WOM Reviews – Devin Townsend / Quiete / Celestial Burst / Mindpatrol / Arachnes / Alluvial / Moral Collapse / Jana Draka

WOM Reviews - Devin Townsend / Quiete / Celestial Burst / Mindpatrol / Arachnes / Alluvial / Moral Collapse / Jana Draka

Devin Townsend – “Order of Magnitude: Empath Live Volume 1”

2020 – InsideOut Music

O que há a dizer sobre Devin Townsend que não tenha sido já dito? Músico genial e extravagante que nos traz música que pode ser classificada da mesma forma. Mais genial ainda pela forma como consegue interpretar a música que criou em estúdio em cima de palco. Foi o caso deste álbum ao vivo lançado no ano passado, em dois CDs e blu-ray. Um dos últimos espectáculos da digressão de apoio a “Empath” foi registado, no mítico Roundhouse em Inglaterra, onde o componente visual é quase tão importante como o som, com as visualizações de palco a darem o colorido extra que a música exige. Com um alinhamento que vai muito mais além de “Empath” – que refrescante não ter uma banda a tocar o álbum que acabaram de lançar na íntegra – este é um álbum obrigatório para qualquer fã de Devin Townsend, rock/metal progressivo ou até música em geral.

9.5/10
Fernando Ferreira

Quiete – “Rifflessi”

2021 – Cult Of Parthenope

Perfeição. Sei que tenho que aprender a conter o meu entusiasmo (e já evoluí muito neste sentido) e também sei que é também a pior maneira de começar uma review (ditam as regras que aquele tipo de afirmação deverá vir no final para que a curiosidade obrigue a ler o resto do texto) mas que se lixe. É um disco perfeito (ou quase perfeito, lá está conter o entusiasmo porque o mesmo poderá esmorecer e somos humanos o suficiente para não sentir os discos sempre da mesma maneira) por diversos motivos. Pela melodia que consegue trazer sem soar demasiado meloso – emocional sim, mas de forma adulta e não facilitista. Pelo peso que se enquadra perfeitamente e por principalmente trazer-nos temas que nos envolvem e abraçam como pela primeira vez que ouvimos um “Dark Side Of The Moon” ou um “Draconian Times” ou um “Alternative 4”, sem querer ofender ninguém por estar a comparar o incomparável, até porque nenhum destes discos tem comparação. Tal como este álbum de estreia. Parece-me que este duo italiano não ficará por aqui, isso deixa-me apreensivo. Mesmo sendo apenas a estreia, dá vontade de guardar este momento para sempre. Bem, o álbum está editado não está? Está guardado para sempre, e se fizeram isto na estreia… o que virá de seguida?

9.5/10
Fernando Ferreira

Celestial Burst – “The Maze”

2020 – Edição de Autor

Estreia em grande. “The Maze” é o primeiro lançamento dos franceses Celestial Burst e pode-se dizer que começam pelo pé direito. Há um feeling tradicional de rock progressivo mas também um bocado do elemento etéreo muito causado pela voz que nos faz lembrar a Anneke Van Giersbergen, que por acaso até participa no tema-título. É um EP que sabe a álbum pelo impacto que tem no ouvinte. De certeza que vão ter muitos a aguardar o próximo lançamento, seja ele qual for. Qualidade destas não anda por aí aos pontapés…

9/10
Fernando Ferreira

Mindpatrol – “Ikaria”

2021 – Green Zone Music

Quarto trabalho dos Ikaria, banda que tem origem no Luxemburgo e que consegue surpreender com o seu som moderno e progressivo. A convergência de vários géneros é algo que se encontra bastante no progressivo – assim como também a mania de vermos esta classificação surgir em bandas que no fundo são mais metalcore que outra coisa. Temos essas tendências por aqui, mas há aquele sentido desafiador de querer ir mais além do que o normal, mesmo que signifique termos músicas a rondar os quatro e cinco minutos – com algumas excepções no final do álbum. Poderoso mas sempre a mostrar algo mais que apenas riffs fortes e virtuosismo técnico. “Ikaria” poderá ser o ´album que fará com que a banda ganhe um novo estatuto, algo que parece ter os atributos necessários para isso.

