WOM Reviews – The Chant Of Trees / Schemer Heer / Sow Discord / Urku Llanthu / Hoofmark / Reconvalescent / Nathaniel Shannon & The Vanishing Twin / Emptiness

WOM Reviews - The Chant Of Trees / Schemer Heer / Sow Discord / Urku Llanthu / Hoofmark / Reconvalescent / Nathaniel Shannon & The Vanishing Twin / Emptiness

The Chant Of Trees – “The Chant Of Trees”

2021 – Shaman Voice Production

Devo confessar que foi o termo “Meditative Folk Metal” que primeiro me chamou à atenção e depois foi a música em si que fez o resto. Se calhar colocar aqui o termo metal é esticar um pouco a corda, apesar das guitarras distorcidas ocasionalmente marcarem a sua presença (como na excelente “The Boundless Seas Part. 1”). Para quem não sabe, este é um novo projecto de Zahaah (dos Himinbjorg) onde se junta a Elisabeth que hipnotiza no spoken word e encanta quando canta. São eles dois o centro do projecto mas depois temos mais músicos a dar vida aos instrumentos tradicionais – flautas, bouzouki, harpas, etc… é um daqueles sons que facilmente me consegue fazer entrar em estado meditativo – portanto, rótulo acerta em cheio – e com um impacto emocional enorme. Fantástico trabalho, fantástico álbum e está já aqui um dos grandes álbuns folk de 2021. De caras.

9.5/10
Fernando Ferreira

Schemer Heer – “The Dragon, His Angels And The Exaltation Of Death”

2021 – Neuropa Records

O dungeon synth é algo que não me entra totalmente bem. Isto dito de quem teve/tem um projecto de música ambient poderá soar estranho. No entanto, no ambient há um minimalismo que nunca está presente no dungeon synth embora o veja e sinta como um parente mais ou menos próximo. No dungeons synth é preciso ter arte e habilidade (e também cuidado) para que não soe a banda sonora de video jogo da década de oitenta. Das várias propostas que me foram passando pela frente ao londo dos anos, devo dizer que Schemer Heer é uma das mais ricas e que consegue criar uma verdadeira atmosfera que transmite o misticismo que a capa e o título sugerem. E é este o ponto mais forte que quero que fico estabelecido, pelo menos antes de dizer que este projecto tem por trás Maurice De Jong dos Gnaw Their Tongues, e que o facto de isto soar refrescante é pela forma como utiliza a guitarra para criar as linhas de teclados. Original e bem conseguido.

8.5/10
Fernando Ferreira

Sow Discord – “Quiet Earth”

2021 – Tartarus Records

Frio e desolador, é esta a estreia do projecto Sow Discord, que tem por trás David Coen. Algures entre o industrial e o noise, sem esquecer ambiência criada que é o elemento principal a destacar aqui. Este tipo de música deverá ser sempre vista e sentida como algo diferente, onde não temos propriamente uma mensagem clara ou estruturas fixas e estáticas. É o caos descontrolado que domina e é essa a componente que se torna de longe a mais atractiva. Não será indicado para aqueles que não conseguem apreciar algo fora do tradicional e mesmo o facto de ser um ambiente frio e desolador como disse no início, também não significa que gostar de metal será garantia de se gostar de “Quiet Earth”. Seja como for, para os mais aventureiros e fãs de algo industrial, este será um lançamento que deverão conferir.

8/10
Fernando Ferreira

Urku Llanthu – “Urku Llanthu“

2020 – Takiri Prod. Ind.

Interessante projecto do Equador de dungeon synth e ambient. Alguns destes sons e ambientes já foram muito explorados no universo do black metal mas o que é interessante aquii neste trabalho auto-intitulado é a forma como conseguem transcender esse reino e ir para outros. Um deles é o folk, muito ao de leve, mas onde esses resultados são mais bem conseguidos é quando temos uma abordagem mais minimalista com sintetizadores próprios da década de oitenta, que nos faz lembrar alguns filmes da época – principalmente os maus. Uma excelente surpresa, ainda que algo ambiciosa – se o ambient não é para todos, o ambient num álbum de mais de oitenta minutos muito menos. Seja como for, e mesmo sendo para um nicho muito específico, os resultados são bem positivos.

8/10
Fernando Ferreira

Hoofmark – “Evil Blues”

2021 – Miasma Of Barbarity Records

Não sou especial fã daquilo que Hoofmark faz. Pelo menos de “Stoic Winds”, o trabalho longa duração de estreia não foi particularmente eficaz para estes lados. Contudo e após alguma estranheza inicial, devo dizer que “Evil Blues” é bem diferente. Mais peculiar, mais maduro. Ou então sou eu que estou mais maduro o suficiente para apreciar a sua música. É difícil tentar definir o que se pode ouvir aqui. O rótulo de black metal não lhe acenta confortavelmente bem, o de folk/country também não. Claro que sempre se pode dizer que é algo experimental, algo que quebra com alguns dos moldes onde supostamente deveria encaixar. “Evil Blues”. Apesar dos resultados mais positivos, não é de todo um trabalho de fácil apreciação e interiorização. Mas dá mais vontade de querer descobrir, o que é sinal de uma inconformidade que só vai trazer bons resultados artísticos.

7/10
Fernando Ferreira

Reconvalescent – “The Progress Of Nothing”

2021 – Machine  Man Records

Sabe-se de antemão que um disco industrial não é para ser bonito. Nem simpático, nem uplifting. Não é que não existam excepções a esta regra. No entanto não a vão encontrar aqui. Este EP é bastante dinâmico, encontrando várias facetas e várias personalidades dentro das fronteiras do estilo. Uma componente forte, ainda que indirectamente, é a vertente ambient e neste caso fazem bom uso da mesma. Também as guitarras marcam presença naquele que é o tema mais bem conseguido do EP – “Ghost Of Stroy”. No geral, o ambiente claustrofóbico e as soluções apresentados até podem ser um pouco datadas mas isso não impede que se aprecie o resultado.

7/10 
Fernando Ferreira

Nathaniel Shannon & The Vanishing Twin – “The Three Mothers“

2020 – Aqualamb Records

Interessante trabalho e interessante artista. Nathaniel Shannon não só é músico como também um fotógrafo e artista gráfico – a capa é prova suficiente, fantástica! Musicalmente, este EP traz-nos uns ambientes que não seriam desfasados de um industrial/ambient – ainda que em versões light – mas depois a componente principal é mesmo o neofolk, sendo decisivo o tom e timbre de voz de Nathaniel. Fica criada uma aura assombrosa e digna de momentos etéreos de um filme de David Lynch. A amostra é pequena e curta mas promissora.

7/10
Fernando Ferreira

Emptiness – “Vide”

2021 – Season Of Mist

Não sabia bem o que esperar daqui, afinal o rótulo com que este álbum nos foi apresentado é dark lounge, o que me leva a expectativa para campos próximos do ambient. Depois de ouvir “Vide”, faz algum sentido mas a distância entre a expectativa e a realidade ainda é considerável. “Vide” é um conjunto de temas, cantados em francês, bastante peculiares (para não dizer esquisitos) onde se pode traduzir e descrever com um shoegaze sem vitaminas e atirar para o depressivo. Ou então poderá atirar o ouvinte para a depressão. Duas fortes posssibilidades. Apesar de encontrar aqui e ali alguns pontos de interesse, não há matéria suficiente que implique voltar a ele depois de determinado e digerido. É daquelas refeições que sabemos que há quem aprecie, e que até é bastante refinada, mas que no final não dá alimento para quem quer algo mais consistente.

5/10
Fernando Ferreira

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.