WOM Reviews – Tragedian / Witherfall / MP / Rhabstallion / Bloody Hell / Tyrants Curse / 1-900 / Ghost Tower

WOM Reviews - Tragedian / Witherfall / MP / Rhabstallion / Bloody Hell / Tyrants Curse / 1-900 / Ghost Tower

Tragedian – “Seven Dimensions”

2020 – Pride & Joy Music

Formados na Alemanha em 2002, os Tragedian apresentam este ano o seu quarto álbum Seven Dimensions. Com uma sonoridade enraizada no power metal e no melódico, este álbum comporta aquilo que se faz de melhor no género. Apesar de muitas vezes o género ser lembrado pela associação a hinos de batalha, este não é propriamente o caso. Não se deixem enganar, este é um álbum de tons épicos, contudo, como já referido, tende a se aproximar mais dos estilos melódicos, pelo que as temáticas de guerra são um pouco postas de lado. Em vez disso, o que ocorre é mais um mergulho nas profundidades épicas do “herói”. É um álbum também complementado por várias faixas mais melancólicas, como seria de esperar no género. Ainda a acrescentar, refere-se que quatro das faixas são realizadas com apoio de outros ilustres como Dan Palmer, Jules Down e Zak Stevens, o que ainda aumenta a qualidade deste álbum, já que são participações em larga escala (atenção especial a Forces of the Light). Gostem ou não do género, é um álbum a ter em atenção.

9/10
Fernando Ferreira

Witherfall – “The Curse Of Autumn”

2021 – Century Media Records

Já passaram três anos desde que “A Prelude To  Sorrow” foi editado? O tempo não espera mesmo por ninguém! Os Witherfall são, para mim, uma das propostas mais excitantes do power metal norte americano dos últimos anos, uma espécie mistura entre os Cage, Sanctuary e Iced Earth, com um travo progressivo e técnico bastante apurado. A banda não dá um passo em falso e “Curse Of Autumn” é a confirmação dessa regra aparente. Um álbum que apresenta uma nova formação nas figuras de Alex Nasla (teclas e coros) e do mestre Marco Minnemann (bateria), este último que surge aqui com um som de bateria longe de impressionar. Aliás, este pormenor é mesmo o único defeito que encontro mas que não é por isso que a audição do álbum é prejudicada. Temas e melodias marcantes que apetecem cantar, fazendo lembrar daqueles tempos em que havia concertos e não era apenas um triste e barrigudo escritor a entoar refrões enquanto tecla furiosamente… Um dia! Fica para a posteridade mais um álbum de grande qualidade.

9/10
Fernando Ferreira

MP – “Get It Now”

1987/2021 – Relics From The Crypt

Como já disse algumas vezes, é sempre fantástico conhecer propostas desconhecidas que nos chegam do passado mais longíquo e nesse patamar colocamos o álbum de estreia dos MP, por nós aqui revisto e que deixou boas expectativas para pegarmos neste segundo álbum, “Get It Now”, que foi lançado um ano depois e é agora também repescado pela Relics From The Crypt que está a fazer serviço público. Heavy metal cru que lembra muito Accept nos seus primórdios mas com uma identidade própria. Apesar da sonoridade datada, é um daqueles álbuns que se (re)descobre muito bem e mostra o espírito do heavy metal tradicional, no seu espírito mais puro. Esta reedição traz uma série de temas ao vivo, com boa captação e feeling. Em suma, vale bem a pena arranjar esta reedição e conhecer a carreira dos MP a fundo.

8.5/10
Fernando Ferreira

Rhabstallion – “Back In The Saddle”

2021 – Golden Core Records

O título “Back In The Saddle”, que sugere um regresso, até poderá soar algo estranho se tivermos em conta que este é o álbum de estreia dos Rhastallion. Não é assim tão estranho se tivermos a noção de que a banda começou a sua carreira no final da década de setenta e  terminou funções a meados da oitenta, sem nunca ter lançado mais que demos. A febre da New Wave Of British Heavy Metal não foi para além disso. O que foi pena a avaliar por este álbum que traz um hard’n’heavy bem inspirado. O som é tradicional, com uma produção forte mas são as músicas que nos conquistam. De uma perspectiva fria diria que ter treze temas e mais de uma hora de música é excessivo, mas tendo em conta a fome de música que este pessoal tem e a boa maneira como a tratam, é uma hora que passa a correr. Bem vindos de volta, esperemos que seja de vez.

