WOM Reviews – Per Wiberg / White Void / Acacia / The Living / Moonscape / John Mcris / Samuli Federley / Silver Nightmares

WOM Reviews - Per Wiberg / White Void / Acacia / The Living / Moonscape / John Mcris / Samuli Federley / Silver Nightmares

Per Wiberg – “All Is Well In The Land Of The Living But For The Rest Of Us... Lights Out”

2021 – Despotz Records

Per Wiberg é um daqueles músicos que surge sempre em contextos de excelência mas que raramente tem o protagonismo que merece. Também não me parece que seja algo que preocupa o músico sueco mas é bom ver esta aposta a solo, com uma sonoridade mais progressiva mas inesperadamente refrescante. Ou seja, em vez de termos algo que relembre algo que fez com os Spiritual Beggars ou Opeth, a apontar para a década de sessenta ou setenta, temos um feeling mais próprio da década de oitenta e com uma roupagem rock ou hard rock pouco usual. Isto quando não saca uns ambientes dignos de filme noir (“But For The Rest Of Us…”)  Criminosa a forma como este EP é curto mas o vício é apreciável e assinalável.

9/10
Fernando Ferreira

White Void – “Anti”

2021 – Nuclear Blast

Sabemos quando algo é sério quando continuam a chegar-nos bandas que desconhecemos por parte de fontes como a Nuclear Blast. Neste caso, a “coisa” em questão é o rock vintage. A atitude a ter perante um álbum assim antes de o ouvirmos é “Não quero saber muito sobre os White Void, nada para além da música que fazem”. A capa é intrigante e minimalista o suficiente para verificarmos que não é a estética que mais vale, é o saber usá-la com sabedoria. Depois o conceito é bem mais profundo do que simplesmente enrolar uma para ajudar a passar o tempo e ver a estrelas de olhos fechados. Poderá haver um mercado mesmo para o rock mais retro, mas os White Void vão bem mais além do que esses simples rótulos. A sua música vai buscar muito da estética fria do pós-punk enquanto equilibra a temperatura com o sabor rock clássico. O que se tem é precisamente o contrário do que se espera, bem próximo do rock progressivo. Longe especialmente quando se fala em “vagas” e “modas”, conceitos que supostamente destroem a originalidade. Estejam descansados, que este vai-vos fazer crescer.

9/10
Fernando Ferreira

Acacia – “Resurrection”

2019 – Underground Symphony

Regressos. Quanto mais tempos se tem a separar dois trabalhos, maior é a expectativa e, por  consequência, a probabilidade da mesma ser irreal. A vantagem pode ser por simplesmente passar ao lado delas. Não conhecendo o álbum anterior, a estreia “Deeper Secrets” de 1996, deixa-me receptivo ao que vamos encontrar aqui. Confesso que mesmo que não tivesse receptivo, que não iria ficar desiludido. Metal progressivo de uma enorme classe que consegue convencer até o mais céptico. Aqui e ali podemos ter alguns retratos de Queensrÿche e Dream Theater mas serão mais referências universais do que prorpiamente tentativa de aproximação. Recomendado!

8.5/10
Fernando Ferreira

The Living – “Drinking From A Through Of A Tyrant’s Piss”

2018 – Edição de Autor

Tão bom ir buscar as coisas que ficaram para trás (aparentemente) esquecidas e descobrir pérolas como este álbum dos The Living, que têm uma abordagem muito pouco comum ao pós-rock e ao rock progressivo. Uma abordagem moderna e com elementos electrónicos a tornar a sua música bem refrescante. Difícilmente passam despercebidos e poderá até causar alguma estranheza mas depressa a coisa se entranha. É tão bom como é curto – nitidamente seis temas não chegam para matar a fome. Por falar nisso, estamos em 2021 e eles nunca mais editaram nada desde então… se calhar já estava na altura.

