apelativos.

8/10
Fernando Ferreira

Witchery – “Dead, Hot And Ready”

1999 / 2020 Century Media Records

Podemos dizer que aqui os Witchery chegam à didade adulta. No entanto existem sempre algumas consequências com isso e neste caso foi alguma daquela energia crua e pura começar a desvanecer. Não entendam isso como algo necessariamente mau, até porque este continua a ser um dos melhores trabalhos da banda. Apenas não há uma certa inocência e pura homenagem às sonoridades mais tradicionais. Do outro lado do campo, temos a banda a evoluir e a mostrar a sua inconformidade em termos criativos. Furioso e ainda poderoso após estes anos todos.

8.5/10
Fernando Ferreira

Witchery – “Symphony For The Devil”

2001 / 2020 Century Media Records

Esta é para mim a obra prima dos Witchery. É onde a banda evidencia toda a sua classe e apresenta o seu melhor trabalho dos que analisámos aqui. Dinâmico e furioso, consegue juntar o frenesim thrash com um sentido de melodia que não desvirtua nem um pouco a violência que já se espera. É o ponto alto da carreira, quanto a mim, algo que ainda não conseguiu ser igualado. Remasterizado e com duas faixas bónus (as mesmas que já estavam disponíveis nalgumas edições anteriores), ideal para quem quer apanhar este clássico em vinil.

9/10 
Fernando Ferreira

Acherozu – “Vendetta Ocean”

2019 / 2020 – Talheim Records

Reapresentação do excelente segundo álbum dos chineses Acherozu, em vinil, um álbum que tem tudo para se tornar uma grande pérola do underground asiático. Thrash com aquele twist extremo que está feito de forma bastante simples, sem grandes complicações, mas que se revela perfeito pela forma como nos consegue convidar ao headbang da forma mais descomprometida. Clássico sem ser clássico (pelo menos por agora) e sem viver muito de nostalgia desregrada, com algumas bolas curvas que nos agradam. Vale a pena aproveitar a reedição em vinil.

8.5/10
Fernando Ferreira

Metalizer – “The Pact”

2019 – Edição de Autor

No final do ano passado, os brasileiros Metalizer lançaram o seu terceiro álbum de originais, com uma dose bastante generosa de thrash metal algo técnico e bastante interessante. Produção e ideias esclarecidas e riffs bem trabalhados, “The Pact” tem um enorme potencial que acaba por não ser completamente concretizado por apresentar alguns temas menos bem conseguidos. Aliás, com doze temas em mais de cinquenta minutos de duração, seria preferível, um corte nas gorduras para termos uma máquina de guerra mais eficiente. Todavia, ainda temos por aqui bons riffs e bons solos que farão o gosto dos fãs da vertente mais tradicional do estilo.

7/10
Fernando Ferreira

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