WOM Reviews – Evile / Cryptosis / Nekromantheon / Enforced / Video Nasty / Redimoni / Cães de Guerra / Destruction

WOM Reviews - Evile / Cryptosis / Nekromantheon / Enforced / Video Nasty / Redimoni / Cães de Guerra / Destruction

Evile – “Hell Unleashed”

2021 – Napalm

Os Evile estão de volta e estão mais intensos que nunca. Parece mentira mas já passaram oito anos desde o último álbum de originais. “Hell Unleashed” é um regresso que vai entusiasmar todos os fãs da banda. Thraaaash metal sem concessões – e bem mais intenso do que aquilo que fizeram em “Five Serpent’s Teeth”, por exemplo. A temática do inferno e do terror está presente não só na capa e no título do álbum como em todas as músicas com inúmeras referências ao imaginário de horror, sobretudo cinematográfico – como exemplos maiores temos os temas “The Thing (1982)” e a surpreendente(mente eficaz!) cover dos Mortician, “Zombie Apocalypse” (que foi inspirada na “Noite dos Mortos Vivos” de George Romero). Para quem não conhece a música original, estamos a falar de death metal bem brutal – uma ideia que não é muito comum encontrar materializada e que resulta muito bem. É um álbum sólido de thrash metal que vai encher as medidas de todos os que tinham saudades dos thrashers norte-americanos.

9/10
Fernando Ferreira

Cryptosis – “Bionic Swarm”

2021 – Century Media Records

Poderia dizer que os Cryptosis são uma super-banda, por ser um verdadeiro power trio, que reúne músicos experientes da cena holandesa. É sempre apelativo mas neste caso e apesar de ser verdade essa afirmação – muito embora as bandas por onde passaram e/ou estão actualmente não serem sobejamente conhecidas – a verdadeira razão deste seu título é mesmo pelo álbum de estreia fantástico que apresentam. Sem querer ferir susceptibilidades, “Bionic Swarm” é como se fosse uma encarnação holandesa e do século XXI dos Coroner. O mesmo tipo de agressividade, a exuberância técnica e uma capacidade de contagiar com grandes riffs e solos. Aliás, até acho que o consegue fazer de forma superior, sem querer comparar o incomparável (mas comparando). Mais do que tentar espetar não sei quantos riffs por temas e coisas complicadas de tocar (e ouvir, por consequência) existe um foco em fazer grandes temas que salta ao ouvido desde o primeiro momento. Esse sentimento de espanto quase juvenil só me leva a concluir uma coisa: O futuro é brilhante, com um presente destes, só pode ser!

9/10
Fernando Ferreira

Nekromantheon – “Visions Of Trismegistos”

2021 – Indie Recordings

Será estranho termos noruegueses a tocar thrash metal com inspiração conceptual na mitologia grega? Hoje em dia definitivamente não, mas essa é apenas a forma mais simplista de categorizar os Nekromantheon. Thrash metal cru e primitivo, claramente inspirado nos primórdios do género mas a trazer algo de contemporâneo para cima da mesa. Algo até mais extremo, não sendo descabida a aproximação ao black metal – e não é por serem da Noruega. Os Nekromantheon também quebram um silêncio nos álbuns que já durava quase dez anos. Podemos dizer que regressam em grande, com um álbum que desafia a passagem do tempo e demonstra que o fulgo desta malta está em alta. Thrash metal necro e com uma atitude in your face vintage que é apetecível de repetir depois de provar.

8.5/10
Fernando Ferreira

Enforced – “Kill Grid”

2021 – Century Media Records

Entusiasmo thrash – mesmo que seja um thrash metal a puxar ao death – é sempre algo que faz bem à saúde e reforça o sistema imunitário. Não há provas ciêntificas daquilo que estou a dizer mas perante este poder, acho que só poderão vir daqui coisas boas, incluíndo isto. Deram um salto de gigante, passar da War Records para a Century Media mas não será hype exagerado porque “Kill Grid” justifica toda e qualquer ascensão. É um álbum que vai buscar a natureza mais rebelde e bruta do thrash metal e dota-a de ainda mais peso e brutalidade.  Em termos instrumentais é impossível não se falar de Slayer, mas há identidade própria e músicas que transpiram isso mesmo. O contraste da voz com a melodia dos solos, com a agressividade dos riffs são as suas principais armas mas, sinceramente, nem seriam necessárias mais. Citando uma cena melosa de um filme conhecido, conquistaste-me logo com “entusiasmo thrash”.

9/10
Fernando Ferreira

Video Nasty – “Video Nasty”

2020/2021 – Petrichor

Afinal os nomes beras nem todos pertencem à nova geração de bandas modernas. Também existem bandas que tocam sonoridades mais tradicionais que gostam desta sopa. Verdade seja dita, tendo em conta o conceito da banda, o nome faz todo o sentido já que eles se propõem a explorar o imaginário do cinema slasher da década de setenta a noventa. E fazem-no a prestar tributo ao feeling primordial do thrash metal popularizado por bandas como Kreator, Sodom e Sepultura, onde as fronteiras entre o thrash e death metal estavam a começar a ser estabelecidas. Aliás, até temos uma cover de Sepultura para a “Antichrist” com direito riff do tema homónimo dos Slayer. Fantástico EP, bem repescado pela Petrichor.

9/10
Fernando Ferreira

Redimoni – “On The Brink Of Existence”

2021 – Edição de Autor

Thraaaaash! Vitaminado e bruto. Curiosamente nuestros hermanos eram-me desconhecidos mas ao ouvir este EP fiquei logo convertido. Vocalmente faz lembrar o nosso monsenhor Belathauzer dos lendários Filii Nigrantium Infernalium se estes se decidissem a tocar (apenas) thrash metal. Agressivo e bastante directo ao assunto mas com os pés nas influências clássicas e extremas do estilo, é uma excelente forma de apresentar a banda a novos fãs – o último álbum “Standing Before the End of Time data já de 2012. É daquelas propostas que ouvimos uma vez e metemos logo no replay. Quando é rápido e furioso desta forma é porque é mesmo bom. E é.

8.5/10 
Fernando Ferreira

Cães de Guerra – “Cabras, Cães & Leite De Bode”

2021 – Firecum Records

Mais uma excelente surpresa do underground nacional, esta one-man band que pega nos lugares comuns do heavy metal e os traduz para português. É um álbum embrionário, sente-se isso mas que está muito bem conseguido pela simplicidade e genuidade. Poderia ter um pouco  menos reverb na voz mas provavelmente também faz parte da mística do seu speed metal bastardo. Motas (Zundapp ou Famel), metal, bebida e sexo, estão cobertas as bases e o resto é andamento para a frente. A abordagem alucinada da voz (e das letras!) é o grande destaque e nem sempre se enquadra da melhor forma mas é também um elemento que serve para tornar este disco memorável como uma das grandes curiosidades recomendadas de 2021.

8/10
Fernando Ferreira

Destruction – “Bestial Invasion of Hell”

1984 / 2021 – High Roller Records

Embora eu consiga ser muito céptico em relação às demos das bandas conceituadas devido à sua qualidade sonora, esta dos Destruction sempre foi uma que acho que já tinha bastante qualidade e que já evidenciava o seu poder metálico – sendo até a melhor da concorrência germânica da altura, ou seja Kreator e Sodom. Esta reedição traz ainda mais quatro temas bónus, versões de ensaio dos temas “Death Trap”, “Invincible Force”, “Total Desaster” e “Antichrist”, esses sim, verdadeiramente podres. Para os coleccionadores de pedaço de história, este é um bem apetecível.

7/10
Fernando Ferreira

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