WOM Reviews – Lüt / Suspeitos do Costume / Contra Corrente / PäzMonstro / D.L. / Dead End Tragedy / Terminal Bliss / Gravehuffer / Souls Of Hades / Salò

WOM Reviews - Lüt / Suspeitos do Costume / Contra Corrente / PäzMonstro / D.L. / Dead End Tragedy / Terminal Bliss / Gravehuffer / Souls Of Hades / Salò

Lüt – “Mersmak”

2021 – Indie Recordings

Há varios chamarizes apra este álbum. A capa não será um deles, mas vamos focar-nos no positivo. Lars Ulrich elogiou o álbum de estreia, os Lüt foram nomeados como a nova banda do ano nos Grammys norugueses e conquistaram o público um pouco por todo o lado pelas suas fortes actuações ao vivo. Confesso que senti curiosidade por este segundo álbum de originais da banda noruguesa e se inicialmente fiquei algo de pé atrás, pela toada mais pop do tema-título que abre o álbum. Supostamente a banda deveria ser punk, pelo que me tinha sido descrito. No entanto, depressa percebi que esta era uma sonoridade especial e única. Capaz de ser abrasiva – aquela voz parece que foi corroída por quinhentos anos de tabaco e benzina – mas ao mesmo tempo com uns ganchos melódicos que nos deixam indefesos. Gostei bastante e é um álbum que facilmente nos entra e pede por mais. Há realmente laivos de punk ocasionalmente mas talvez esse não seja o melhor termo para os descrever – não tenho ideias melhores além do chavão “alternativo” – mas o que é importante reter é que se trata de um conjunto de temas bem viciantes.

8/10
Fernando Ferreira

Suspeitos do Costume / Contra Corrente – “Ao Vivo – Sessão de Estúdio”

2021 – Amazing Recordings

Split ao vivo nuns tempos em que só os podemos apreciar num CD, não deixa de ter um sabor amargo. Felizmente que é algo que fica para trás assim que a música soa. De um lado os alentejanos Suspeitos do Costume, já há bastante tempo um grande valor do punk rock nacional e que se juntam aos algarvios Contra Corrente, sendo uma merecida representação do punk a sul de Portugal. Três temas para cada banda sendo que os Suspeitos do Costume apresentam duas covers (a saber, “Mente Feita de Cal” dos Pee Jamma e “Lisboa Menina e Moça” de Carlos Do Carmo, um clássico já das suas actuações) e um original (“Sem Direcção”). Já os Contra Corrente apostam nos originais com “Mundo Novo”, “Sem Sentido” e “Inveja”. Duas abordagens ao punk rock, cantados em português e que servem para quem não tem/teve oportunidade de os ver ao vivo possa comprovar o seu poder. Um lançamento sempre muito bem recebido no underground e que sabe a pouco.

8/10
Fernando Ferreira

PäzMonstro – “PäzMonstro“

202 – Raging Planet

Tal como a capa, o som dos PäzMonstro não é fácil de deslindar, mas uma coisa se pode garantir, não deixa ninguém indiferente. Há por aqui umas piscadelas ao som alternativo da década de oitenta/noventa assim como também um rock mais visceral com um certo lado punk – ainda que não muito acentuado. É uma riqueza que vai se desdobrando a cada passagem por ele, há sempre mais um detalhe e mais um pormenor a reter. Aqueles que são mais urgentes e óbvios são as linhas vocais, portadores de emoções marcantes. EP de estreia de uma banda que é necessário tomar atenção.

8/10
Fernando Ferreira

D.L.50 – “Regresivo I (Periodo 1999-2009) & Regresivo II (Periodo 2009-2019)”

2021 – Murder Records / Funebre Records / Kanashibari Records

Como o próprio título indica, esta é uma compilação que junta o material dos D.L., uma banda do Paraguai que é uma referência para o punk/crust/hardcore sul americano. É uma compilação de actuações ao vivo que espelham vinte anos de carreira e dividida em dois volumes/duas cassetes. Cru, podre mas ainda assim daqueles lançamentos que têm um encanto especial e que vale bem o investimento, para quem tem o hardcore a correr nas veias. Tesourinho.

8.5/10
Fernando Ferreira

Dead End Tragedy – “Anti Life Anti You”

2020 – BDHW Rec.

Porrada hardcore que até consegue mais variado e dinâmico do que antecipava à partida. Claro que a violência é aquilo que mais salta à vista – o título já dá essa indicação – ainda para mais acreditando de que este álbum foi escrito, ou pelo menos as suas letras, quando o vocalista Raphael passou uns tempos num hospital psiquiátrico, é perceptível toda essa raiva e angústia. Eu que até sou um rapaz que gosta de coisas dinâmicas, por acaso aqui até gostava que fosse um pouco mais unidimensional e bruto. O título e conceito puxavam para isso, mas a visão do artista deverá ser aquela que deverá ter a última palavra. Hardcore bruto mas melancólico e muito real.

7.5/10
Fernando Ferreira

Terminal Bliss – “Brute Err/ata”

2021 – Relapse Records

A confusão ilustrada na capa ilustra bem a cacofonia que se pode ouvir no disco de estreia dos Terminal Bliss. Um assalto cheio de distorção, feedback e espírito crust/punk/hardcore. É natural que nos surjam nomes como Black Flag ou Discharge em mente (mais pela abrasividade do que propriamente pelo d-beat) e como tal, também é natural termos um conteúdo lírico de contestação social que são retrato da realidade cada vez mais distópica em que estamos mergulhados. São apenas dez minutos de música – sim, seria necessários muitos mais para nos converter – mas para primeira amostra, fica-se com um saldo mais que positivo.

7/10 
Fernando Ferreira

Gravehuffer / Souls Of Hades – “Split”

2021 – No Slip Records

Split entre duas bandas que desconhecia mas que me deixou agradavelmente surpreendido. Os Souls Of Hades começaram por abusar da minha paciência mas lá me conseguiram capturar com uma música que parecia que não ia a lado nenhum e até se tornou épica, com um sludge meio apunkalhado. Já os Gravehuffer são javardos e punks de todo e é assim que gostamos deles. Pouca coisa para tirar conclusões mais gerais, mas do que gostei, ouvi. Split EP old school

7/10
Fernando Ferreira

Salò – “Sortez Vos Morts”

2021 – Cold DarK Matters  / Duality Records

Os franceses Salà apresentam o seu primeiro álbum “Sortez vos morts”. Dentro daquela mescla de black/death/crust/música gravada num gravador dos tempos da Grande Guerra, este é um álbum curtinho de 26 minutos de música bastante crua. Como é de esperar, há muito ruído, a bateria e a guitarra fundem-se numa aberração desenfreada, e a voz… bem, fiquemos só pela ideia de existir uma voz (muito falada ou gritada em estilo de estado alterado). Pelo menos (espero), uma review não aprovadora de crust é normal. Perderiam um pouco do aspeto de “não quererem saber” e serem “antidecência” se do nada tivessem altas avaliações de gente atinadinha como eu.

3/10
Matias Melim

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