8.5/10
Fernando Ferreira

Arachnes – “A New Day”

2011/2021 – Music For Masses

A fim de celebrar o décimo aniversário de “A New Day”, a banda Arachnes decide voltar a lançar o este álbum em formato de CD (inicialmente o álbum apenas tinha sido lançado em formato digital). “A New Day” apresenta-se enquanto trabalho de power metal/prog ao estilo de NWOBHM com valente maleabilidade ao longo dos seus 50 minutos de duração. Nesse sentido, é um álbum que se caracteriza pelo à vontade na mudança de formato seja nas faixas mais pesadonas, seja nas que se apresentam mais melódicas de estilo mais progressivo. Distingue-se neste caso o trabalho vocal mais que qualquer outro devido à já aproximação que existe ao seu “vizinho sonoro” britânico. Nesta versão também se conta com uma nova faixa intitulada de “First of All” (ironicamente, é a última faixa) que representa a antítese das sonoridades pesadonas deste álbum devido à sua atmosfera muito mais melancólica e à prevalência do piano. É um álbum bom, contudo levanta a questão acerca do porquê de a banda não lançar música nova (fora a nova faixa) há dez anos.

8/10
Matias Melim

Alluvial – “Sarcoma”

2021 – Nuclear Blast

Os Alluvial começam o seu caminho na Nuclear Blast com o álbum forte. É, pelo menos, uma apresentação bastante forte para quem só conhece a maior parte das bandas por onde estão, estiveram ou quem tocam ao vivo (ou tocaram). Sim, é uma dessas bandas com uma série de músicos rodados na cena que se junta para fazer algo… mais ou menos diferente. A banda começou por ser instrumental, mas a coisa cresceu até este ponto. Se instrumentalmente é bastante sólida, a voz realmente dá uma outra profundidade a estes temas. O único problema para mim é o facto de termos alguns lugares comuns que impedem que este trabalho tenha o impacto que era suposto ter. A dinâmica é boa – bastante variação e diversividade entre os temas – mas no final fica-se com a sensação de que o tom modern de algumas opções soam a déjà vú. Algo que não deve ser visto como defeito (a ser, será deste ouvinte) até porque temos aqui canções mesmo impressionantes – como a “Sugar Paper”.

7.5/10 
Fernando Ferreira

Moral Collapse – “Moral Collapse”

2021 – Subcontinental Records

Formados na Índia no ano passado, os Moral Collapse estreiam-se este ano com o lançamento do álbum homónimo. Este é um trabalho de 40 minutos que demonstra as raízes de metal progressivo e death metal destes indianos e o resultado é um de boa qualidade. Quando comecei a ouvir o álbum pensei que soava um pouco genérico, contudo bastou continuar a ouvir a mesma faixa (a 1ª) que subitamente começaram a surgir elementos raros nestas bandas: um instrumento de sopro que não consigo identificar já que além de ser um zero nessas matérias, penso que possa ser algo mais típico do subcontinente indiano. Este instrumento volta a surgir aqui e acolá, a par com outros elementos de percussão que não bateria, o que ajudou a fornecer um maior interesse no trabalho. Contudo, no seu cerne, este álbum é arrastado pela restante maré de trabalhos que envolvem porque, na verdade, continua a parecer algo que já ouvimos no passado sem apresentar grande originalidade sem ser aquela referente a uns instrumentos menos usuais, mas que também surgem em pequena escala. Seja como for, é um trabalho de qualidade e demonstra um futuro promissor para a banda, principalmente se continuarem a investir na diversificação do seu som.

7.5/10
Matias Melim

Jana Draka – “Where The Journey Begins”

2019 – Edição de Autor

Interessante banda de rock/metal progressivo (ênfase mais no rock) sem seguir que tem aqui um bom álbum de estreia que mesmo sem impressionar ou ser revoluvionário – algo que também seria exigido embora hoje em dia o público seja cada vez mais exigente – conseegue ser coerente e cativante. Uma boa voz, sólido instrumentalmente sem recursos a malabarismos técnicos, este primeiro álbum faz antever que está aqui um potencial que poderá surpreender quando for cumprido. Fica a curiosidade desperta para quem gosta de progressivo, vão apreciar.

7/10
Jorge Pereira

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