WOM Reviews – Myles Kennedy / Grande Royale / Rovar / Mother’z Boyzz / Michael Des Barres And The Mistakes / Stone Age A.D. / Paris / Desperation Blvd

WOM Reviews - Myles Kennedy / Grande Royale / Rovar / Mother’z Boyzz / Michael Des Barres And The Mistakes / Stone Age A.D. / Paris / Desperation Blvd

Myles Kennedy – “The Ides Of March”

2021 – Napalm

Depois da estreia com “Year Of The Tiger”, o carismático Myles Kennedy está de volta para o seu segundo álbum a solo. Um álbum onde ele demonstra que o seu ADN está cheio do bom e velho rock. O seu talento sem dúvida evidencia que faz parte de uma geração em vias de desaparecer, o rocker que tem as suas raízes no rock e blues. A influência folk e Americana também tem muito a dizer neste conjunto de temas que vai muitas vezes por uma via acústica mas que nem por isso perde a sua relevância e poder. “The Ides Of March” é um álbum simples para os parâmetros actuais mas não deixa de ser por isso um álbum ao qual se fica refém. Um disco fora dos seus tempos? Talvez, mas não soa retro, soa intemporal. Algo assim é sempre díficil mas numa altura em que a música está cada vez mais plastificada e “desumana” é ainda mais apreciável.

8.5/10
Fernando Ferreira

Grande Royale – “Carry On”

2021 – The Sign Records

Os Grande Royale são um quarteto sueco, formado em 2014 por Gustave Wremer na voz e guitarra, Sam Georgsson no baixo, Andreas Jena na guitarra e Johan Hall na bateria. Em Março lançaram “Carry On”, o seu quinto álbum de estúdio.

De produção simples, “Carry On” foi produzido pela própria banda e talvez por isso esteja tão próximo das suas raízes, o rock’n’roll crú das bandas de garagem. Mas desenganem-se os que pensam que esta simplicidade nos traz um som desinteressante. Muito pelo contrário, “Carry On” prende-nos desde o primeiro momento, com vocalizações melódicos, guitarras a produzirem riffs potentes e linhas de baixo estrondosas. Os amantes do rock mais clássico têm em “Carry On” onze temas que nos transportam aos grandes hits roqueiros dos anos 80 e 90, com matizes dos 70. Refrões orelhudos, ritmo que nos faz, de imediato balançar o corpo e bater o pé, são os ingredientes de sucesso deste álbum que é fresco, divertido e actual.

8.5/10
Rosa Soares

Rovar – “Rovar”

2020 – Bug Valley Records

Rock boa onda vindo da Alemanha. Boa onda mas com tomates. Riffs raçudos e uma atitude rebelde que sinceramente faz falta em muita coisa do que é feito nesta altura. Lembram-se da altura em que o rock era sinónimo de horror dos pais? É desse impacto que estamos a falar aqui, é desse impacto que precisamos no rock novamente. Um simples EP com cinco temas mas com muito alma. Sinceramente, quanto ao rock, esta foi uma excelente surpresa. Fazem falta bandas assim, que vão às raízes mas que lhes juntam a sua própria voz. E é uma voz que queremos ouvir cantar mais vezes. 

9/10
Fernando Ferreira

Mother’z Boyzz – “Pink Cadillac”

2020 – Vringsbröck Records

Para mim isto é que é o rock com aquele feeling puro. O rock que nos aponta para o deserto norte-americano. Para toda aquela mística que nos foi incutida em muitos filmes e séries de televisão. Sempre com um pé no blues e com outro no rock’n’roll, este cadillac cor-de rosa até pode ferir a vista, mas se fecharmos os olhos, parece que estamos de volta aos tempos em que este tipo de coisa parecia estar confinada ao nosso imaginário. Muito groove, guiado por uma voz rouca carregada de whiskey e músicas que vão de encontro aos lugares comuns desse tal imaginário. Por acaso até era mesmo isso que queríamos.

8.5/10
Fernando Ferreira

Michael Des Barres And The Mistakes – “Live At The Hi Hat”

2020 – Die Laughing Records

Esta foi uma grande e agradável surpresa. Quando olhei para o nome, fiquei na dúvida e perguntei para mim mesmo “não era este o nome do actor que desempenhava Murdoc, o aqui-inimigo do MacGyver?”. Quando procurei mais informações, fiquei surpreendido por ver que… sim, é ele mesmo! Ao que parece além de actor também é vocalista e já passou por várias bandas, tendo inclusive actuado no primeiro Live Aid. E aqui escolheu seis temas, seis covers, que não sendo sobejamente conhecidas (a mais conhecida é a dos T-Rex, “Get It On (Bang A Bong)” transmitem o músico do cantor/actor tem pelo rock, que culmina com um medley de clássicos de rock, que está cheio de feeling rockeiro. Excelente surpresa e vontade de ouvir muito mais!

8/10
Fernando Ferreira

Stone Age A.D. – “The Awakening Of Magicians”

2018 – Edição de Autor

Os Stone Age A.D. são brasileiros mas nem parece. A sua sonoridade é tão clássica dentro do rock/hard rock que parece que nos chega directamente da década de setenta, de acordo o que se fazia mais a norte do continente. Bom gosto que nos faz pensar em Eagles, Rolling Stones e por momentos até Pink Floyd – “My Friend” parece evocar o feeling imortal de David Gilmour. É algo que vai contra a corrente do momento mas definitivamente soa bem e vai soar bem daqui a alguns anos. Para quem acredita, como eu, que o rock não envelhece, apenas fica melhor, este é um trabalho mais que obrigatório.

8/10 
Fernando Ferreira

Paris – “50 / 50”

2021 – AOR Heaven

Paris é uma dupla francesa, composta por Frédéric Dechavanne (voz e teclas) e Sébastien Montet (guitarra, teclas e coros), que juntou o baixista Dave Bartlett o baterista Rob McEwen e o guitarrista Robert Säll, para compor “50/50”, lançado a 26 de Março, produzido e masterizado por Steve Newman.

“50/50” é um daqueles álbuns que AOR/rock melódico que pensávamos já não ser possível fazer em 2021. Ao mesmo tempo que reúne uma voz melodiosa, uma base rítmica forte e riffs de guitarra tão próprios do AOR, apresenta uma construção actual, conseguindo trazer um som contemporâneo.

Para quem cresceu nos anos 80 e inícios dos 90 do século passado, ouvir “50/50” é fazer uma viagem de memórias, guiada pelo ritmo da bateria e pontuada pelos solos de guitarra, que nos faziam querer ser estrelas de rock em palcos grandiosos e com plateias em êxtase.

7.5/10
Fernando Ferreira

Desperation Blvd – “Sleaze ‘N’ Roll”

2020 – Edição de Autor

Estreia discográfica dos italianos Desperation Blvd, que deixa bem óbvio desde o início aquilo ao que vêm: hard rock com aquele gostinho sleazy, tão próprio dos E.U.A . da década de oitenta. E por muito que seja um grito do passado, quando bem feito, é como se nós próprios fossemos transportados até lá através destes seis temas. Hard rock à maneira, sem esconder as referências. Nem sequer tentar. Nada que nos choque, quando o resultado é bom.

7/10
Fernando Ferrreira

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