WOM Reviews – Stormruler / Armnatt / Satyricon / Duindwaler / Thanatomass / Roraima / O Fim

WOM Reviews - Stormruler / Armnatt / Satyricon / Duindwaler / Thanatomass / Roraima / O Fim

Stormruler – “Under The Burning Eclipse”

2021 – Napalm

Antes de qualquer coisa tenho que referir, que capa fantástica. É sempre bom ver uma banda a estrear-se com plena noção do quão importante é a componente visual do produto que estão a lançar. Ambicioso tal como a própria música, devo referir. Este duo norte-americano (composto por Jesse Schobel dos Cast The Sone, Oracle e Legend na bateria e vozes de apoio e Jason Asberry dos Bastard e Harkonin na voz e guitarras) entra a matar e sabe muito bem aquilo que pretende. Black metal rápido mas poderoso e com capacidade para criar ambiências. Até consegue tornar vitoriosa uma táctica que nem é comum ser especialmente bem sucedida, como intercalar as músicas propriamente ditas por apontamentos atmosféricos/instrumentais. No final ter-se quase vinte faixas parece mesmo um exagero, mas a mesma flui muito bem. É uma estreia surpreendente quer pela forma e formato que tem assim como pela sua eficácia. Nome a reter.

9/10
Fernando Ferreira

Armnatt – “Eternal Flame”

2021 – Signal Rex

Terceiro álbum dos algarvios Armnatt que trazem aquela estética que tanto diz a quem mergulhou a sério no black metal no final da década de noventa. “Eternal Flame” é cru, é unidimensional e é black metal sem concessões, minimalista nas suas estruturas (ou pelo menos simples) mas consegue com sucesso estabelecer um ambiente que é tudo neste tipo de coisas. Tal como a estética da capa, a simplicidade é tudo. Claro que todos já ouvimos tudo isto antes e não é isso que está em causa. O que está mesmo no centro da questão é não conseguirmos deixar de ouvir a cada audição, é voltarmos para mais. Não será um efeito global, mas aos verdadeiros fãs do género é o que vai acontecer ao longo destes trinta minutos. Um abismo que hipnotiza.

8.5/10
Fernando Ferreira

Satyricon – “Dark Medieval Times”

1993/2021 – Napalm

É cada vez mais comum termos bandas de black metal misteriosas das quais não há nenhuma informação. Mas no final o que interessa mesmo é a música e no caso dos holandeses Ossaert, o que temos é quatro temas longos, hipnóticos e cruz. Vistas a coisas, não é preciso saber quem são, de onde vieram e para onde vão. Nem é preciso letras nem títulos de música (por muito que seja um chavão termos “I”, “II”, “III” e “IV” como títulos, enquadra-se perfeitamente) porque a música fala por si só. E nem só consegue ser aquele black metal cru e primitivo como também consegue alcançar níveis inesperados de melancolia (conferir a “III”). No geral é um álbum surpreendente que não conseguimos ficar indiferentes.

8.5/10
Fernando Ferreira

Satyricon – “The Shadowthrone”

1994/2021 – Napalm

Menos de um ano depois de se estrearem com “Dark Medieval Times”, chega “The Shadowthrone” que se nota que é um passo evolutivo em relação à estreia mas que nitidamente se nota nalguns aspectos preso a um estilo de black metal que se tornou datado, principalmente pela forma como os teclados são usados. Curiosamente é também esse motivo que faz com que seja agradável de o revisitar. É como se estivessemos perante duas coisas inconciliáveis, a abordagem incomum de Satyr à composição e os elementos convencionais (não eram na altura mas depressa se tornaram assim com a ascensão do black metal melódico). “The Shadowthrone”, assim como “Dark Medieval Times” em igual medida, poderá ser um caso de culto que ganhou sobretudo interesse pela revelância pelos trabalhos seguintes da banda, mas não é preciso lhe dedicarmos muito tempo que é intrigante e de forma comedida, revolucionário ao ponto de garantir interesse, mais de vinte e cinco anos depois de ter sido editado.

8/10
Fernando Ferreira

Duindwaler – “Landloper”

2021 – Edição de Autor

EP de estreia desta one man-band que nos traz black metal cru e semi lo-fi. Como é comum no black metal mais primitivo, o foco está exclusivamente nos riffs em tremolo picking e com a voz a sobressair-se. Neste tipo de coisa, se os riffs não forem interessantes, tudo o resto morre à nascença e até podemos dizer que “Lanloper” consegue sobreviver esse primeiro estágio. Entretanto, com as canções a terem uma duração acima da média, os mais desejosos por algo mais directo ou bruto, talvez se cansem desta fórmula que prima pela repetição meio minimalista mas resulta e é interessante o suficiente para prender a atenção de quem gosta desta abordagem.

8/10
Fernando Ferreira

Thanatomass – “Black Vitriol & Iron Fire”

2021 – Living Temple Records / LVX MorgenStern

A capa é estranhamente sugestiva, de várias formas. Interpretações múltiplas nem sempre é o que se tem no black metal e muito menos no som dos Thanatomass que lançam aqui o seu segundo álbum. Tem um poder necro e javardo impressionante – o que também se percebe a opção de apenas ter cinco temas em pouco mais de meia hora. Mais seria provavelmente demais. Peso, feedback, voz cheia de eco (aliás, como maior parte do que se pode ouvir aqui) mas aquele ambiente que por vezes se pensa que é mágico – nem sempre está presente e que quando se tenta recriar, por norma, está sempre ausente. Um pouco de fusão com thrash e o caos inicial do death metal também pode ser encontrado por aqui, o que é ideal para quem gosta de voltar atrás no tempo e verificar como era a música extrema na altura. Não é algo retro mas é primitivo e honesto o suficiente para tal.

7.5/10 
Fernando Ferreira

Roraima – “ WR”

2021 – Edição de Autor

É sempre bom ampliarmos os nossos conhecimentos neste nosso crescente mundo do metal, melhor ainda quando são as bandas que fazem questão de se apresentar. É o caso dos Roraima, banda Venezuelana que canta em castelhano e que junta ao seu black metal muitos elementos de folk interessantes que dão mais riqueza à sua música. Este terceiro álbum evidencia-os com um acabamento em bruto, próprio das bandas que estavam a dar os seus primeiros passos vinte anos atrás, que tem o seu encanto para quem viveu a cena nessa altura e para quem gosta deste tipo de ambiências. É invulgarmente longo – quase uma hora – e por vezes sente-se que lhe faltam argumentos para justificar essa duração mas ainda assim, dentro do estilo a que se propõe, não deixa de ser interessante. 

6.5/10
Fernando Ferreira

O Fim – “A Profanação do 13 de Maio”

2021 – Edição de Autor

Black metal dos quintos dos infernos. Tão black metal que até o tinhoso se deve estar a contorcer pelo o que esta profanação sagrada contém. Dizer que os O Fim tocam black metal cru é eufemismo. Não seria petulante que embarca mais por caminhos noise e experimentais – “Fornicação I: Introdução da Profanação da Minha Caótica Existência…” acaba por ser apenas feedback mas construído de forma intrigante e bem sucedida. Já as faixas mais comuns, se é que podemos dizer isso, acabam por não ter o mesmo impacto. Não é garantido que os fãs do black metal tradicional embarquem nesta profanação, por muito vontade blasfema que sintam a pulsar dentro de si, mas já os fãs de noise e música experimental até podem sentir o efeito da atracção. Fica ao critério dos que se arriscarem adentrar nesta perdição.

5/10
Fernando Ferreira

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.