WOM Reviews – V / Jack Slamer / Beaten By Hippies / Rocket Five / Moto Toscana / Black Mastiff / Silver Devil / Thorns Of Grief

V – “Led Into Exile”

Suicide Records

Estes suecos V de certeza que chegarão como uma surpresa para muitos fãs de música pesada. Eles já tinham deixado excelentes indicações com o álbum de estreia de 2017, “Pathogenesis”, mas agora podemos dizer que vão a um pouco mais além nesse ponto. Ampliando a sua abrangência, “Led Into Exile” é muito mais do que apenas “mais um” álbum de sludge/doom/pós-qualquer-coisa. Pegando numa sequência como “Hostage Of Souls” e “Phantasmagoria” poderão ver precisamente isso, como a banda amplia a fronteira dos seus limites precisamente por acrescentar um pouco de melodias (ainda mais) emocionais aos seus arranjos. Um trabalho para ouvir e deixar crescer.

Nota 8.5/10
Fernando Ferreira


Jack Slammer – “Jack Slammer”

Nuclear Blast Records

Parece que cada pontapé que se dá numa pedra, sai de lá uma banda inspirada directamente dos mestres Deep Purple, Led Zeppelin e/ou Black Sabbath. Muitas até como companheiros de editora destes suiços Jack Slammer. Mas justiça seja feita ao pessoal responsável pelas contratações, que estes rapazes sabem realmente tocar com feeling. É tudo o que se resume esta conversa, há os que tentam recriar a magia do que já foi e há aqueles que têm essa magia a correr nas suas veias. Ao longo de dez temas temos o hard rock intemporal a bafejar-nos e a pensar em como temos realmente sorte em estarmos vivos.

Nota 8.5/10
Fernando Ferreira


Beaten By Hippies – “Beaten By Hippies”

Polderrecords

Stoner rock, raçudo e daquele que não soa exactamente a stoner. Parvo? Sim, mas tem fácil explicação. Em vez de se inserir naquela vertente de seguidores bandas do final da década de noventa, os Beaten By Hippies surgem-nos como se eles próprios tivessem começado naquela época ou até mesmo na década de setenta. Groove, ligeiro feeling psicadélico algures (o tema-título é um desses momentos) e raça rockeira, tal como gostamos. Grande álbum.

Nota 8.5/10
Fernando Ferreira


Rocket Five – “Movin’ On The Station (Live At Usina Jam)”

Edição de Autor

Álbum ao vivo dos Rocket Five, uma banda brasileira de grande valor. Grande parte do alinhamento é apoiado no álbum de estreia “On The Move”, exceptuando o tema “Solitary Man” que é um inédito, que aparecerá, em princípio, no próximo álbum de originais. Temos um hard rock clássico – sabor dado principalmente pelo orgão hammond) que nos consegue contagiar facilmente. É pena é que a qualidade da captação não seja de qualidade tão elevada quanto a música, com o som a soar um pouco abafado e pouco definido. De qualquer forma, é uma boa prova do talento da banda de Campinas.

Nota 7.5/10
Fernando Ferreira


Moto Toscana – “Moto Toscana”

Tonzonen Records

Este é um trabalho peculiar. Basicamente trata-se de voz, baixo e bateria. Já tivemos alguns exemplos de propostas minimalistas parecidas e normalmente são todas bem sucedidas na (difícil) arte de trazer dinâmica com poucos elementos para tal. De certa forma os Moto Toscana também são têm sucesso nisso no entanto não deixa de ser, este álbum auto-intitulado, um verdadeiro desafio para os habituais fãs de stoner/sludge/doom. A voz remete-nos para paragens mais alternativas e a música acaba por ser despida, como esperado, de toda uma camada que a poderia elevar para um outro nível. Interessante, sim, mas se calhar mais uns instrumentos não lhe fariam mal…

Nota 6.5/10
Fernando Ferreira


Black Mastiff – “Loser Delusions”

Grand Hand Records

Os Black Mastiff estiveram quatro anos ausentes mas não estiveram parados. Não só se focaram na sua banda como ainda foram mais longe e criaram a sua própria editora (em conjunto com os Chron Goblin) de forma a deter mais controlo da sua música. “Loser Delusions” mostra a banda a explorar o seu stoner rock e a aprofundar um pouco mais ainda o caminho psicadélico que se torna tão evidente em temas como “Bike Club” e “Paddle”, até mesmo pela própria abordagem vocal que em si parece ser veículo de LSD.

Nota 7.5/10
Review por Fernando Ferreira


Silver Devil – “Paralyzed”

Ozium Records

            Uma vaga que sempre achei existir dentro do estilo stoner, é a do metal – sempre foram 99 bandas de stoner rock para 1 de stoner metal. Contudo, esta vaga tem os seus pontos bons, um deles é o evitamento de saturações do género e outro remete para a lógica dos “poucos mas bons”; os Silver Devil são o exemplo disso com o seu mais recente lançamento, Paralyzed. Formados em 2005 na Suécia, esta banda de 5 membros apenas lançou dois álbuns, o de estreia em 2011 e em 2019 aquele que aqui vai ser alvo de “crítica” (porque há pouca coisa para criticar em termos negativos). Como referi tacitamente, o estilo deste álbum ouve-se mais pesado que o de outras bandas dentro do género, contudo mantêm-se fieis ao género: ritmos (minimamente) lentos, distorção de guitarras e subsequente enfoque nelas, vocais distantes (e neste caso em específico a tender para o rock), etc. Com efeito, não há muito mais para dizer no que toca a factos portanto vamos aos subjetivismos; o álbum transmite-se mais como uma aventura diferenciada do que uma coleção de sons diferentes para sentar-se no sofá a pensar na vida, isto é, nota-se um bom encadeamento de faixa para faixa que dentro do possíveis agiliza e impede repetições de sonoridades. Outra nota de relevo são os solos que são apresentados ao longo do álbum que retiram em parte em componente do descanso cerebral associado regularmente a este estilo. Num todo é um álbum stoner que apresenta uns sons interessantes associados aos solos com alguma frequência e que além disso apresenta um peso diferente de outros álbuns e bandas da mesma categoria. Numa escala de drogas: este álbum é provavelmente o equivalente a um peiote em 10 (sabem que uma piada é má quando quem a fez nem a entende muito bem).

Nota 7.5/10
Matias Melim


Thorns Of Grief – “Anthems To My Remains”

Satanath Records

“Anthems To My Remains” é o álbum de estreia desta one-man band polaca que se especializa, temos em crer para o futuro também, em funeral doom. Já aqui falámos algumas vezes da dificuldade de fazer funeral doom, potendo andar sempre entre o genial e o aborrecimento de morte. Ao longo destes quase cinquenta minutos ficamos com a ideia de que para evitar esses perigos entram por caminhos mais comuns do death/doom, com resultados díspares, não sendo a nossa primeira escolha para ouvir caso nos apeteça quer funeral doom ou sequer death/doom. Tem o seu valor e não é aborrecido – o que em si já é uma vitória. Apenas falta nos entusiasmar mais.

Nota 7/10
Fernando Ferreira


 

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