8.5/10
Fernando Ferreira

Bloody Hell – “The Bloodening”

2021 – Rockshots Records

Ah que saudades eu tinha de olhar para uma capa e pensar logo nos anos oitenta, onde era mais comum encontrar coisas horríveis com esta que está aqui a queimar as retinas desprevenidas. Sabemos que o heavy metal implica uma certa tradição, mas se era para usar uma pintura/desenho, poderia ser uma com um impacto mais agradável. Felizmente, ao ouvirmos a música ficamos contentes pelo desastre ficar só pela arte visual. Em termos sónicos, estes finlandeses dão-lhe muito bem no heavy metal tradicional, com um poder quase vintage – a fazer lembrar as propostas que nos chegavam da alemanha – e um encanto imediato. Não é um álbum perfeito mas no geral a banda consegue evocar os deuses do estilo (Judas Priest são aqueles que mais me soam) e dar-lhe o seu cunho pessoal – principalmente ao nível da voz. Por isso, já sabem, quando virem a capa, não desanimem. Fica melhor quando se ouve a música.

8/10
Fernando Ferreira

Tyrant’s Curse – “Modern Babylon”

2021 – Ragnarök Records / Doc Gator Records

Não estou habituado a encontrar one-man bands que não seja no espectro da música extrema. Este projecto alemão que tem em Andreas Leyer a sua figura central (dos Twelve Arms, Sinforce e Ignition) não só surpreende por apresentar um heavy metal musculado (típicamente alemão) como também consegue impressionar pela qualidade. Boa produção, boas guitarradas – o centro das atenções como normal no metal mais tradicional – e uma excelente voz, que surge aqui muitas vezes dobrada com coros. Frenético e poderoso ainda que esse mesmo poder acabe por permitir grandes dinâmicas sendo esse o ponto em que “Modern Babylion” vacila um bocado. Nada de preocupante, no entanto. O heavy metal está vivo e bem vivo graças a esta paixão pelo som sagrado.

7/10 
Fernando Ferreira

1-900 – “Dial "0"...For Destruction!”

2021 – Edição de Autor

Banda que nasceu através da paixão de dois músicos pelo heavy metal e pela cultura pop da década 80 – o que em termos sonoros se traduz aqui pela inclusão de teclados. O primeiro contacto foi algo estranho, muito por se tratar de um EP conceptual. A musicalidade mais tradicional é sem dúvida um ponto de atracção imediato mas depois temos uma voz off, o narrador, a contar a história que distrai da música em si. Compreendo que o conceito possa ser extremamente importante para a banda, mas poderiam ter disponibilizado as verões sem as narrações, de forma a haver uma opção de escolha. A voz de Brett Miller não é estonteante (até funciona melhor como narrador do que a cantar) mas cumpre a sua função e este EP, apesar de todas as suas particularidades estranhas (a começar no nome), é uma boa surpresa para os fãs de heavy metal.

7/10
Fernando Ferreira

Ghost Tower – “Head Of Night”

2012/2018 – Paragon Records

O som dos Ghost Tower parece que saiu das catacumbas. Catacumbas da década de oitenta. Tudo soa a oitentas, produção podre, hard’n’heavy ingénuo a descambar no doom metal mas inspirado e um vocalista que tem mais carisma que talento. E é bom. A história dos Ghost Tower é muito atribulada – como tantas outras bandas que nem sequer chegaram a lançar um álbum – e apesar de não ter vingado (a banda acabou e também não teve um sucesso assinalável), não deixa de deixar para a posteridade boa música. Esta reedição recupera o segundo e álbum final da banda e ainda traz mais três temas bónus que não são um grande acrescento e atractivo ao pacote.

6/10
Fernando Ferreira

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