8/10
Fernando Ferreira

Moonscape – “Entity, Chapter II: Echoes From A Cognitive Dystopia”

2020 – Moonscape Music

Primeiro problema com que me deparei, algo que é pessoal, admito: som orquestral que recorre por falta de recursos (compreensivelmente) a intros orquestrais que tentam soar sinfónicas (a sério) mas que são fruto de teclados. É compreensível tendo em conta os custos para fazer algo dessa forma mas a partir do momento em ques e tornou comum (talvez demasiado) termos essa sonoridade, ter algo falso parece que não soa bem. Uma pequena nota que não tem influência na apreciação final, num álbum que perante algumas limitações (como a referida) consegue fazer muito. Metal progressivo, sem um ponto de foco muito fixo – tanto vai do sinfónico, como passa para o death metal progressivo – mas que consegue trazer bons resultados. Sinto-o como defeito maior o facto de ser muito curto – quatro temas que não chegam a quarenta minutos e sendo que um deles é a referida intro. Se tivesse mais um tema, o impacto seria certamente maior. De qualquer forma para quem gosta de metal progressivo épico e bem feito, esta banda urge descobrir.

8/10
Fernando Ferreira

John Mcris – “Ark”

2021 – Symrec

Incrível como estamos em 2021 e ainda é possível haver entusiasmo por música instrumental. Sei que esse entusiasmo não é geral – se fosse, o mundo seria bem mais agradável – e que a cultura da música, como a cultura no geral, está cada vez mais pobre pela obrigação/tentação de simplificar tudo de forma a que seja melhor mercantilizado. Não é dizer que “Ark” é um álbum hiper-mega complicado, ao qual é difícil de absorver. De todo. Temos rock instrumental onde a guitarra é o óbvio centro das atenções mas onde os teclados também merecem o destaque, sem deixar de referir também a forma como a base rítimica torna tudo mais sólido. Os nomes clássicos do shredd são uma referência, principalmente Satriani mas Mcris tem um estilo próprio que vai para além das referências clássicas. Simples nas melodias mas cheio de feeling. Não é preciso mais.

8/10 
Fernando Ferreira

Samuli Federly – “9 Classics With 8 Strings”

2020 – Dr. Johns Surgery Records

Misturar a guitarra com a música clássica (ou vice-versa) sempre foi uma paixão minha em termos auditivos. Descobrir as bandas que faziam a ligação entre esses dois mundos ajudou sobretudo a aprofundar o meu conhecimento e gosto pelo metal. Claro que perante esse historial que este “9 Classics With 8 Strings” se torna logo apetecível. Embora deva dizer que se tivesse sido uns anos atrás na minha fase mais embrionária o impacto tivesse sido bem maior. Samuli traz-nos a sua guitarra de oito cordas onde se sente mais a sua presença na parte ritmica mas é feito de forma bastante sóbria, ou seja, não estamos muito longe daquilo que é o original. Temos algumas surpresas como a “Con Te Partiro” popularizada por Andrea Bocelli e a “Finlandia” de Jean Sibelius – Federly é finlandês. Para quem gosta dos dois mundos, vai apreciar esta abordagem que entre o tradicional e o mais inventivo, acaba por prevalecer o tradicional.

7/10
Fernando Ferreira

Silver Nightmares – “The Wandering Angel”

2021 – Artewiva

Um trabalho de estreia é sempre um momento que tenho curiosidade em conhecer. Seja de que banda for e de que estilo for. Não é garantia de qualidade imediata ou de excelência musical – embora ultimamente até possamos dizer que o tenhamos tido em números acima da média – mas é um primeiro passo importante para quem tem aspirações artísticas (ou até mesmo profissionais) que envolvam o mundo da música. Os italianos Silver Nightmares demonstram ter ambição e talento mas ainda existem ajustamentos a fazer. O facto de ter como base um trio e de contarem com muitos músicos de sessão também poderá ser sinal de perserveranã e da dificuldade em encontrar um alinhamento mais estável. Conceptualmente, um conceito muito interessante e talvez demasiado ambicioso para um EP. Musicalmente fazem um rock progressivo a lembrar as boas indicações da década de setenta mas o grande problema que encontro é mesmo nas duas vozes, que até são muito semelhantes entre si. Não sendo más, é um timbre pouco impressionante e marcante. Banal até se pensarmos nos lugares comuns do estilo e da janela temporal indicada. Todavia, bom início de carreira e espaço para surpreender nos próximos.

6/10
Fernando Ferreira

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